Homens negros em dc

Mãos Frias: quem é o homem por trás da máscara?

2020.11.20 14:00 altovaliriano Mãos Frias: quem é o homem por trás da máscara?

Mãos Frias: quem é o homem por trás da máscara?
No fim de A Tormenta de Espadas somos apresentados a um personagem cercado de mistérios, cujas feições são escondidas em camadas de segredos (e lã). Um homem que cheira a carne morta, sangue seco, uma pitada de podridão e frio. "Sobretudo frio".
O nome dele é desconhecido, mas Samwell o chama de 'Mãos Frias'.
Para fins deste texto, vamos nos concentrar naqueles que efetivamente podem ajudar a determinar sua identidade, quais sejam:
  1. Ele está morto
  2. Ele está morto há muito tempo
  3. Ele veste o negro da Patrulha da Noite
  4. Chama Samwell de 'irmão'
  5. Se intitula o 'monstro de Bran'
  6. Trabalha em cooperação com os Filhos da Floresta e Brynden Rivers
  7. É seguido por uma revoada de corvos, com quem parece interagir
  8. Montou um alce-gigante durante um tempo
Diante desta evidências, os leitores vieram com uma lista de critérios: a) personagem morto ou desaparecido há muito tempo, b) que pertenceu à Patrulha, c) possível troca-peles e d) com conexões com os Filhos, Brynden ou Bran.
Uma série de candidatos surgiram a partir destes critérios. Mas antes continuar acho que é preciso determinar o que "muito tempo" para ele estar morto. Esse critério foi extraído de dois diálogos envolvendo o filho da floresta chamado Folha, apenas um deles diretamente relacionado a Mãos Frias.
Bran e Folha estavam quando discutindo sobre trazer Mãos Frias para dentro da caverna depois do ataque dos mortos e Folha revela:
Bran estremeceu novamente.
– O cavaleiro...
– Ele não pode vir.
– Vão matá-lo.
– Não. Eles já o mataram há muito tempo.
(ADWD, Bran II)
Daí algum poderia se perguntar quanto tempo é "muito tempo" para um filho da floresta. A resposta surge em um diálogo de Folha com Meera Reed, logo antes do ocorrido acima:
Meera disse:
– Você fala a Língua Comum agora.
– Por ele. O menino Bran. Nasci no tempo do dragão, e por duzentos anos andei no mundo dos homens, para ver, ouvir e aprender. Poderia estar andando ainda, mas minhas pernas estavam doloridas e meu coração, cansado, então voltei meus pés para casa.
– Duzentos anos? – disse Meera.
A filha sorriu.
– Homens... eles são os filhos.
(ADWD, Bran II)
A tradução para o português não ajudou muito, pois a expressão original ("Men, they are the children") era um trocadilho com a palavra "criança". Dessa forma, Folha reduz o tempo de vida de uma humano a apenas uma "infância" de sua raça. Contudo, isso pode ser apenas um significado metafórico, não literal.
O que importa saber é que os Filhos da Floresta não devem considerar períodos de 10 anos como muito tempo. Talvez nem mesmo uma geração humana seja tempo relevante. Então, se atenham a isso, pois ajudará a eliminar possibilidades.
Passemos às potenciais identidades de Mãos Frias.

Benjen Stark

Se fosse Benjen, muitos dos critérios estariam preenchidos. Além disso, resolveria o mistério de seu desaparecimento.
Porém, Benjen o desaparecimento de Benjen é recente (no máximo 2 anos antes de Mãos Frias aparecer). E GRRM já contou a sua editora que Mãos Frias não é Benjen.

Will ou Cobra das Pedras

Os patrulheiros Will e Cobra das Pedras também são identidades cogitadas, mas ambos morreram recentemente (três anos, no máximo) e não preenchem a maior parte dos requisitos.

Waymar Royce

Não só não preenche a maior parte dos requisitos, como também morreu recentemente e foi transformado em um wight.

Lorde Comandante Qorgyle

Não temos nenhuma informação pessoal sobre o Lorde Comandante que precedeu Jeor Mormont, exceto por sua Casa (e, consequentemente, a região em que nasceu) e o ano em que faleceu: 288 DC. A ausência de mais informações é uma face com dois gumes, tanto ajuda quanto prejudica. O ano de sua morte também parece recente para os parâmetros dos Filhos da Floresta.
Mas o argumento que me parece mais simples para dispensar esse candidato é que Mãos Frias está perambulando por aí. Parece improvável que Qorgyle que o corpo de Qorgyle tenha desaparecido sem que ninguém notasse (e tenha conseguido atravessar a Muralha) ou tenha sido enterrado em uma cova improvisada do outro lado da Muralha.

Um dos arqueiros do "Dentes do Corvo"

Desde a Batalha do Campo do Capim Vermelho até ser enviado para a Muralha, Brynden Rivers capitaneava um grupo de arqueiros chamado Dentes do Corvo, que servia como sua guarda pessoal. Meistre Yandel nos conta:
Sor Brynden Rivers embarcou para a Muralha no final do ano de 233 d.C. (Ninguém interceptou seu navio.) Duzentos homens seguiam com ele, muitos deles arqueiros da guarda pessoal de Sangue de Corvo, os Dentes de Corvo.
(TWOIAF, Aegon V)
Corvo de Sangue e os Dentes do Corvo (retirado da HQ)
Dessa forma, estes homens deve ter continuado a servir Corvo de Sangue enquanto ele serviu e comandou a Patrulha. Mãos Frias pode até mesmo ter sido um dos Dentes que estava com Brynden quando ele desapareceu em uma patrulha para-lá-da-Muralha. Afinal, Brynden tinha 77 anos de idade quando isso ocorreu e muito provavelmente não fazia mais patrulhas desacompanhado.
Então, os mortos-vivos devem ter atacado os patrulheiros e Mãos Frias morreu, mas foi trazido de volta de algum modo pelos Filhos da Floresta, por Brynden ou outro ser dotado de poderes e assim continua servindo ao Lorde Comandante Rivers.
Como Brynden desapareceu 36 anos antes do início das Crônicas, o período de tempo para digno de nota para que Folha tenha dito que ocorreu "há muito tempo".
Esse é o candidato que eu pessoalmente mais gosto. E espero que a revelação nos venha nas histórias de Dunk e Egg antes do que nas Crônicas.

O 13º Lorde Comandante (Rei da Noite)

Nós sabemos que as lendas contam que 13º Lorde Comandante da Patrulha da Noite tomou uma "Outra" como esposa e fazia sacrifícios aos Outros. Tornou-se Rei (da Patrulha) da Noite, até que Rei Brandon o Transgressor e o Rei Para-lá-da-Muralha Joramun se unissem para derrubá-lo.
A questão é que ninguém sabe que tipo de punição o Rei da Noite teria sofrido. Apenas sabemos que seu nome foi riscado da história. Assim, os defensores deste candidato defendem que ele esteja pagando por sua violação dos votos da Patrulha, servindo-a até que os Outros sejam derrotados de vez.
A maldição do Rei da Noite seria uma forma de explicar porque ele ajuda Sam, mas não pode atravessar a Muralha. A possibilidade de que tenha sangue Stark como nas histórias da Velha Ama ainda ajudaria a preencher o requisito do possível troca-peles. Sem falar que o Rei da Noite teria morrido há milênios, o que realmente seria "há muito tempo" até para os Filhos da Floresta.
Eu considero esta um candidato com um enredo elegante, mesmo que ainda prefira a opção do Dente de Corvo.
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2020.06.18 21:18 HoBaLoy Dragões Pra Lá da Muralha

Existe uma questão interessante a ser discutida que suscita muitas dúvidas que é a que envolve a suposta impossibilidade de dragões atravessarem a Muralha.
Em Fogo & Sangue, mais precisamente quando da visita da Rainha Alysanne à Patrulha da Noite isso é bem descrito. A passagem ocorre precisamente no capítulo Jaehaerys e Alysanne – Triunfos e Tragédias, da seguinte forma:
Os homens da Patrulha da Noite ficaram tão fascinados pela dragão da rainha quanto o povo de Porto Branco, embora a rainha mesmo tenha observado que Asaprata “não gosta desta Muralha”. Mesmo que fosse verão e a Muralha chorasse, o frio do gelo ainda se fazia sentir sempre que o vento soprava, e a cada rajada a dragão sibilava e mordia o ar. “Três vezes voei com Asaprata muito acima de Castelo Negro, e três vezes tentei levá-la para o norte além da Muralha”, escreveu Alysanne para Jaehaerys, “mas em todas ela se virou para o sul de novo e se negou a ir. Ela nunca se negara a me levar aonde eu queria ir. Dei risada quando voltei a descer, para que os irmãos negros não percebessem que havia algo errado, mas aquilo me perturbou na ocasião, e ainda me perturba.
Vejam, isso se tornou uma preocupação para a Rainha Alysanne. Aparentemente tal preocupação não fora mencionada posteriormente por Gyldayn.
Porém, posteriormente o Rei Viserys I faz um relato envolvendo uma suposta incursão feita pelo Rei Jaehaerys I para derrotar um grupo enorme de selvagens, gigantes e wargs. Essa menção não é específica se ocorrera do lado de cá ou pra lá da Muralha. Muitos podem questionar que poderia ter sido uma história criada para entreter os netos mas mesmo assim, não existe qualquer contestação de Gyldayn neste sentido posteriormente. Tal fato fora descrito no capítulo Herdeiros do Dragão – Uma questão de sucessão, na seguinte forma:
No terceiro dia da terceira lua de 129 DC, a princesa Helaena levou seus três filhos para visitar o rei em seus aposentos. Os gêmeos Jaehaerys e Jaehaera tinham seis anos e seu irmão Maelor tinha só dois. Sua Graça deu a Jaehaera um anel de pérola do próprio dedo para ela brincar e contou às crianças a história de como seu tataravô e homônimo Jaehaerys voou com o dragão para o Norte, até a Muralha, para derrotar um grupo enorme de selvagens, gigantes e wargs.
Importante notar é que este relato precede a morte de Viserys I e o início da Guerra Civil intitulada Dança dos Dragões.
O que acham disso? Fora apenas uma história inventada para crianças? Existem outros detalhes sobre o reinado de Jaehaerys I que desconhecemos?
E sobre as negativas de Asaprata? Feitiçaria? Algo com Os Outros?
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2020.04.09 23:08 HoBaLoy A Carta que Aegon, o Conquistador recebeu de Dorne

Nesta oportunidade discutiremos o conteúdo da carta que Nymor Martell, filho da Rã Meria enviou a Aegon, o Conquistador.
Trata-se de um mistério e mais uma vez especulativo como Martin mesmo quer que façamos. A sugestão de tal tema fora feita por u/altovaliriano.
Vale lembrar que a Primeira Guerra Dornesa rendeu diversas baixas e atentados tanto contra o Rei Aegon quanto a Rainha Visenya.
Lembrando que as principais baixas tinham sido a própria Rainha Rhaenys e seu dragão Meraxes que acabaram por tornar tudo mais caótico e sanguinário.
Os reinos (A Campina e as Terras da Tempestade) com divisão territorial com Dorne também vinham sofrendo com diversos ataques dos senhores dorneses.
O trecho que trata disso é o final de um capítulo de Fogo e Sangue Vol. 1, conforme narrado a seguir:
O rei estava cansado da guerra, todos concordavam, mas conceder a paz aos dorneses sem submissão seria equivalente a dizer que Rhaenys, sua amada irmã, havia morrido em vão, que todo o sangue, todas as mortes, de nada serviram. Os senhores em seu pequeno conselho o alertaram ainda que uma paz assim poderia ser vista como sinal de fraqueza e talvez incentivasse novas rebeliões, que então precisariam ser reprimidas. Aegon sabia que a Campina, as terras da tempestade e a marca haviam sofrido terrivelmente durante o conflito e não perdoariam, nem esqueceriam. Até em Porto Real, o rei não se atrevia a permitir que os dorneses saíssem do Aegonforte sem uma potente escolta, por receio de que o povo da cidade os despedaçasse. Por todos esses motivos, afirmou o grande meistre Lucan mais tarde, o rei estava prestes a recusar as propostas de Dorne e continuar com a guerra.
Foi nesse momento que a princesa Deria entregou ao rei uma carta selada de seu pai.
— Apenas para seus olhos, Sua Graça.
O rei Aegon leu as palavras do príncipe Nymor diante de toda a corte, impassível e calado, sentado no Trono de Ferro. Depois, quando se levantou, dizem que pingava sangue de sua mão. Ele queimou a carta e nunca mais falou dela, mas, naquela noite, montou em Balerion e voou sobre as águas da Torrente da Água Negra até a montanha fumegante de Pedra do Dragão. Quando voltou na manhã seguinte, Aegon Targaryen aceitou os termos oferecidos por Nymor. Pouco depois, assinou um tratado de paz eterna com Dorne.
Até hoje, ninguém sabe dizer com certeza o que havia na carta de Deria. Há quem diga que era um simples apelo de um pai para outro, palavras sinceras que comoveram o coração do rei Aegon. Outros insistem que era uma lista de todos os senhores e cavaleiros nobres que haviam perdido a vida durante a guerra. Certos septões chegaram até a sugerir que a missiva estava enfeitiçada, que a Rã Amarela a escrevera antes de morrer, com um frasco do sangue da própria rainha Rhaenys, para que o rei fosse incapaz de resistir à maligna magia.
O grande meistre Clegg, que foi a Porto Real vinte anos depois, concluiu que Dorne já não tinha mais forças para lutar. Movido pelo desespero, sugeriu Clegg, o príncipe Nymor talvez tenha ameaçado, caso a paz fosse rejeitada, contratar os Homens sem Rosto de Braavos para matar o filho e herdeiro do rei Aegon com a rainha Rhaenys, o pequeno Aenys, na época com apenas seis anos. Talvez fosse isso… mas ninguém jamais saberá de fato.
E assim se encerrou a Primeira Guerra Dornesa (4-13 DC).
A Rã Amarela de Dorne realizara o que Harren, o Negro, os dois reis e Torrhen Stark não conseguiram; ela derrotara Aegon Targaryen e seus dragões. Contudo, ao norte das Montanhas Vermelhas, suas táticas lhe renderam apenas escárnio. Entre os senhores e os cavaleiros nos reinos de Aegon, “coragem dornesa” se tornou um termo debochado para covardia. “A rã pula para dentro da toca quando ameaçada”, registrou um escriba. Outro disse: “Meria lutou como uma mulher, com mentiras, trapaças e bruxarias”. A “vitória” dornesa (se é que pode ser chamada de vitória) foi vista como desonrosa, e os sobreviventes do conflito e os filhos e irmãos dos que haviam perecido prometeram uns aos outros que ainda chegaria o dia do acerto de contas.
A vingança deles precisaria esperar outra geração, e a acessão de um rei mais jovem e sanguinário. Embora Aegon, o Conquistador, viesse a ocupar o Trono de Ferro por mais vinte e quatro anos, o conflito dornês foi sua última guerra.
Sobre a carta que Deria Martell entregou a Aegon, há alguns pontos interessantes, todos pontuados por u/altovaliriano.
Primeiro, ela somente entregou a carta (que já estava escrita e selada) quando Aegon estava a ponto de recusar a oferta de paz. Isso parece combinar com a famosa cautela dos Martell da era pré-Nymeria (vide TWOIAF, Dorne: A Chegada dos Ândalos).
Segundo, é a recomendação “apenas para seus olhos” que ela faz a Aegon. À princípio parece que os dorneses querem se preservar, mas talvez tenha sido uma forma de preservar o próprio Aegon. Outros olhos poderiam te-lo forçado a agir contra a própria vontade. Como dito, muitos senhores tiveram baixas na guerra e o próprio povo do Reino não apreciava os dorneses, seguindo o que é dito a seguir.
Terceiro, a especulação de que a carta seria uma lista dos senhores e cavaleiros mortos na guerra contra Dorne. Mesmo que seja impossível determinar a verdade dessa especulação, há aqui um dado objetivo: como muita gente morreu na guerra, esse tipo de especulação parece indicar que a carta ou era longa ou era escrita de forma compacta, em estrofes (como uma lista, um poema, ou uma canção).
Interessante notar mais alguns pontos que estão marcados na passagem do livro transcrita.
“...dizem que pingava sangue de sua mão”. O que isso queria dizer? Era literal? Se fosse, o que continha tal carta? Algum tipo de veneno ou ela fora escrita com sangue?
O segundo ponto é que o tal tratado com Dorne foi de paz eterna. Isso nunca fora notado por mim. Pois se notarmos esse tratado foi violado dezenas de vezes, não só pelo próprio "Reino de Westeros" como também pelos Reinos contíguos. Além dos próprios dorneses terem violado tal tratado tantas vezes. De qualquer forma, por que um tratado de paz ETERNA? Isso realmente nos leva a especular fortemente o que continha tal carta para tanto.
Quais são os pensamentos, especulações e informações adicionais que acreditam que valha a pena comentarmos?
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2020.03.09 02:32 altovaliriano Jon Snow (Parte 1)

Jon Snow (Parte 1)
Sabendo que eu não conseguirei escrever o texto sobre Jon Snow para o "Domingo de Personagens" de hoje, resolvi compartilhar um texto que eu já havia escrito há algum tempo em meu blog.
Por outro lado, como eu estarei longe nos próximos dois domingos, muito provavelmente a Parte 2 sobre Jon Snow vai ficar para o dia 29/03.
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Paralelos e presságios: Aegon V e Jon Snow

Este artigo foi elaborado com base no excelente texto Hidden Dragons: Parallels between Aegon V and Jon Snow de autoria da usuária dornishdame, do fórum do site Westeros.org.
Tudo aqui pressupõe que Jon Snow é filho de Rhaegar e Lyanna.
(Legendas: GRRM = o autor, George R. R. Martin; DC = Depois da Conquista de Aegon)
Egg (Aegon V) e Jon Snow são trisavô e trineto e nunca se conheceram, pois Egg morreu em Solarestival em 259 DC enquanto o pai de Jon (Rhaegar) nascia. Ocorre, porém, que suas histórias são tão semelhantes que poderiam ser contadas em paralelo.
Dessa forma, analisarei a seguir essas semelhanças e demonstrarei que por meio delas somos capazes de confabular sobre o futuro dos contos de Dunk & Egg. E já que GRRM mencionou que ainda podem vir até mais nove histórias dessas, um pouco de reflexão premonitória pode vir a calhar.
1. Criação e juventude
Aegon era o quarto filho de Maekar I, que por sua vez também era o quarto filho do Rei Daeron II, e passou sua infância em palácios reais como um improvável herdeiro ao trono, enquanto que Jon foi criado em Winterfell como filho bastardo de Eddard, fazendo parte de sua família apenas informalmente, sem nenhuma perspectiva de entrar legalmente para a linha hereditária dos Stark.
Contudo, ainda que por razões distintas, a ambos a ocultação da identidade é um tema comum – com a pequena diferença de que Aegon V, ao contrário de Jon, sabia quem era desde que nasceu e havia vivido de acordo com sua posição social a maior parte da vida (uma questão que, no que se refere a Jon, ainda permanece em aberto).
Aegon se disfarça de Egg, um simples escudeiro de um reles cavaleiro andante, para poder viajar incógnito por Westeros e poder amadurecer em contato com pessoas comuns que o tratam como se ele fosse apenas um deles. O amadurecimento de Jon também acontece em razão das pessoas não o enxergarem como alguém de importância, mas ele, ao contrário de Aegon, é absolutamente ignorante de suas origens. E a farsa de seu parentesco não só o condiciona a encarar Eddard como seu modelo parental (ao invés de Rhaegar), como também afeta as expectativas que os outros têm dele, em razão de ser um descendente de Ned.
De todo modo, tanto Egg quanto Jon cresceram sabendo que eram figuras pouco importantes nas cortes que habitavam, e talvez em razão de disso sejam ambos marcadamente observadores. Deveras, logo em seu primeiro capítulo em “A Guerra dos Tronos”, Jon demonstra habilidade para decodificar as cortesias vazias de Eddard e Cersei e vaticina “um bastardo tinha de aprender a reparar nas coisas, a ler a verdade que as pessoas escondiam por trás dos olhos“. Egg, por sua vez, rapidamente percebe que há algo errado no Torneio de Alvasparedes em “O Cavaleiro Misterioso” e desvenda antes de Sor Duncan que o evento é apenas um palco para uma rebelião Blackfyre.
No entanto, essa natureza observadora com costume cede à miopia inerente à juventude. Por essa razão que há um paralelo entre a afirmação de Egg no sentido de que preferiria ser um cavaleiro da Guarda Real do que se casar com uma garota com a também irrefletida afirmação de Jon de que não se arrependeria de não ter tido uma mulher antes de entrar para a Patrulha da Noite.
Ainda assim, nenhum dos dois é imune às próprias aspirações e são impulsionados pelo desejo de crescer em importância, apesar de que não sem uma boa dose de esnobismo. De fato, Egg repetidamente sugere a Dunk para usarem a “bota” (onde se esconde o anel com o brasão de seu pai) e deixarem que o nome de sua família facilite seu caminho, assim como Jon acha que os laços familiares com Benjen serão sua porta de entrada para as patrulhas de seu tio logo que chega a Castelo Negro.

Brasão de armas pessoal de Maekar. A \"bota\" de Egg.
O sentimento de superioridade e prerrogativa, decorrente da crença de que seu sangue deveria ser suficiente para conseguir o que querem, é um reflexo comum a Egg e Jon quando se trata do primeiro contato com pessoas que não desfrutaram das mesmas vantagens que eles.
De fato, a princípio Aegon fica horrorizado quando é requisitado a servir os aprendizes em “A Espada Juramentada”, e Jon inicialmente se acha melhor do que os recrutas com quem ele treina em “A Guerra dos Tronos”. Porém, lá estavam Sor Duncan, o Alto, e Donal Noye, respectivamente, para lhes relembrar das vantagens advindas da criação de um membro da nobreza. Felizmente, tanto Egg quanto Jon são rápidos em absorver essa lição: Aegon fala da troca de conhecimento com os plebeus, e Jon faz as pazes com seus novos irmãos, oferecendo-se para ajudá-los a treinar.
2. Em posição de comando
Meistre Aemon, o único Targaryen que conheceu bem os dois homem, sem mesmo saber que Jon era parente dele e de Aegon, os conectou por meio de um conselho: “mate o menino e deixe o homem nascer”. Aemon deu este conselho a ambos antes de deixá-los (primeiro de Vilavelha para a Muralha, depois da Muralha para Vilavelha). e sabemos que ao menos Jon foi marcado por ele.
O modo como Aegon e Jon são alçados ao poder também os une. Aegon foi aclamado rei em um Grande Conselho e Jon foi eleito Lorde Comandante por seus irmãos juramentados. Eles foram escolhidos para a liderança, mesmo diante da existência de outros candidatos mais velhos. Isso não quer dizer que nenhum dos homens possuísse habilidades de liderança (claramente não possuíam), mas simplesmente que o papel que assumiram não era aquele que a princípio acreditavam que assumiriam.
Com efeito, enquanto que a possibilidade de Egg assumir o trono somente surgiu diante da recusa de seu irmão mais velho, Aemon, tudo que Jon tencionava em “A Guerra dos Tronos” ao se juntar à Patrulha da Noite era se tornar um patrulheiro. A ideia de chegar a Lorde Comandante nunca ocorreu a Jon até Sam sugerir que essa seria a razão pela qual Jeor Mormont o escolheu para ser seu intendente.
Como governantes, nenhum dos dois favoreceu a hipocrisia, pois ambos sabiam que não deveriam esperar daqueles por quem eram responsáveis algo que nem mesmo eles conseguiram fazer. Assim, por ter se casado por amor, Aegon permitiu que seus filhos seguissem seus corações e rompessem os compromissos que ele havia arranjado, sem renegá-los por isso (salvo a remoção do Príncipe das Libélulas da ordem de sucessão).
Por outro lado, por não ter mantido seu voto de celibato, Jon reconhece em “A Dança dos Dragões” que não poderá exigir o mesmo de seus irmãos juramentados e entrevê o perigo que a Torre de Hardin (onde as esposas de lança selvagens estão estabelecidas) representa em Castelo Negro.
Assim, ambos podem ser considerados líderes conscientes das fraquezas humanas, próprias e alheias, especialmente no que diz respeito à família, haja vista que Jon comete atos impensados na tentativa de resgatar a garota que ele acredita ser Arya, e que Aegon, apesar de ter punido um dos filhos, não tentou desfazer seu relacionamento ou o exilou da Corte.
O reinado político de Aegon foi caracterizado por reformas que favoreciam os comuns ao invés dos grandes senhores de Westeros, razão pela qual esses atos foram objeto de controvérsia e resultaram na perda de apoio do Rei, o que, no fim, lhe impediu de implementar as verdadeiras mudanças que tanto desejava.
Da mesma forma, o mandato de Jon Snow como Lorde Comandante da Patrulha da Noite está repleto de conflitos conforme ele tenta instituir políticas controversas que acabam dividindo a organização que ele lidera. Suas decisões de permitir que os selvagens passem pela Muralha e de nomear Couros para Mestre de Armas são recebidas com horror por parte da classe de oficiais.
Um paralelo também pode ser feito aqui. Jon e Aegon foram educados em ambientes de contraposição aos interesses dos Selvagens e Plebeus, respectivamente. E, no entanto, o tempo em que Aegon passou como escudeiro para um Cavaleiro Andante e o tempo de Jon como agente disfarçado nas terras além da Muralha, serviram para que ambos respeitassem e valorizassem esses grupos e passassem a vê-los como pessoas que merecem proteção. E esse respeito é escarnecidos e usado contra eles, pois, mais de uma vez, Aegon é dito “meio camponês” e Jon “meio selvagem”.
Mesmo em situações de maior apelo humanitário, em que suas ações são baseadas na lógica fria, a crítica não cessa. Aegon é criticado quando, durante um longo e duro inverno, envia suprimentos vitais para o norte a fim de ajudar os plebeus daquela região a sobreviver. Jon tem que lidar com o ressentimento dos irmãos da Patrulha da Noite por cada pedaço de comida que ele manda entregar aos selvagens, especialmente por parte de Bowen Marsh.
Porém, essas experiências de inserção na realidade do outro são tão transformadoras para Egg e Jon que fazem florescer neles a tendência de avaliar as pessoas por seus méritos e não por nascimento. De fato, isso leva Aegon a ascender um simples cavaleiro andante a Lorde Comandante da Guarda Real (Sor Duncan, o Alto) e Jon escolhe assistentes com base em sua habilidade e potencial, e não em seu nascimento (Gigante e Cetim).
E essa deferência coloca Aegon e Jon sob o fogo de seus adversários políticos, ainda mais quando ambos os homens demonstram tanto inabilidade para lidar com eles quanto tendência a deixar velhas queixas se acumularem às novas. Por exemplo, Jon não levou Chett em conta quando designou Sam para a posição de intendente do Meistre Aemon; bem como ignorou a erosão da boa vontade de seus homens conforme dirigia políticas em benefício dos Selvagens. Os senhores de Westeros tentaram convencer Aemon a renunciar seus votos como meistre para não permitir que Aegon assumisse como Rei, mas Aegon não fez nada para aplacar tais homens quando subiu ao trono.
3. Presságios
Existem, portanto, paralelos claros entre Aegon V Targaryen e Jon Snow em termos de tema, personalidade e caráter, apesar de que não sabemos que papel essas semelhanças irão desempenhar na trama. Dornishdame pondera que eles poderiam ser apenas mais uma indicação da herança paterna de Jon, ou chegar ao ponto de prenunciar seu reinado como um rei muito improvável.
Contudo, enquanto que todos os paralelos analisados versam sobre fatos que acompanhamos em primeira mão nos capítulos de Jon, os eventos ocorridos com Egg são, em sua maioria, retirados de relatos históricos, e não provenientes dos contos de Dunk e Egg.
Com isso quero afirmar que os paralelos analisados provavelmente pouco nos ajudarão a entender o futuro da história de Jon em “Os Ventos do Inverno” ou “Um Sonho de Primavera”. Porém, talvez sejam bastante úteis para entender o que aconteceu durante o reinado de Aegon V e, especialmente, o que levou à tragédia em Solarestival.
Com efeito, são os problemas causados por suas reformas e pelos noivados rompidos que levam Aegon a ponderar que as coisas seriam diferentes se tivesse Dragões. Essas reflexões acabariam contribuindo para a tragédia de Solarestival, na qual Aegon tentava fazer eclodir dragões dos ovos de pedra que a família Targaryen ainda possuía.
Jon Snow foi morto por quebrar novamente seus votos, estar se isolando em Castelo Negro e por se envolver no sequestro da nora do novo Protetor do Norte (o qual é uma importante fonte de apoio para a Patrulha da Noite). Jon, portanto, esvaziou-se de aliados ao sul da Muralha e deu azo ao surgimento de um motim.
Este comportamento espelha tanto aquele adotado por Aegon V em decorrência de suas reformas e das decisões conjugais de seus filhos que parece haver aqui outro paralelo: de que a tragédia de Solarestival não foi um acidente, mas fruto de uma conspiração.
Os príncipes e princesas reais estavam prometidos a Tully (Celia), Baratheon (desconhecida), Tyrrel (Luthor) e Redwyne (Olenna) e ainda que os Baratheons tenham ficado com Rhaelle, isso só ocorreu depois de uma curta rebelião da Casa, que terminou com a morte de Lorde Lyonel (autoproclamado Rei da Tempestade durante a Rebelião) pelas mãos de Sor Duncan, em um julgamento por combate.
Dessa forma, podemos imaginar que todos esses eventos devem ter lançado as sementes para que fosse criada uma aliança informal entre diversas das maiores Casas de Westeros, que culminou no plano para se livrar de Aegon e seus parentes com apenas um golpe.
Mas para saber mais sobre isso teremos que, como GRRM gosta de dizer, “continuar lendo” (keep reading, em inglês).
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2019.09.08 10:11 altovaliriano De: Tywin - Para: Hoster

Um texto longo, mas com TLDR no final.

1. Pista
Eu estava lendo Jaime contar a Devan sobre os arranjos para o noivado Lysa, quando reparei nisso:
– A primeira vez que vi Correrrio, era um escudeiro tão verde como a grama estival –, disse Jaime ao primo. – O velho Sumner Crakehall me mandou entregar uma mensagem, que ele jurou não poderia ser confiada a um corvo. Lorde Hoster reteve-me durante uma quinzena enquanto pensava na resposta, e sentou-me ao lado da filha Lysa a cada refeição.
(AFFC, Jaime V)
Á princípio acreditei que Sumner havia inventado uma desculpa esfarrapada para que Jaime fosse a Correrrio conhecer Lysa e ser avaliado por Hoster.
Mas a estratégia não parece fazer sentido. Por que Tywin triangularia a notícia com Sumner e faria mistério para Jaime? Se Tywin quisesse que Jaime fosse a Correrrio, bastaria ordenar a Jaime. Além disso, por que um escudeiro faria a viagem a Correrrio sem o cavaleiro a que servia? Não seria mais adequado?
2. Cronologia
Com essas perguntas em mente, comecei a analisar se esta farsa não foi armada depois que Jaime e Cersei começaram a por em prática o plano de tornar Jaime cavaleiro da guarda real. Mas a cronologia não permite:
À mesa, ignorara a pobre Lysa, enquanto pressionava Brynden Tully, pedindo-lhe histórias sobre Maelys, o Monstruoso, e o Príncipe de Ébano. Sor Brynden era mais novo do que sou agora, refletiu Jaime, e eu mais novo do que Peck.
(AFFC, Jaime V)
Jaime está com 34 anos ao falar isso. Segundo este parâmetros, o encontro deveria ter acontecido entre 277 DC (quando Jaime entrou a serviço de Sumner) e 279 DC (quando Peixe Negro teria 34 anos, segundo a estimativa mais flexível). Coincidência ou não, o noivado de Catelyn com Brandon foi realizado por volta de 277 DC.
Por outro lado, o encontro com Cersei se deu depois que Sor Harlan Grandison da Guarda Real já estava morto e Jaime já era um cavaleiro:
Jaime, entretanto, passara quatro anos como escudeiro de Sor Sumner Crakehall e conquistara as esporas contra a Irmandade da Mata do Rei. Mas quando fez uma breve visita a Porto Real no caminho de volta para Rochedo Casterly, principalmente para ver a irmã, Cersei puxou-o de lado e sussurrou que Lorde Tywin pretendia casá-lo com Lysa Tully, chegando ao ponto de convidar Lorde Hoster a vir à cidade para conversar sobre o dote. Mas se Jaime vestisse o branco, podia ficar sempre perto dela. O velho Sor Harlan Grandison morrera durante o sono, o que não podia ser mais apropriado para alguém cujo símbolo era um leão adormecido. Aerys iria querer um jovem para ocupar o seu lugar, portanto, por que não um leão rugindo para o lugar de um sonolento?
(ASOS, Jaime VII)
Como Grandison morreu em 281 DC, a visita a Correrrio deve ter acontecido de 2 a 4 anos antes do torneio de Harrenhal. Como o torneio havia sido anunciado desde 280 DC, podemos afirmar que a visita a Correrrio se deu 1 ou 3 anos antes do anúncio.
Por sua vez, o encontro com Cersei ocorreu meses antes do torneio. Ou seja, Tywin falava abertamente sobre casar Jaime e Lysa após o anúncio do Torneio, o que não fazia antes.
3. Conteúdo
Na carta havia algo sobre um arranjo de casamento entre Lysa e Jaime, possivelmente. Mas não era isso que tornava seu conteúdo não confiável para um corvo. Olhando para a cronologia, o torneio de Harrenhal parece um divisor de águas sobre a divulgação do noivado. Portanto, eu acho que Tywin falou a Hoster de forma explícita sobre Aerys.
A mensagem foi passada no ano 277 ou depois, ou seja, durante ou depois do Desafio de Valdocaso.
Se foi durante, Aerys estava sequestrado e isso dava meios e oportunidade para Tywin conspirar livremente contra Aerys. Inclusive justifica que Tywin tenha se sentido à vontade o suficiente para demonstrar conforto com a morte de Aerys e declarar-se abertamente favorável à sucessão de Rhaegar:
A maior parte dos membros do pequeno conselho estava com a Mão, do lado de fora de Valdocaso, neste momento, e vários deles argumentaram contra o plano de Lorde Tywin, alegando que tal ataque certamente incitaria Lorde Darklyn a matar o rei Aerys. "Pode ser que sim, pode ser que não", dizem que Tywin Lannister respondeu, "mas, se fizer, temos um rei melhor bem aqui". E ergueu a mão para indicar o príncipe Rhaegar.
(TWOIAF, Aerys II)
Se a mensagem foi entregue depois, tanto melhor. Com a visível decadência mental de Aerys depois do evento, certamente Tywin conseguiria provar seu argumento de que Aerys estava fora de controle e necessitava deixar o Trono de Ferro.
Portanto, eu acho que Hoster e Tywin estavam bolando algo, e esse algo se transubstanciou na forma do torneio de Harrenhal, possivelmente para atrair Rhaegar para um terreno neutro. O terreno escolhido foi justamente nas Terras Fluviais, nas terras de um dos súditos de Hoster, com quem Rhaegar tinha alguma conexão via um guarda de sua confiança: Oswell Whent.
o torneio foi anunciado pela primeira vez por Walter Whent, Senhor de Harrenhal, no final do ano de 280 d.C., não muito tempo depois de uma visita de seu irmão mais novo, Sor Oswell Whent, um cavaleiro da Guarda Real.
(TWOIAF, O Ano da Falsa Primavera)
Talvez Oswell tenha ido em pessoa porque também carregava uma mensagem "que não poderia ser confiada a um corvo".
4. Motivo
Certamente, a parte mais especulativa deste texto.
Se era certo que quem governava o reino era Tywin e não Aerys, obviamente que Hoster veria vantagens na aliança por casamento com o homem mais poderoso dos Sete Reinos. Mas seria isso suficiente para Hoster achar que valeria a pena o risco? Talvez, se Tywin demonstrasse ter Rhaegar consigo.
Da parte de Tywin, a razão parece mais fácil de descobrir: Hoster tinha o reino que ficava entre as Terras Ocidentais e as Terras da Coroa. Além disso, era o miolo de Westeros, por onde todas rotas passavam. Um aliado estratégico e com filhas em idade para casar. Pode ser que, inclusive, Tywin tenha visto a rede que os Starks estavam formando com os Tully, Arryn e Baratheon e quis ter uma participação nela também.
5. Comportamento
Quaisquer que tenham sido as reais intenções de Tywin e Hoster, o plano foi por água abaixo com a nomeação de Jaime para a guarda real. Contudo, alguns dos comportamentos de ambos Hoster e Tywin após o fracasso da aliança também parecem apontar para existência de segundas intenções.
Tywin não apareceu para o torneio que eu aqui proponho que ele tenha engendrado. Me parece que por saber que sua presença não contribuiria em nada, salvo sua própria humilhação. Ainda assim, o torneio contou com a presença maciça de homens das Terras Ocidentais:
Embora Lorde Tywin não tivesse se dignado a participar do torneio em Harrenhal, dezenas de seus senhores vassalos e centenas de cavaleiros estavam ali, e aplaudiram com ânimo e vigor o mais novo e mais jovem Irmão Juramentado da Guarda Real.
(TWOIAF, O Ano da Falsa Primavera)
Essa nota sobre a presença dos senhores Ocidentais parece estar cobrindo uma ausência deliberada de Tywin, e parece demonstrar que mesmo diante da derrota Lorde Lannister ainda tinha interesse de continuar com seus planos, mesmo que a margem de lucro a esta altura houvesse minguado significativamente.
Um dos indícios que esta leitura está correta é o fato de que Tywin propôs a Hoster uma nova aliança, substituindo Jaime por Tyrion. Não é surpreendente que Tully tenha recusado com escárnio ("ele respondeu que queria um homem inteiro para a filha" - ASOS, Tyrion III), mesmo que ele soubesse que Lysa não era mais donzela. O que surpreende é que Tywin tenha tentado a todo custo honrar o compromisso.
Veja: a situação não é igual ao que ocorreu quando Tywin ofereceu o filho anão para se casar com Elia Martell. Naquele momento, Tyrion não era apenas um anão bebê, mas também era o segundo na linha de sucessão. Tywin havia recusado disponibilizar Jaime sem nenhuma justificativa, de modo que deixava claro que a intenção era insultar.
Quando Tywin tenta barganhar com Hoster pela manutenção do compromisso, Tyrion tinha 8 anos e era o primeiro na linha de sucessão. Portanto, a jogada soa mais como um ato desesperado de Tywin do que com uma tentativa gratuita de ofender Tully. E o desespero de Tywin parece demonstrar a extensão do interesse que ele tinha no compromisso.
Por fim, outro elemento que liga Hoster a Tywin é o fato de ambos terem começado a rebelião neutros (no caso de Tully, a fonte é semi-canônica, do verbete de Lysa Tully no aplicativo oficial para celular), ainda que Hoster tenha depois se aliado aos rebeldes e, ironicamente, teve que substituir o noivo de Catelyn pelo Stark seguinte na linha de sucessão quando o primeiro morreu.
Um fato que acho esquisito é que Tywin nunca foi procurado ou ameaçado pelos rebeldes (além de aparecer magicamente à tempo nas muralhas de Porto Real para pilhar sozinho a cidade).
6. Conclusão
Ainda faltam algumas lacunas a serem preenchidas, especialmente no quesito das motivações, mas o panorama parece convincente o suficiente para que a tal mensagem que Jaime levou a Correrrio fosse mais do que um estratagema para que ele fosse conhecer e ser conhecido pelos Tully.
Tywin não é o tipo de personagem que você espera que jorre luz num assunto como esse. No entendo, Hoster parecia ser uma pai ligeiramente mais afetuoso e poderia nos dar uma luz. Pena que (convenientemente, talvez) Martin o tenha colocado nos livros como um idoso enfermo e delirante, em seus últimos dias. Nem das palavras soltas que balbuciava em seu leito eu fui capaz de tirar algo sobre o assunto deste tópico.

TL;DR - Tywin Lannister enviou uma carta por meio de Jaime propondo uma aliança secreta com Hoster Tully, concretizada na união das duas casas pelo casamento de Jaime e Lysa. Com o envolvimento de Rhaegar, esta aliança deu origem ao Torneio de Harrenhal. Mas tudo se perdeu quando Jaime entrou para a guarda real (ainda que Tywin tenha desesperadamente tentado manter o compromisso oferecendo Tyrion).
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2019.07.29 21:46 altovaliriano Alys Qoherys e outras sementes de dragão nas Terras Fluviais

Eu recentemente fui apresentado ao fato de que a Casa Qoherys, do mestre-de-armas de Pedra do Dragão à época da Conquista de Aegon, que foi agraciado com um título de nobreza e posse de Harrenhal por seus serviços, era de ascendência valiriana.
Essa informação vem de uma fonte semi-canônica: as informações que GRRM passou a Elio e Linda para construção da seção The Citadel, do site westeros.org.
Quenton Qoherys (esse era seu nome) tinha dois filhos e era viúvo à época, de modo que Aegon arranjou para que ele se casasse com a segunda filha de Edmyn Tully, novo Lorde Supremo das Terras Fluviais. Não sabemos se Quenton teve novos filhos com sua nova mulher, nem quantos filhos seus filhos tiveram com suas eventuais esposas. Mas, como a Casa se encontra hoje extinta, nenhum dele é importante. Exceto pelo neto de Quenton, conhecido como Gargon, o convidado.
Eis o homem:
Quando Lorde Qoherys morreu ao cair do cavalo em 9 DC, o título foi passado a seu neto Gargon, um homem gordo e insensato, com um apetite indecente por meninas jovens, que veio a ser conhecido como Gargon, o Convidado. Lorde Gagon se tornou infame por comparecer a todo casamento celebrado em seus domínios a fim de poder desfrutar de seu direito como suserano à primeira noite. Difícil imaginar convidado menos bem-vindo em qualquer casamento. Ele também tirava proveito de esposas e filhas de seus próprios criados.
(F&B, Os filhos do Dragão)
Gargon acabou morto por Harren o Vermelho (suposto bastardo de Harren o Negro), com a ajuda de um pai cuja filha fora "honrada" por Gargon.
A questão é que, salvo Gargon tenha sido infértil, há uma grande chance dele ter gerado bastardos e espalhado genética valiriana pelas terras sob o poder de Harrenhal à época. Dessa forma, os personagens da plebe das Terras Fluviais desde então podem ter uma pitada de sangue de dragão em si.
Dessa forma, os personagens da plebe das terras fluviais podem ser olhados sob uma nova perspectiva. Minha mente foi diretamente para uma personagem em específico: a misteriosa bruxa Alys River. Ela viveu durante a Dança dos Dragões, foi amante muito querida do Príncipe Aemond Targaryen, e tinha poderes místicos inexplicáveis.
Como, ela foi encontrada por Aemond justamente em Harrenhal, é uma forte candidata a descendente Qoherys. Por outro lado, Fogo & Sangue Vol 1 terminou sem sabermos o que sucedeu a ela e ao filho bastardo que Príncipe Aemond pôs em sua barriga. Material para o próximo volume, aparentemente.
Mas a coisa não precisa terminar aí. Há personagens como Jenny de Pedravelhas, que era dita meio-louca e descendente dos Primeiros Homens (o que não impede que seja em parte sangue valiriano), fosse também uma descendente. Talvez Dunk e Egg viajem pelas Terras Fluviais e possam encontrar pessoas tocadas pelos sangue valiriano. Nas próprias Crõnicas de Gelo e Fogo, a história de Jaime e Brienne está sujeita a isso.
Assim, a porta realmente está aberta.
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2019.07.20 07:10 altovaliriano "E não só o povo livre" - Onde Benjen Stark não esteve

Premissa
Quando Jon conhece Mance pela primeira vez, ele faz um relatório das atividades da Patrulha da Noite cheio de meias-verdades. Entre os fatos relatados, Mance e Jon travam o seguinte diálogo:
- O Senhor Comandante mandou-me ao Meia-Mão para ganhar experiência, e por isso ele trouxe-me a essa patrulha.
Styr, o Magnar, franziu a testa ao ouvir aquilo.
– Chama isso de patrulha… por que corvos viriam patrulhar pelo Passo dos Guinchos acima?
– As aldeias estavam desertas – disse Jon, honestamente. – Era como se todo o povo livre tivesse desaparecido.
– Desaparecido, certo – falou Mance Rayder. – E não só o povo livre. Quem lhes disse onde estávamos, Jon Snow?
Tormund fungou.
– Se não foi o Craster, eu sou uma donzela corada. Eu disse, Mance, aquela criatura precisa ficar uma cabeça mais curta.
O rei deu ao homem mais velho um olhar irritado.
– Tormund, um dia desses experimente pensar antes de falar. Eu sei que foi o Craster. Perguntei a Jon para ver se ele nos diria a verdade.
(ASOS, Jon I)
Styr e Tormund servem neste diálogo como representativos dos pensamentos Mance.
Quando Jon fala a palavra "patrulha", Styr franze o cenho, pois isso significa que o grupo de Quorin não estava ao acaso, mas o grupo de Quorin seria muito menor do que o que eles esperavam que a Patrulha enviaria contra eles. Assim, Mance já começa desconfiar que havia sido Craster quem havia contado a localização de seu exército e começa induzir Jon a lhe contar isso, mas Tormund estraga tudo ao expressar os pensamentos de Mance.
O curioso é que quando Mance começa começa desconfiar, e pergunta a Jon o que uma patrulha estava fazendo tão longe, o garoto lhe responde que era porque não encontraram o povo livre próximo a muralha, mas Mance completa dizendo "e não só o povo livre".
Mance poderia estar se referindo a gigantes, filhos da floresta, animais, etc., mas a intervenção somente cai como uma luva se ele estiver falando a Jon, um desertor, de patrulheiros sumidos, mais especialmente do Primeiro Patrulheiro, Benjen Stark, tio de Jon. Mance estranhou porque Jon havia sido enviado. Que melhor motivo do que estar a procura de Benjen?
Nunca antes havia me ocorrido que Mance deveria saber quem era Benjen, e que, se estes nunca se encontraram ("Seu tio não me conhecia de vista, portanto nada tinha a temer vindo daí" - ASOS, Jon I), então Benjen não passou por Mance ao longo do caminho.
E sabemos razoavelmente bem onde Mance esteve durante os último tempos.
Cronologia
Quando Jon chega na aldeia deserta de Brancarbor (21º dia da 4ª lua de 299 DC - se pudermos acreditar na "Mais Precisa Linha do Tempo"), comenta-se que havia selvagens ali "há não mais que um ano" (ACOK, Jon II).
Ou seja, como bem coloca a Wiki of Ice and Fire, ainda havia gente em Brancarbor em 298 DC.
Segundo Craster, essas aldeias vazias foram obra de Mance Rayder, mas o diálogo acima demonstram que não. De todo modo, isso comprova que Mance já estava em atividade antes 298 DC, pois Craster foi visitado por um enviado de Mance nesse meio-tempo (ACOK, Jon III).
No dia em que Jon ficou sabendo da morte de Ned (8º dia da 11ª lua de 298 DC), Benjen já partido há quase meio ano (AGOT, Jon VII). Ou seja, quando Benjen Stark foi dado como desaparecido, Mance estava por perto há algum tempo.
Mas onde é que estava Mance nessa época?
Localização
Segundo Craster (e lembre-se que ele ouviu isso de um enviado de Mance algum tempo antes de Mormont e cia aparecerem em sua "fortaleza" em Fúria dos Reis), "os selvagens estavam se reunindo na nascente do Guadeleite" (ACOK, Jon VII). E sabemos mais tarde que Mance estava andando junto ao leito do rio a Caminho da Muralha.
Os mapas oficias divergem um pouco sobre a localização exata da nascente do Guadeleite ("Milkwater", no original - vide desenhos de James Sinclair, Jeffrey L. Ward e Jonathan Roberts), mas todos convergem em algumas características destas nascentes:
  1. ficam nas Presas de Gelo;
  2. ao norte do Passo dos Guinchos;
  3. a oeste do Punho dos Primeiros Homens.
Uma área muito específica e pequena para fazer uma boa eliminação numa região tão grande quando o Além-Muralha, não?
Talvez não.
Benjen havia saído de Castelo Negro para fazer uma procura "até tão longe como a Torre Sombria. Isso é todo o caminho até as montanhas" (AGOT, Jon III), e por montanhas entenda-se Presas de Gelo.
Craster disse: "Há três anos que não vejo Benjen Stark" (ACOK, Jon III), portanto a última vez que o viu foi quase um ano antes do começo de A Guerra dos Tronos. Por outro lado, ninguém de Torre Sombria viu Ben Stark.
E Mance havia colocado vigias no Passo dos Guinchos, como Ygritte e Orell ("Vigias no Passo dos Guinchos [...] Pergunto-me o que será que Mance Rayder teme" - ACOK, Jon VI)
Portanto, é provável que algo tenha acontecido com Benjen na região entre tudo isso: a oeste de Castelo Negro, ao Sul da Nascente do Guadeleite, a Leste das Presas de Gelo e ao Norte da Muralha.
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2019.06.27 08:56 altovaliriano O Trono de Ferro sem gênero e o impacto efêmero do Grande Conselho de 101 DC

Texto original: https://bit.ly/2X5ruWC
Autor: @clintw (advogado licenciado no estado da California, EUA, especializado na defesa do consumidor)

Introdução / Tese

Em Game of Thrones, no universo do show, a questão de se é possível para uma mulher sentar no Trono de Ferro está bem consolidada. Cersei Lannister, a Primeira de seu nome, Rainha dos Ândalos e dos Primeiros Homens, e Protetora do Reino, sentou-se no Trono de Ferro por quase 3 anos (de tempo real) desde a abdicação do Rei Tommen. Embora muitos súditos da Rainha Cersei estejam um pouco irritados com isso, as realidades de quem atualmente detém o poder em Westeros tornam possível, se não esmagadoramente provável, que o sucessor de Cersei também seja mulher. Assim, podemos dizer que no universo do show o teto de vidro (de dragão?) foi completamente quebrado.
Mas e o universo dos livros A Song of Ice and Fire? Na Westeros do livro, Cersei ainda não teve sua ascendência, Daenerys ainda está enredada em seu nó de Meereenês, e Sansa está apenas começando a reunir suas forças no Vale. É lícito que um desses governantes capazes se declare #ForTheThrone? A maioria dos westerosis acredita que é ilegal uma mulher governar.
A maioria dos Westerosis está errada.
"Aos olhos de muitos, o Grande Conselho de 101 d.C. estabeleceu um precedente de ferro nos assuntos de sucessão:independentemente da antiguidade, o Trono de Ferro de Westeros não podia passar para uma mulher, nem por meio de uma mulher para seus descendentes masculinos" (TWOIAF, Os Reis Targaryen, Jaehaerys I)
Convocado por ordem do Conciliador, Rei Jaehaerys, para resolver a questão de sua própria sucessão, o Grande Conselho de 101 DC escolheu o Príncipe Viserys, em detrimento do Príncipe Laenor, como o herdeiro de Jaehaerys I, em parte porque Viserys descendeu da linhagem masculina enquanto que Laenor descendeu de uma linha feminina. A decisão final tomada por este primeiro Grande Conselho levou muitas pessoas, tanto em Westeros quanto no fandom, a argumentar que o resultado do Grande Conselho transmitiu uma espécie de precedente legal ao Trono de Ferro: que a linha masculina deve SEMPRE herdar antes da linha feminina. No entanto, este argumento não abarca várias coisas sobre o Grande Conselho e sua decisão, incluindo, mas não necessariamente se limitando a: a natureza da decisão em si, a teoria do direito e a natureza do precedente tanto em Westeros quanto no mundo real.
Neste ensaio, demonstrarei que:
  1. O Grande Conselho de 101 AC era uma assembléia legislativa, não uma corte judicial;
  2. Isso porque a decisão que o Grande Conselho de 101 AC fez foi uma decisão legislativa, não confere nenhum poder de precedente; e
  3. Que o modo de aplicação da lei em Westeros não permite uma leitura no sentido de que o Grande Conselho de 101 AC alterou fundamentalmente as regras de herança do Trono de Ferro.

Contexto Factual Relevante

Em 101 DC, Rei Jaehaerys I era realmente muito velho. Quando o primeiro filho e herdeiro de Jaehaerys, Aemon Targaryen, morreu cerca de 10 anos antes, o rei nomeou seu terceiro filho Baelon como herdeiro. Ao fazê-lo, ele passou por cima de sua neta Rhaenys (presumivelmente, mas não explicitamente) porque Rhaenys era uma mulher e Baelon era um homem. A esposa de Jaehaerys, a rainha Alysanne, estava furiosa porque acreditava que o sexo de Rhaenys não deveria impedi-la de herdar o trono. Ocorre que Baelon morreu muito tragicamente, deixando o reino sem um herdeiro reconhecido.
Em 101 DC, Jaehaerys sabia que ele não tinha muito tempo de sobra. Embora a maioria de seus filhos estivesse morta a esta altura, muitos tiveram seus próprios filhos e, como resultado, Jaehaerys estava um pouco em apuros no que se referia a quem deveria sucedê-lo como monarca dos Sete Reinos.
Por uma questão de brevidade, vou pular as dezenas de possibilidades disponíveis, para concentrar-me nos dois principais candidatos entre os quais Jaehaerys teve que fazer uma escolha:

1 - Viserys Targaryen, seu neto (24 anos)
2 - Laenor Velaryon, seu bisneto (7 anos)

No ano 101 DC, a Casa Velaryon era uma das casas mais ricas e poderosas de Westeros, e eles começaram a reunir forças para forçar a reivindicação de Laenor. Para evitar uma possível guerra civil entre essas facções, Jaehaerys decidiu convocar um Grande Conselho com Senhores de toda a Westeros “para discutir, debater e decidir a questão da sucessão”. Vide Fogo & Sangue - Herdeiros do dragão: uma questão de sucessão.
Esta foi uma sábia decisão política da parte de Jaehaerys. Delegar a decisão permitiu-lhe evitar qualquer ramificação de facções rivais de quem quer que o Conselho escolhesse, porque ele poderia por a culpa da decisão sobre os Senhores de Westeros. Isso também significava que ele evitaria deixar Alysanne irritada, ao, mais uma vez, explicitamente favorecer sua linha masculina em detrimento de sua linha feminina.
É importante notar que a tarefa de Jaehaerys para o Grande Conselho foi escolher seu herdeiro. Em condições normais, esta tarefa seria do rei, mas ele escolheu, neste caso, delegar este poder ao Grande Conselho. O que ele não fez (e não poderia fazer) foi delegar ao Grande Conselho o poder de escolher todos os herdeiros de todos os tempos.
Em todo caso, o Grande Conselho se reuniu por 13 dias em Harrenhal. Eles discutiram e dispensaram 9 requerentes menos importantes por razões tão variadas quanto:
"As reinvidicações fracas de nove concorrentes menores foram avaliadas e descartadas (um deles, um cavaleiro andante que se apresentou como filho natural do próprio rei Jaehaerys, foi capturado e aprisionado quando o rei o expôs como mentiroso). O arquimeistre Vaegon foi descartado por causa dos votos e a princesa Rhaenys e a filha por causa do sexo" - Fogo & Sangue - Herdeiros do dragão: uma questão de sucessão.
Observe novamente que, embora alguns desses requerentes fossem descontados pelo Grande Conselho por causa de seu sexo, essa não era a única consideração do Conselho. Vaegon, que teria tido uma reivindicação muito forte na ausência de seus votos de maestria, foi descontado como resultado de ele adotou a corrente, mostrando que o Grande Conselho valorizava a praticidade da escolha não apenas se o pretendente era homem ou mulher.
Com o descarte dessas alegações menores, os Lordes também consideraram os vários pontos fortes e fracos dos dois principais demandantes.
"...restando os dois reclamantes com mais apoio: Viserys Targaryen, filho mais velho do príncipe Baelon com a princesa Alyssa, e Laenor Velaryon, filho da princesa Rhaenys e neto do príncipe Aemon. Viserys era neto do Velho Rei, Laenor, seu bisneto. O princípio da primogenitura favorecia Laenor, o princípio da proximidade favorecia Viserys. Viserys também foi o último Targaryen a montar em Balerion… embora, depois da morte do Terror Negro em 94 DC ele nunca tenha montado em outro dragão, enquanto o garoto Laenor ainda não havia feito seu primeiro voo em seu jovem dragão, um animal esplêndido cinza e branco chamado Fumaresia. Mas a reivindicação de Viserys derivava do pai, a de Laenor, da mãe, e a maioria dos senhores achava que a linhagem masculina devia ter precedência sobre a feminina. Além do mais, Viserys era um homem de vinte e quatro anos, Laenor um garoto de sete. Por todos esses motivos, a reivindicação de Laenor era vista como a mais fraca, mas a mãe e o pai do menino eram figuras tão poderosas e influentes que não pôde ser totalmente descartada.
...
Embora o senhor e a senhora Velaryon fossem eloquentes e generosos nos esforços em nome do filho, a decisão do Grande Conselho nunca foi questionada. Com uma grande margem de diferença, os senhores reunidos escolheram Viserys Targaryen como herdeiro legítimo do Trono de Ferro. Apesar de os meistres que contaram os votos nunca terem revelado os números, diziam depois que a votação fora de mais de vinte contra um." - Fogo & Sangue - Herdeiros do dragão: uma questão de sucessão.
Essa decisão do Grande Conselho dos Lordes conferiu um precedente duradouro ou simplesmente escolheu um herdeiro conveniente e prático? O texto não menciona nenhuma intenção precedencial por parte do Conselho. Em contraste, o texto enfatiza que, embora o fato da reivindicação de Viserys derivar da linha masculina fosse uma consideração importante, essa não era a única consideração importante. Outras considerações incluíam: a diferença de idade, a proximidade em relação a Jaehaerys e também a capacidade de cavalgar dragões para perpetuar a Dracocracia que os Targaryens estabeleceram em Westeros.
Não obstante, a decisão de escolher Viserys sobre Laenor foi tomada de maneira assimétrica pelo Grande Conselho. Ademais, Jaehaerys por fim ratificou essa decisão, aceitando-a, e nomeando Viserys como seu herdeiro. Devido à ratificação da decisão pelo Antigo Rei, não pode haver debate que a escolha final feita pelo Grande Conselho de 101 AC tenha força de lei. Mas a questão de se isso criou um precedente duradouro requer um estudo sobre o tipo de lei que foi feito naquele ano em Harrenhal. Foi uma lei que apenas afetou Jaehaerys, Viserys e o pobre Laenor? Ou era uma lei precedencial que vincularia futuros pretendentes ao Trono de Ferro para as gerações vindouras?

Teoria do Direito / Padrão de Revisão

Para responder a uma questão de direito, primeiro precisamos definir nossos termos. Lembrem-se que citação do Meistre Yandel acima: "Aos olhos de muitos, o Grande Conselho de 101 d.C. estabeleceu um precedente de ferro nos assuntos de sucessão...". Vide TWOIAF, Os Reis Targaryen, Jaehaerys I. Então, o que diabos é a definição legal de um precedente?
Felizmente, as pessoas têm definido o termo "precedente" por séculos. O primeiro lugar que a maioria dos advogados procurará por uma definição legal é o "Black's Law Dictionary", um tomo pesado. Black define "precedente" como:
“Um caso julgado ou uma decisão da corte de justiça, considerada como provedora de exemplo ou autoridade para um caso idêntico ou similar que se origine posteriormente ou uma questão de direito similar. Uma minuta de escritura, acordo, testamento, petição, reclamação \bill, no original]) ou outro instrumento legal, considerado digno de servir como um padrão para futuros instrumentos da mesma natureza."
Observe que, de acordo com essa definição, para que uma decisão tenha valor precedencial, ela deve: 1) vir de um tribunal ou outra entidade judicial; 2) ter valor como um exemplo para ser usada por tribunais no futuro; e 3) tratar de uma questão de direito que possa aconteceu de novo. (Note também que “bill” neste contexto não significa um projeto de lei considerado por uma legislatura no sentido de “Eu sou apenas um projeto de lei sentado no Capitólio”; em vez disso, um “bill” legal é uma maneira antiga de dizer “reclamação”). Mas e as outras definições fora dos dicionários?
Os tribunais norte-americanos definem precedentes de maneira semelhante. Por exemplo:
“Um precedente judicial atribui uma conseqüência legal específica a um conjunto detalhado de fatos em um caso julgado ou decisão judicial, que é então considerado como provedor da regra para a determinação de um caso subseqüente envolvendo fatos materiais idênticos ou similares e surgido no mesmo tribunal. ou um tribunal inferior na hierarquia judicial" Allegheny General Hospital v. NLRB, 608 F.2d 965, 969-970 (3rd Cir. 1979).
Mais uma vez, as mesmas três características mencionadas acima existem: uma decisão judicial, que serve como exemplo, que provê a regra (também conhecida como a lei) para determinar futuros casos semelhantes.
Os Estados Unidos e outros países do Common Law também usam o termo latino “stare decisis” para se referir à noção de precedente. O Tribunal de Apelações do Nono Circuito (o Melhor Circuito) tem isto a dizer sobre a interação entre os dois:
“Stare decisis é a política do tribunal de se apoiar no precedente; o termo é apenas uma abreviação de stare decisis e non quieta movere - “estar de prontidão e seguir as decisões e não perturbar o que está resolvido”. Reflita sobre a palavra "decisis". A palavra significa, literal e legalmente, a decisão. Sob a doutrina do stare decisis, um caso é importante apenas para o que ele decide - pelo “o quê”, não pelo “por quê”, nem pelo “como”. No que diz respeito ao precedente, stare decisis é importante apenas para a decisão, para a detalhada conseqüência jurídica que sucede a um conjunto detalhado de fatos ”- United States Internal Revenue Serv. v. Osborne (In re Osborne), 76 F.3d 306, 96-1 U.S. Tax Cas. (CCH) paragr. 50, 185 (9th Cir. 1996)
Procurando uma definição de precedente mais Nascida do Ferro? Austrália tem uma para você:
“[este] é o caminho da Common Law, os juízes preferindo ir 'de caso a caso, como os antigos marinheiros do Mediterrâneo, agarrando a costa de ponta a ponta e evitando os perigos do mar aberto da sistematização ou da ciência." Perre v. Apand (1999) 198 CLR 180 (Justice McHugh)
O ponto é que, por definição, um precedente só pode ser feito por um órgão judicial e só pode ser usado para decidir uma questão de direito. O que leva à próxima pergunta: O Grande Conselho de 101 AC foi um órgão judicial?

Análise Jurídica

O Grande Conselho não era uma corte judicial, era uma assembléia legislativa. Os teóricos jurídicos, considerando a diferença entre os tipos de estruturas legais, na maioria das vezes começam com Charles-Louis de Secondat, Barão de La Brède e Montesquieu (ou Montesquieu, abreviado). Montie (ainda mais curto) foi um estudioso francês no início dos anos 1700 que escreveu o que veio a ser um texto extremamente influente sobre lei e governo chamado “De l'esprit des loix”, ou “O espírito das leis”. Nele, ele argumentou que uma separação de poderes governamentais entre diferentes pessoas ou corpos era essencial para evitar a tirania. Além disso, o tipo de separação dos poderes individuais era crucial. Montesquieu escreveu:
"Existem em cada Estado três tipos de poder: o poder legislativo, o poder executivo das coisas que dependem do direito das gentes e o poder executivo daquelas que dependem do direito civil.
Com o primeiro [Legislativo], o príncipe ou o magistrado cria leis por um tempo ou para sempre e corrige ou anula aquelas que foram feitas. Com o segundo [Executivo], ele faz a paz ou a guerra, envia ou recebe embaixadas, instaura a segurança, previne invasões. Com o terceiro [Judicial], ele castiga os crimes, ou julga as querelas dos particulares. Chamaremos a este último poder de julgar e ao outro simplesmente poder executivo do Estado." - O espírito das leis, Livro X\na verdade Livro XI, capítulo VI])
Como Montie descreve acima, a determinação feita pelo Grande Conselho de 101 AC tem muito mais em comum com uma determinação legislativa do que judicial. As características de uma determinação judicial são geralmente que a decisão tomada é imparcial e baseada nos fatos e na lei de um assunto específico. A decisão é normalmente feita por um juiz ou um júri, agindo como funcionários da justiça em um caso ou controvérsia. Outra característica de uma determinação judicial é que, no ideal, ela é independente da vontade popular. Além disso, as decisões judiciais geralmente não se baseiam apenas em considerações práticas, mas devem ser guiadas primeiro pela lei e depois pelos fatos.
A decisão do Grande Conselho não tinha nenhuma dessas características. Primeiro, claramente não era imparcial, pois muitos dos próprios demandantes ou suas facções representativas podiam votar. Por exemplo, Corlys Velaryon, pai de Laenor, votou. Segundo, o grande Conselho não era nem um juiz nem um júri decidindo quais fatos eram verdadeiros e quais fatos não eram. Terceiro, o Grande Conselho foi enfaticamente uma expressão da vontade popular.
Em contraste, uma natureza essencial de uma determinação legislativa é a falta de valor precedencial. Isto ocorre por uma boa razão: os legisladores geralmente não devem ser capazes de vincular os futuros legisladores a não mudarem as coisas se as leis que promulgarem forem ruins. A natureza mutável de uma determinação legislativa é tão crucial que Montesquieu a mencionou em sua definição de poder legislativo. (“... o príncipe ou o magistrado cria leis por um tempo ou para sempre e corrige ou anula aquelas que foram feitas...”). De fato, você vê inúmeros exemplos de legislaturas aprovando ou tentando aprovar leis para revogar ou substituir leis aprovadas por legislaturas anteriores. A tentativa frustrada do recente Congresso Republicano de revogar a Affordable Care Act é um dos exemplos proeminentes disso.
As determinações legislativas também devem se preocupar com considerações práticas. Por exemplo, uma legislatura aprovando uma lei deve decidir se o Tesouro pode arcar com o custo da lei. Assim também, o Grande Conselho se baseou em considerações excessivamente práticas, além do sexo através do qual a reivindicação derivava. O texto menciona explicitamente que o Conselho considerou várias considerações práticas: “O princípio da primogenitura favorecia Laenor, o princípio da proximidade favorecia Viserys. Viserys também foi o último Targaryen a montar em Balerion… embora, depois da morte do Terror Negro em 94 DC ele nunca tenha montado em outro dragão, enquanto o garoto Laenor ainda não havia feito seu primeiro voo em seu jovem dragão, um animal esplêndido cinza e branco chamado Fumaresia... Além do mais, Viserys era um homem de vinte e quatro anos, Laenor um garoto de sete.” Se a tarefa do Grande Conselho era fazer um Precedente de Ferro que determinasse por todos os tempos que as mulheres nunca poderiam sentar no Trono de Ferro, nenhuma das considerações acima seriam de qualquer relevância. O fato de que tais praticidades eram relevantes dá peso à conclusão de que tal precedente não era pretendido.
Dado o tipo de determinação feita pelo Grande Conselho, a composição do Conselho, e como o Conselho fez a sua determinação, há pouca dúvida de que a decisão tomada foi de natureza legislativa, ao invés de judicial. Mas isso não põe fim à questão de saber se a decisão do Grande Conselho teve valor precedencial, porque as legislaturas podem e aprovam leis que afetam o futuro. Por exemplo, o Congresso pode aprovar essa lei a partir de agora, certas atividades são ilegais. Alguns podem referir-se coloquialmente a tal lei como um "precedente", mesmo que não se enquadre na definição estrita. No entanto, para que o Congresso aprove uma lei que afeta os eventos no futuro, ele ter a intenção e expressa-la. Aqui, o Grande Conselho não fez isso. A tarefa era simples, estrita e finita: escolher um herdeiro para Jaehaerys. Ao tomar a decisão, o Grande Conselho não fez outra coisa senão escolher um herdeiro para Jaehaerys. Não há absolutamente nenhuma evidência textual para a noção de que o Grande Conselho de 101 AC realmente votou em qualquer coisa que dissesse: 1) Viserys Targaryen é o verdadeiro herdeiro de Westeros, e 2) também, por acaso, nenhuma mulher ou homem pela linha feminina pode herdam o trono.
Mas vamos supor à título de argumentação que o Grande Conselho, de fato, pretendia tal precedente futuro. Se o Grande Conselho quisesse de fato o resultado de que, a partir de agora, apenas homens e governantes que herdassem dos homens sentassem no Trono de Ferro, esse ato legislativo ainda teria força de lei?
Não teria. Sabemos disso porque, como disse Montesquieu, todas as decisões legislativas estão sujeitas a futuros órgãos legislativos “ corrig-[irem] ou anula[rem] aquelas que foram feitas ”. Aqui, mesmo se o Grande Conselho tivesse decidido que não poderia haver futuro monarca do sexo feminino no Trono de Ferro, um órgão legislativo subseqüente revogou a decisão. Neste caso, o órgão legislativo subseqüente não era outro senão o próprio Viserys:
"Para o rei Viserys, o assunto estava há muito encerrado; Rhaenyra era sua herdeira, e ele não queria ouvir argumentos contrários ‒ apesar dos decretos do Grande Conselho de 101 d.C., que sempre colocava um homem sobre uma mulher". (TWOIAF, os Reis Targaryen, Viserys I)
Em um sistema monárquico, a palavra do rei é um decreto legislativo. Portanto, na medida em que o Grande Conselho do 101 AC estabeleceu que as mulheres não podiam mais sentar no Trono de Ferro, essa determinação legislativa foi anulada pelo rei Viserys. Assim, a decisão do Grande Conselho não pode ter valor de precedente e vincular futuros monarcas ou órgãos legislativos caso esses legisladores decidam emendar ou revogar a decisão. Não existe um Precedente de Ferro que impeça as mulheres de sentarem no Trono de Ferro ou os homens de herdarem o Trono através dos direitos de suas mães.

A Lei westerosi não ampara uma conclusão diferente

Poder-se-ia argumentar que as leis de Westeros não seguem a teoria e o costume que se desenvolveram no Common Law moderno ou na lei de nosso mundo, e assim Black's Law Dictionary e Montesquieu podem catar coquinho. Mas uma leitura justa da lei westerosi, na forma em que ela existe, não ampara a noção de que as mulheres tiveram seu direito de herança proibido antes ou depois do Grande Conselho de 101 AC.
Antes do Grande Conselho de 101 AC, havia vários exemplos de monarcas que eram mulheres ou derivavam seu domínio da linha feminina. Dorne é, naturalmente, repleto de tais governantes, de Nymeria a Meria Martell. Na verdade, pode-se argumentar que o próprio Trono de Ferro passou para um governante que derivou seu governo em virtude de sua mãe: Maegor era o filho de Aegon, o Conquistador, mas a primogenitura pura e agnática teria considerado rei seu sobrinho Aegon. Em vez disso, Maegor afirmou sua reivindicação por direito de sua mãe Visenya. Além disso, relatos contemporâneos indicam que a questão da ascensão feminina estava muito aberta na época:
"Enquanto muitos ainda debatiam se a precedência na linha sucessória cabia ao príncipe Maegor ou à sua sobrinha Rhaena, parecia inquestionável que Aegon sucederia ao pai Aenys tal como Aenys sucederia a Aegon." - Fogo & Sangue - Os filhos do dragão
O fato de que Maegor v. Rhaena foi levado a debate significa que não havia necessariamente uma proibição contra governantes do sexo feminino. Se o costume universal fosse proibi-lo, ninguém se importaria em discutir quem prevaleceria entre Maegor e Rhaena. Isso indica que Westeros segue a Primogenitura de Preferência Masculina, não a Primogenitura Agnática estrita.
Eventos subsequentes ao Grande Conselho confirmam esta leitura. O herdeiro escolhido de Viserys, Rhaenyra, de fato, subiu ao Trono de Ferro, embora por um curto período de tempo. Também sabemos com certeza que, apesar da decisão do Conselho, não há nenhuma proibição legal contra mulheres que servem como monarcas ou senhores no norte. Veja, por exemplo:
"– Novo, e um rei – disse ele. – Um rei precisa ter um herdeiro. Se morrer em minha próxima batalha, o reino não pode morrer comigo. Pela lei, Sansa é a seguinte na linha de sucessão, portanto, Winterfell e o Norte devem passar para ela. [...] – Você reza para que não seja. Já pensou em suas irmãs? E os direitos delas? Concordo que não podemos permitir que o Norte passe para o Duende, mas e Arya? Por lei, ela vem depois de Sansa... sua própria irmã, legítima..." - ASOS: Catelyn V
Se houvesse um Precedente de Ferro contra uma mulher herdar qualquer tipo de trono, nem Sansa nem Arya Stark estariam na linha de sucessão para o título de Rainha no Norte. E ainda assim elas estão. Além disso, sabemos em ADWD, Jon IX que as filhas legítimas herdam antes dos tios por causa do direito legal de Alys Karstark de herdar o Karhold antes do otário do seu tio Cregan.
"– Ele não é nenhum lorde – Alys disse com desdém. – Meu irmão Harry é o legítimo senhor, e, por lei, sou sua herdeira. Uma filha vem antes de um tio. Tio Arnolf é apenas o castelão. Ele é meu tio-avô, na verdade, o tio do meu pai. Cregan é filho dele. Imagino que isso faça dele um primo, mas nós sempre o chamamos de tio." ADWD, Jon IX
Lorde Comandante Snow organiza um casamento entre Alys e Sigorn para cimentar a reivindicação de Alys a Karhold. Se as mulheres estivessem totalmente impedidas de herdar, seu casamento não teria importância e Karhold passaria para seu tio-primo Cregan.
Enquanto a aplicação do costume legal em Westeros é um assunto para outro ensaio, minha leitura inicial indica que não há nada que leve à conclusão de que o costume preexistente ou a prática subsequente façam a decisão do Grande Conselho de 101 AC um tipo de lei superior. Em poucas palavras: a decisão foi sobre Viserys e Laenor apenas. As tentativas de torna-la um Precedente de Ferro são equivocadas e incorretas.

Conclusões

O Grande Conselho do 101 AC não criou um precedente juridicamente vinculativo em Westeros. Não era pretendido, e mesmo se tivesse sido aquela decisão do Grande Conselho foi anulada por Viserys I. Não há lei que impeça as mulheres de se sentarem no Trono de Ferro, ou que os homens herdem o Trono através de suas mães.
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