Necessidades da esposa em um casamento

Os Feitos de Thomas Sankara

2020.10.16 00:36 DIOgenes_123 Os Feitos de Thomas Sankara

  1. Ele vacinou 2,5 milhões de crianças contra meningite, febre amarela e sarampo em questão de semanas
  2. Ele iniciou uma campanha nacional de alfabetização, aumentando a taxa de alfabetização de 13% em 1983 para 73% em 1987.
  3. Ele plantou mais de 10 milhões de árvores para prevenir a desertificação
  4. ⁠ Ele construiu estradas e uma ferrovia para unir a nação, sem ajuda estrangeira
  5. ⁠ Ele nomeou mulheres para altos cargos governamentais, encorajou-as a trabalhar, recrutou-as para o serviço militar e concedeu licença-gravidez durante os estudos
    1. ⁠ Ele proibiu a mutilação genital feminina, os casamentos forçados e a poligamia em apoio aos direitos das mulheres
    2. ⁠Ele vendeu a frota do governo de carros Mercedes e fez do Renault 5 (o carro mais barato vendido em Burkina Faso na época) o carro de serviço oficial dos ministros.
    3. ⁠Reduziu os salários de todos os servidores públicos, inclusive os seus, e proibiu o uso de motoristas do governo e passagens aéreas de 1ª classe.
    4. Ele redistribuiu as terras dos proprietários feudais e as deu diretamente aos camponeses. A produção de trigo aumentou em três anos de 1.700 kg por hectare para 3.800 kg por hectare, tornando o país autossuficiente em alimentos
    E de novo 10. Ele se opôs à ajuda externa, dizendo que “quem te alimenta, te controla”. 11. Ele falou em fóruns como a Organização da Unidade Africana contra a penetração neocolonialista contínua da África através do comércio e finanças ocidentais. 12. Ele apelou a uma frente única das nações africanas para repudiar a sua dívida externa. Ele argumentou que os pobres e explorados não tinham a obrigação de devolver dinheiro aos ricos e exploradores. Em Ouagadougou, Sankara converteu a loja de abastecimento do exército em um supermercado estatal aberto a todos (o primeiro supermercado do país). 13. Ele forçou os funcionários públicos a pagar o salário de um mês para projetos públicos.) 14. Ele se recusou a usar o ar condicionado em seu escritório, alegando que tal luxo só estava disponível para um punhado de burkinabes 15. Como presidente, ele reduziu seu salário para US $ 450 por mês e limitou seus bens a um carro, quatro bicicletas, três guitarras, uma geladeira e um freezer quebrado 16. Ele próprio um motociclista, ele formou uma guarda pessoal de motociclistas só para mulheres. 17. Ele exigia que os funcionários públicos vestissem uma túnica tradicional, tecida com algodão burkinabe e costurada por artesãos burquinenses. (A razão é se apoiar na indústria e identidade locais, em vez da indústria e identidade estrangeiras) 18. Quando questionado por que ele não queria que seu retrato fosse pendurado em lugares públicos, como era a norma para outros líderes africanos, Sankara respondeu: "Há sete milhões de Thomas Sankaras." 19. Um guitarrista talentoso, ele escreveu o novo hino nacional sozinho 20. Ele renomeou seu país do depreciativo "Alto volta" para "Burkina Faso, a terra de homens íntegros" 21. Sua política externa estava centrada no anti-imperialismo, com seu governo evitando toda ajuda externa, pressionando por uma redução da dívida, nacionalizando todas as terras e riquezas minerais e evitando o poder e a influência do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. 22. A administração de Sankara foi o primeiro governo africano a reconhecer publicamente a epidemia de AIDS como uma grande ameaça à África 23. Projetos de infraestrutura e habitação em grande escala também foram realizados. Fábricas de tijolos foram criadas para ajudar a construir casas em um esforço para acabar com as favelas urbanas 24. Em Ouagadougou, Sankara converteu a loja de abastecimento do exército em um supermercado estatal aberto a todos (o primeiro supermercado do país)
    Ele liderou um dos programas mais ambiciosos de reformas radicais já vistos na África. Ele procurou reverter fundamentalmente as desigualdades sociais estruturais herdadas da ordem colonial francesa.
    Essas desigualdades deixaram uma maioria de marginalizados, principalmente rurais, pobres e mulheres, na base da sociedade, muitas vezes sob a exploração de uma minoria de burocratas, empresários, militares e chefes tradicionais. Sankara concentrou os recursos limitados do estado na maioria marginalizada do campo. Quando a maioria dos países africanos dependia de alimentos importados e assistência externa para o desenvolvimento, Sankara defendeu a produção local e o consumo de produtos feitos localmente. Ele acreditava firmemente que era possível para os burquinenses, com muito trabalho e mobilização social coletiva, resolver seus problemas: principalmente a escassez de alimentos e água potável. No Burkina de Sankara, ninguém estava acima do trabalho agrícola ou das estradas de cascalho - nem mesmo o presidente, ministros do governo ou oficiais do exército. A educação intelectual e cívica foi sistematicamente integrada ao treinamento militar e os soldados foram obrigados a trabalhar em projetos de desenvolvimento da comunidade local.
    De acordo com Ernest Harsch, autor de uma biografia recente de Sankara, Burkinabe construiu pela primeira vez dezenas de escolas, centros de saúde, reservatórios de água e quase 100 km de ferrovia, com pouca ou nenhuma ajuda externa. A produção total de cereais aumentou 75% entre 1983 e 1986. Em 1984, seu governo, desafiando o ceticismo das agências doadoras, organizou a vacinação de 2 milhões de crianças em pouco mais de duas semanas. Ele também defendeu a preservação ambiental com campanhas de plantio de árvores e projetos de verde.
    Seu estilo informal de liderança estava em uma categoria própria. Harsch cita um ex-assessor que descreve Sankara como “um idealista, exigente, rigoroso, um organizador”. Essa disciplina e seriedade começaram com ele mesmo. Ele havia sido o primeiro entre os principais líderes a declarar voluntariamente seus modestos bens e entregar ao tesouro dinheiro e presentes recebidos durante as viagens. Harsch cita familiares que disseram que Sankara disse a eles para não esperar nenhum benefício dele porque ele é o presidente. Na verdade, na época de sua morte, seus filhos frequentavam a mesma escola pública, sua esposa estava subordinada ao mesmo emprego de funcionário público e seus pais moravam na mesma casa.
    Sankara desdenhou a pompa formal e baniu qualquer culto à sua personalidade. Ele podia ser visto casualmente andando pelas ruas, correndo ou deslizando visivelmente no meio da multidão em um evento público. Ele era um orador entusiasmado que falava com franqueza e clareza incomuns e não hesitava em admitir erros publicamente, castigar camaradas ou expressar objeções morais a chefes de nações poderosas, mesmo que isso o colocasse em perigo. Por exemplo, ele criticou o presidente francês François Mitterand durante um jantar oficial por receber o líder do Apartheid na África do Sul.
    Livros de Sankara:
    Somos os herdeiros da revolução mundial
    A libertação das mulheres e a luta pela liberdade africana
    Thomas Sankara fala
    Uma citação do livro - "Nosso país produz o suficiente para alimentar todos nós. Infelizmente, por falta de organização, somos forçados a implorar por ajuda alimentar. É essa ajuda que instila em nossos espíritos a atitude de mendigos." -Thomas Sankara
    “A revolução e a libertação das mulheres caminham juntas. Não falamos da emancipação das mulheres como um ato de caridade ou por causa de uma onda de compaixão humana. É uma necessidade básica para o triunfo da revolução. As mulheres sustentam a outra metade da céu. "- Thomas Sankara.
    Sankara é frequentemente referido como "Che Guevara da África". Sankara fez um discurso marcando e homenageando o 20º aniversário da execução de Che Guevara em 9 de outubro de 1967, uma semana antes de seu próprio assassinato em 15 de outubro de 1987
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2020.09.10 01:34 desgracadasso PAU PEQUENO, MINHA VISÃO E MINHA HISTÓRIA

À TODOS QUE QUEREM TER UMA VIDA SEXUAL COM PAU PEQUENO, FELIZ OU PELO MENOS MAIS DIGNA, PRESTEM ATENÇÃO
Minha vida inteira eu busquei achar alternativa, uma visão feliz sobre tudo isso, só que eu cansei, eu já pensei em tudo e já pensei em suicídio. Estou pensando em acabar com tudo. Há muitas mentiras e amenidades quando se trata desse tema com o intuito de não chocar ou até mesmo desesperar os homens, mas as mulheres deveriam ser mais sinceras. Uma dessas mentiras ou amenidades são constantemente feitas pelas mulheres (em revistas, programas de rádio e televisão) que dizem não se importar com o tamanho do pênis do parceiro mas não é verdade, elas preferem sim parceiros com pênis maiores e se decepcionam com homens com pênis menores do que 16 cm. Sei bem que o órgão genital feminino tem mais sensibilidade no clitóris e na entrada dos pequenos lábios vaginais mas elas também necessitam da sensação de preenchimento do canal vaginal, tanto em profundidade quanto em espessura (é uma necessidade natural do sexo feminino), afimal na hora do sexo elas querem sentir que são mulheres, querem se sentir possuídas por um homem e que tem um macho de verdade em meio às suas pernas. Não se enganem, o tamanho é sim documento para as mulheres. Por isso peço as mulheres que digam a verdade, mesmo que cause tristeza, mesmo que acuse dor, sofrimento e angústia, pois acredito que a verdade mais cruel é melhor do que a mentira mais piedosa.
Alguns vão dizer: Use a língua, use os dedos, use um desses brinquedinhos sexuais, mas sejamos francos, as mulheres só pedem por isso quando o pênis se mostra insuficiente e nos casos de lésbicas que se satisfazem entre si, ainda assim algumas delas usam pênis de silicone (que nunca são inferiores à 18 cm).
Os truques sexuais podem ser ensinados a qualquer homem. Se ele aprender ser carinhoso, excitar a mulher de forma a deixá-la bem molhada e relaxada, o cara pode ter um pênis de 22cm que não causará incômodo algum, aí fica a questão: Alguém acredita mesmo que se a mulher puder escolher entre dois homens que saibam como fazer tudo de forma perfeita ela escolheria o homem de pênis pequeno??? Claro que não. E não adianta passar um tempão em preliminares pois se isso excita a mulher, no começo (que são as preliminares) as deixam subindo pelas paredes, o pênis pequeno mesmo que bem duro será considerado medíocre e no fim a transa será para ela decepcionante.
Minha história. Já fui casado com uma mulher com a qual sempre tive dificuldade em satisfaze-la, meu pênis tem apenas 13 cm e apesar de me esforçar muito nas preliminares e ser muito carinhoso sempre deixei a desejar. Ela até já me pediu para que tivéssemos uma "relação aberta" para que ela pudesse ter um homem, prestem atenção; ela disse claramente "ter um homem" o que me entristeceu muito e resultou é claro em divórcio. Estou em meu segundo casamento e percebo que minha esposa atual também se mostra insatisfeita e para termos relação sexual tenho que insistir muito. Percebi que ela faz mais por "obrigação de esposa" do que por gosto e ela mesma já me disse diversas vezes para eu não me importar se ela não sentir nada.
Por isso meus amigos de pau pequeno, tenho algo muito duro mas sincero para lhes dizer, só temos 3 opções: 1° Aceitar a vida de corno manso ou; 2° Partir para a homossexualidade, afinal já que não somos homens o suficiente então deixemos a tarefa para os homens que nasceram com todos os atributos verdadeiramente masculinos, ou; 3° Suicídio.
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2020.09.08 03:55 LAGOOLIVEIRA A Consumação da Obra Únicana restauração do Senhor - a Nova Jerusalém

u / LAGOOLIVEIRA1postado poru / LAGOOLIVEIRAAgora mesmo

A Consumação da Obra Únicana restauração do Senhor - a Nova Jerusalém

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Página 1O TRABALHO ÚNICO NA RECUPERAÇÃO DO SENHOR (Sábado - Sessão da Tarde) Mensagem Nove A Consumação da Obra Únicana restauração do Senhor - a Nova Jerusalém Leitura da Escritura: Apocalipse 3:12; 21: 2, 9-23 I. A única obra na restauração do Senhor é elaborar a Nova Jerusa-lem - o objetivo final da economia de Deus - Apoc. 21: 10-11: A. A degradação da igreja é principalmente devido ao fato de que quase todos os cristãosostrabalhadores americanos estão distraídos para tomar algo diferente de Nova Jerusalémcomo seu objetivo.B. Devemos fazer apenas uma obra, que é tornar o povo escolhido de Deus seres ema Nova Jerusalém - 3: 12.II. A Nova Jerusalém é a consumação final da construção deos crentes, que foram feitos Deus em vida, na natureza, na constituição, e em expressão, mas não na Divindade; assim, há uma relação intrínsecarelação entre os crentes tornarem-se Deus em vida e na natureza e oprodução de Nova Jerusalém - 21: 2; 3: 12: A. A Nova Jerusalém envolve Deus se tornando homem, e o homem se transformando Deus emvida e na natureza, mas não na divindade, e Deus e o homem sendo mesclados para-juntos como uma entidade - João 1: 12-14; 14:20; 15: 5a; Rev. 21: 3, 10-11.B. Em Cristo, Deus se tornou o homem para fazer o homem Deus em sua vida e em sua naturezazapara que o Deus redentor e o homem redimido podem ser mesclados, constituídos, juntos para serem uma entidade - a Nova Jerusalém - vv. 3, 22.C. A Nova Jerusalém é uma composição dos escolhidos, redimidos, regenerados de Deus, santificado, renovado, transformado, conformado e glorificado pessoas que têmfoi deificado - João 3: 6; Heb. 2:11; ROM. 12: 2; 8: 29-30: 1. Para nós, sermos deificados significa que estamos sendo constituídos com ou processado e consumando o Deus Triúno para que possamos ser feitos Deus em vida e emnatureza para sua expressão corporativa para a eternidade - Ap. 21: 11.2. A deificação dos crentes é um processo na salvação orgânica de Deus queserá consumada em Nova Jerusalém; esta é a verdade mais elevada e oevangelho mais elevado - Rom. 5:10; Rev. 3:12; 21: 10-11.D. No início da Bíblia, há o único Deus, e no final há umgrande Deus corporativo, a Nova Jerusalém, um Deus-homem corporativo - o ampliado, incorporação universal divino-humana do processado e consumadoDeus Triúno com os crentes regenerados, transformados e glorificados - Gên.1: 1; Rev. 21: 3, 22; 22: 17a.III. Hoje nossa obra para o Senhor com sua questão deve ser governada edirigido pela visão da Nova Jerusalém; o que é revelado noa descrição desta cidade única deve ser o modelo do que somos ecomo trabalhamos - 3:12; 21: 2, 9-23: 63Página 2A. A Nova Jerusalém é uma consumação da construção orgânica doCorpo de Cristo nas igrejas locais; as igrejas locais são o procedimento paraDeus realizará a edificação do Corpo de Cristo para a edificação doNova Jerusalém - 1 Coríntios. 1: 2; 12: 12-13,27; Rev. 21: 2: 1. O Corpo de Cristo precisa das igrejas locais para sua existência e funcionamento - Atos 8: 1; 13: 1.2. As igrejas locais são as muitas expressões em muitas localidades de umCorpo de Cristo - Apoc. 1: 4, 11,3. No primeiro capítulo do Apocalipse vemos as igrejas locais, mas nos últimosimodois capítulos, vemos apenas uma cidade - v. 11; 21: 2.4. O desejo do Senhor é ganhar uma Nova Jerusalém por meio do precursor doCorpo orgânico de Cristo edificado nas igrejas locais - Ef. 4:16; Rev. 21: 2.B. A Nova Jerusalém é o candelabro universal de ouro - vv. 18b, 23: 1. A Nova Jerusalém é a consumação final dos candeeiros noEscrituras - Exo. 25: 31-37; 1 Reis 7:49; Zech. 4: 2; Rev. 1:20; 21: 18b, 23,2. As igrejas como candeeiros de ouro serão consumadas em Nova Jerusalémsalem, o agregado de todos os candeeiros - 1:20; 21: 18b, 23: uma. No livro do Apocalipse, há dois grandes sinais - o sinal do ourocandeeiros e o sinal da Nova Jerusalém - 1: 1, 12, 20; 21: 2, 10-11.b. A revelação começa com os candeeiros e termina com o candelabro -1: 20; 21: 18b, 23.c. Os candeeiros são sinais das igrejas, enquanto a Nova Jerusalémé um sinal da morada eterna de Deus - vv. 2-3, 22,3. A Nova Jerusalém, uma montanha de ouro, é o candelabro universal de ourosegurando o Cordeiro como a lâmpada que resplandece Deus como a luz - vv. 18b, 23; 22: 1, 5.C. A Nova Jerusalém é a eterna Betel - Gên. 28: 10-22; Rev. 21: 3, 22: 1. O sonho de Jacó era um sonho da meta de Deus, um sonho de Betel, um sonho docasa de Deus (Gen. 28: 10-22), que é a igreja hoje (1 Tim. 3:15) eque se consumará na Nova Jerusalém como a morada eternalugar de Deus e Seus eleitos redimidos (Ap 21: 3, 22): uma. Deus teve um sonho, e esse sonho era ter a Nova Jerusalém, umcidade construída, como a consumação de Sua economia - v. 2b. Nosso sonho é nos tornar a Nova Jerusalém como a consumação deA economia de Deus - vv. 9-10,2. Cristo, sendo a escada celestial em Betel, fala-nos como Deusdeseja ter uma casa na terra localizada com Seus remidos eeleitos transformados, para que ele possa trazer o céu à terra e unir a terra paracéu, para tornar os dois um por toda a eternidade - Jo 1:51; Gênesis 28: 10-22.3. A construção de Deus, a casa de Deus, é a morada mútua de Deus e do homem; A casa de Deus é o homem, e a casa do homem é Deus - Isa. 66: 1-2; 1 Cor. 3:16; Psa.90: 1; João 15: 5a; 14: 23,4. Sem futuro da eternidade, a Nova Jerusalém estará em toda a unidadeverso como algo elevado em direção aos céus sobre o qual o anjofamília vai subir e descer para trazer o céu para a terra e unir a terra para64Página 3céu para o tráfego divino, uma comunhão divina, entre Deus e o homem -2 Cor. 13: 14.D. A Nova Jerusalém é o eterno Monte Sião, o Santo dos Santos, o lugaronde Deus está - Apoc. 14: 1-5; 21: 1-3, 16; Heb. 12h22: 1. Na era da igreja, os homens-Deus que foram aperfeiçoados e amadurecidos sãoSião, os vencedores - Rev. 14: 1: uma. A igreja é a Jerusalém celestial, e os vencedores de são Sião comoo pico alto e o destaque - Heb. 12:22; Rev. 14: 1.b. Os vencedores são para a edificação do Corpo de Cristo para consumiracasalar a Nova Jerusalém - Rom. 12: 4-5; Eph. 4:16; Rev. 3: 12.2. No novo céu e nova terra, toda a Nova Jerusalém se tornaráSião; a Nova Jerusalém, a eterna Sião, será o Santo dos Santos, olugar onde Deus está - 21: 1-3, 16, 22.E. A Nova Jerusalém é a Sulamita real e consumada - uma corporaçãoSulamita, incluindo todo o povo escolhido e redimido de Deus - SS 6:13; Rev.21: 2, 9-10; 22: 17: 1. A maravilhosa Sulamita, a duplicação de Salomão, é a maior efigura final de Nova Jerusalém - SS 6:13; Rev. 21: 2.2. Como contrapartida de Salomão, a Sulamita se tornou a mesma que Salomão emvida, natureza e imagem, como Eva era para Adão - Gên. 2: 20-23: uma. Isso significa que o amante de Cristo se torna o mesmo que em vida, natureza e imagem para combinar com Ele em seu casamento - 2Co 3:18; ROM 8: 29; Rev. 19: 7; 21: 2.b. Os muitos amantes de Cristo eventualmente se tornarão duplicações de Deus emvida e na natureza, mas não na divindade; este é o cumprimento de Deustornar-se homem para que o homem se torne Deus, que é o ponto alto daa revelação divina.IV. “O Deus Triúno processado e consumado, de acordo com o bemprazer de Seu desejo e pela intenção mais elevada em Sua economia, é construir a Si mesmo em Seu povo escolhido e Seu povo escolhido emEle mesmo, para que tenha uma constituição em Cristo como uma mistura de divindadecom a humanidade de ser Seu organismo e Corpo de Cristo, como Seuexpressão eterna e a morada mútua para o Deus redentor e ohomem redimido. Uma consumação final desta estrutura milagrosade tesouro será a Nova Jerusalém para a eternidade ”- inscrever-se emTumba de Witness Lee.Trechos do Ministério: DEIFICAÇÃO - TORNANDO-SE DEUSNA VIDA E NA NATUREZA, MAS NÃO NA TRINDADEIsso nos leva à questão da deificação - a intenção de Deus de tornar os crentes Deus emvida e na natureza, mas não na divindade. Atanásio referiu-se à deificação quando noConselho de Nicea em A. D. 325, ele disse: "Ele [Cristo] foi feito homem para que pudéssemos ser feitos Deus." Embora o termodeificação seja familiar a muitos teólogos e professores cristãos, durantenos últimos dezesseis séculos, apenas um pequeno número ousou usar sobre a deificaçãodos crentes em Cristo.65Página 4Não fui influenciado por nenhum ensino sobre deificação, mas aprendi com meuestudo da Bíblia que Deus pretende tornar os crentes Deus na vida e na natureza, mas nãona Divindade. Por exemplo, 1 João 3: 2 diz: “Amados, agora somos filhos de Deus eainda não foi manifestado o que seremos. Sabemos que se Ele se manifestar, seremoscomo Ele porque nós O veremos assim como Ele é. ”Este versículo revelador claramente que seremos comoDeus.Deus nos torna semelhantes a Ele ao transmitir Sua vida e natureza a nós. 2 Pedro 1: 4 dizque nos tornamos "participantes da natureza divina". João 1: 12-13 diz que nascemos, regenerado, por Deus com Sua vida. Como filhos de Deus, somos "deuses bebês", tendo a vida de Deus enatureza, mas não Sua Divindade. A Divindade é única; Ele é o único que deveria estar trabalhandoenviado.Nós nascemos de Deus e hoje, tendo a vida e a natureza de Deus, somos parcialmente comoEle. Um dia, quando Ele vier, seremos total e inteiramente como Ele.Foi maravilhoso para Davi ser um homem segundo o coração de Deus, mas não foi o suficiente.Deus quer aqueles que podem dizer: “Não sou apenas uma pessoa segundo o coração de Deus. Eu sou deus emvida e na natureza, mas não em Sua Divindade. ”Por um lado, o Novo Testamento revela quea Divindade é única e que somente Deus, o único que possui uma Divindade, deve ser adorado.Por outro lado, o Novo Testamento revela que nós, os crentes em Cristo, temosvida e natureza e que estamos nos tornando Deus em vida e na natureza, mas nunca teremos SuaDivindade. ( Foi maravilhoso para Davi ser um homem segundo o coração de Deus, mas não foi o suficiente.Deus quer aqueles que podem dizer: “Não sou apenas uma pessoa segundo o coração de Deus. Eu sou deus emvida e na natureza, mas não em Sua Divindade. ”Por um lado, o Novo Testamento revela quea Divindade é única e que somente Deus, o único que possui uma Divindade, deve ser adorado.Por outro lado, o Novo Testamento revela que nós, os crentes em Cristo, temosvida e natureza e que estamos nos tornando Deus em vida e na natureza, mas nunca teremos SuaDivindade. ( Foi maravilhoso para Davi ser um homem segundo o coração de Deus, mas não foi o suficiente.Deus quer aqueles que podem dizer: “Não sou apenas uma pessoa segundo o coração de Deus. Eu sou deus emvida e na natureza, mas não em Sua Divindade. ”Por um lado, o Novo Testamento revela quea Divindade é única e que somente Deus, o único que possui uma Divindade, deve ser adorado.Por outro lado, o Novo Testamento revela que nós, os crentes em Cristo, temosvida e natureza e que estamos nos tornando Deus em vida e na natureza, mas nunca teremos SuaDivindade. ( deve ser adorado.Por outro lado, o Novo Testamento revela que nós, os crentes em Cristo, temosvida e natureza e que estamos nos tornando Deus em vida e na natureza, mas nunca teremos SuaDivindade. ( deve ser adorado.Por outro lado, o Novo Testamento revela que nós, os crentes em Cristo, temosvida e natureza e que estamos nos tornando Deus em vida e na natureza, mas nunca teremos SuaDivindade. (Estudo-vida de 1 e 2 Samuel, pp. 166-167) A NOVA JERUSALÉM - UMA COMPOSIÇÃO DE DIVINDADE E HUMANIDADEMISTURADO E MISTURADO JUNTOS COMO UMA ENTIDADEA conclusão da revelação divina na Bíblia é um edifício, a Nova Jerusalém.Este edifício é uma fusão e mesclagem da divindade com a humanidade. Isso é provado pelodescrição da Nova Jerusalém em Apocalipse 21. O versículo 3 refer-se à Nova Jerusalém como “O tabernáculo de Deus” e o versículo 22 diz: “Não vi templo nele, pois o Senhor Deus, o Todo-Poderosoe o Cordeiro é o seu templo. ”A Nova Jerusalém como tabernáculo de Deus é para Deus habitarem, e Deus e o Cordeiro como o templo são para os santos redimidos habitarem. Isso indicaque a Nova Jerusalém será uma morada mútua para Deus e o homem. Além disso, esteedifício é uma composição de seres humanos. Os portões são pérolas inscritas com os nomes deas doze tribos dos filhos de Israel (v. 12), e nas doze fundações estão como dozenomes dos doze apóstolos do Cordeiro (v. 14). Isso indica claramente que a Nova Jerusalémé uma composição do Deus Triúno, que é a essência, centro e universalidade, e Deuspessoas redimidas.A Nova Jerusalém é uma composição da divindade e humanidade mescladas e mescladasjuntos como uma entidade. Todos os componentes têm a mesma vida, natureza e constituição eportanto, são uma pessoa corporativa. É uma questão de Deus se tornar o homem e o homem se tornar Deus emvida e na natureza, mas não na divindade. Esses dois, Deus e homem, homem e Deus, são construídosjuntos sendo misturados e mesclados. Esta é uma conclusão, uma consumação, do edifício de Deus. Todos nós precisamos ter essa visão. ( A Nova Jerusalém é uma composição de divindade e humanidade mescladas e mescladasjuntos como uma entidade. Todos os componentes têm a mesma vida, natureza e constituição eportanto, são uma pessoa corporativa. É uma questão de Deus se tornar o homem e o homem se tornar Deus emvida e na natureza, mas não na divindade. Esses dois, Deus e homem, homem e Deus, são construídosjuntos sendo misturados e mesclados. Esta é uma conclusão, uma consumação, do edifício de Deus. Todos nós precisamos ter essa visão. ( A Nova Jerusalém é uma composição de divindade e humanidade mescladas e mescladasjuntos como uma entidade. Todos os componentes têm a mesma vida, natureza e constituição eportanto, são uma pessoa corporativa. É uma questão de Deus se tornar o homem e o homem se tornar Deus emvida e na natureza, mas não na divindade. Esses dois, Deus e homem, homem e Deus, são construídosjuntos sendo misturados e mesclados. Esta é uma conclusão, uma consumação, do edifício de Deus. Todos nós precisamos ter essa visão. ( do edifício de Deus. Todos nós precisamos ter essa visão. ( do edifício de Deus. Todos nós precisamos ter essa visão. (Estudo-vida de 1 e 2 Samuel, pp. 198-199) O diamante na caixa Se lermos a Bíblia sem prestar atenção a este ponto crucial, então, de uma forma muito realsentido, a Bíblia é para nós um livro vazio. Isso significa que embora a Bíblia seja real em si mesma, emnosso entendimento dela é a Bíblia vazia. Como ilustração, vamos supor que um certoA caixa, bastante atraente, contém um grande diamante. Uma criança pode estar interessada na caixamas não no diamante. Um adulto, no entanto, focaria sua atenção no diamante contidona caixa. Hoje, muitos cristãos estão preocupados com a Bíblia como a "caixa", mas eles não viram e66 Página 5não apreciam o “diamante” que é o conteúdo desta caixa, e podem até condenaraqueles que têm uma apreciação adequada do "diamante" na "caixa". O “diamante” no “Caixa” da Bíblia é a revelação de que em Cristo Deus fez o homem para que o homempode se tornasse Deus em vida e na natureza, mas não na Divindade.A grande maioria dos cristãos de hoje negligencia o ponto crucial na Bíblia que emCristo Deus tornou-se homem para fazer do homem Deus na vida e na natureza, mas não naGodhead e que Deus deseja se mesclar com o homem para ser uma entidade. Alguns não sónegligencie isso; eles acusam falsamente como heréticos que o ensinam. Hoje muitos acreditam em umaspecto deste ponto crucial - que Deus se tornou um homem chamado Jesus - mas eles não acreditamo outro aspecto - que o homem está se tornando Deus em vida e na natureza,Estudo-vida de 1 e 2 Samuel, p. 204) A LUZ EA LÂMPADAA cidade que não tem necessidade do sol nem da lua Apocalipse 21:23 diz: “A cidade não precisa do sol nem da lua parabrilhe nele, pois a glória de Deus o iluminou, e sua lâmpada é o Cordeiro” . No milênio oa luz do sol e da lua será intensificada (Is 30:26). Mas na Nova Jerusalémno novo céu e nova terra, não haverá necessidade do sol nem da lua. O único a lua estará no novo céu e nova terra, mas não estará disponível noNova Jerusalém; pois ali Deus, a luz divina, brilhará com muito mais intensidade. Não Havendo NoiteNa Nova Jerusalém não haverá noite, pois “não haverá mais noite” (Ap 22: 5a). “Não haverá noite” (21: 25b). No novo céu e nova terra, ainda haverá odistinção entre dia e noite, mas na Nova Jerusalém não haverá tal distinçãoção. Fora da cidade haverá noite, mas dentro da cidade não haverá noite porque oa cidade terá uma luz eterna e divina, o próprio Deus. A Glória de Deus iluminando a cidade como a luz da vida divina, e o Cordeiro sendo a lâmpada que irradia a luz divinapela Cidade Transparente como a GlóriaApocalipse 21:11 e 23 nos dizem que a Nova Jerusalém tem a glória de Deus e que elaa luz é como uma pedra preciosíssima, como uma pedra de jaspe, clara como o cristal. Na nova JerusalémCristo, como a lâmpada da cidade sagrada, brilhará com Deus como a luz para iluminar a cidadecom a glória de Deus, uma expressão da luz divina. “A cidade não precisa de sol nem dea lua para que nela brilhassem, pois a glória de Deus a iluminou, e sua lâmpada é aCordeiro” (v. 23). A glória de Deus, que é Deus expresso, ilumina a Nova Jerusalém.Portanto, a glória de Deus, com Deus como sua substância, essência e elemento, é a luz doNova Jerusalém que brilha no Cordeiro como sua lâmpada. A glória expressa de Deus, ou o Deusda glória expressa, é a luz brilhando em Cristo como a lâmpada através da parede de jaspe deA Nova Jerusalém como o jaspe mais precioso, que traz a aparência de Deus rica em vida (v. 11) .A aparência de Deus rico em vida acompanhada o brilho para uma expressão de Deus em Sua emanifestação final consumada.Em 21:23, vemos que Deus é a luz e Cristo é uma lâmpada. Isso indica que Deus e o Cordeiro é uma luz. Deus é o conteúdo, e o Cordeiro, Cristo, é o portador da luz, oexpressão. Isso significa que Deus, que é a luz, brilhará em Cristo como a lâmpada em toda a cidade. Esta é uma questão de dispensar divino, pois o brilho da luz divina é realmenteo dispensar de Deus Triúno processado aos crentes.67 é o portador da luz, oexpressão. Isso significa que Deus, que é a luz, brilhará em Cristo como a lâmpada em toda a cidade. Esta é uma questão de dispensar divino, pois o brilho da luz divina é realmenteo dispensar de Deus Triúno processado aos crentes.67 é o portador da luz, oexpressão. Isso significa que Deus, que é a luz, brilhará em Cristo como a lâmpada em toda a cidade. Esta é uma questão de dispensar divino, pois o brilho da luz divina é realmenteo dispensar de Deus Triúno processado aos crentes.67Página 6 Deus, a luz divina, precisa de uma lâmpada. Sem o Cordeiro sendo a lâmpada, o brilho de Deusiria nos matar. No entanto, com o Cristo redentor como lâmpada, a luz divina não matanós, mas em vez disso nos ilumina. Primeira Timóteo 6:16 diz que Deus habita em luz inacessível.Em Cristo, porém, Deus se torna acessível. Separado de Cristo, o brilho de Deus seria ummatando, mas em Cristo o brilho de Deus é uma iluminação. Porque a luz divina brilha atravéso Cordeiro, o Redentor, tornou-se amável e palpável. Através do Cordeiro como olamp A luz de Deus se torna um brilho agradável para o dispensar de Deus. ( A Conclusão doNovo Testamento, pp. 2731-2733) A ESPOSA DO CRISTO REDENTORA Nova Jerusalém não é apenas o tabernáculo de Deus, mas também a esposa dos redentoresCristo. Tanto no Antigo como no Novo Testamento, Deus compara Seu povo escolhido a uma esposa porSua satisfação no amor (Isaías 54: 6; Jeremias 3: 1; Ezequiel 16: 8; Oséias 2:19; 2 Coríntios 11: 2; Efésios 5: 31-32) .Na Nova Jerusalém como a esposa do Cristo redentor, Deus terá a mais plena satisfaçãoção no amor.Apocalipse 21: 9b e 10 dizem: “Vem esposa, eu te mostrarei a noiva, a do Cordeiro.E ele me levou em espírito para uma grande e alta montanha e me mostrou a cidade sagrada, Jerusalém, descendo do céu da parte de Deus. ”Pensar que uma noiva é principalmente para o casamento, a esposa é para o resto da vida. A Nova Jerusalém será uma noiva no milênio paramil anos como um dia (2 Pedro 3: 8) e então a esposa no novo céu e nova terrapara a eternidade. A noiva no milênio incluirá apenas os santos vencedores, mas a esposano novo céu e nova terra incluirá todos os filhos redimidos e regenerados de Deus (Rev. 21: 7) .A Nova Jerusalém será uma com o Cristo redentor, como Eva se tornado uma comAdão. Eva foi construída a partir de uma costela que foi tirada do lado de Adão, e então ela foi trazida volta a ele para ser uma carne com ele - ser um com ele na natureza e na vida (Gênesis 2: 21-24; Ef. 5: 25-27, 29-32). O princípio é o mesmo com a Nova Jerusalém como a esposa doredimindo Cristo. Ela será uma com o seu Redentor na natureza e na vida. Mais uma vez vemosque a Nova Jerusalém não pode ser uma cidade material, pois uma cidade física não pode ser uma comCristo na natureza e na vida. A Nova Jerusalém não terá apenas o elemento divino adicionado a ele e a natureza santa de Deus trabalhada nele,Ter a Igreja como miniatura A Nova Jerusalém como esposa do Cristo redentor tem uma igreja como sua miniatura.Isso é revelado pela palavra de Paulo em Efésios 5: 22-32, onde ele fala da igreja como ocontraparte de Cristo. A igreja é na verdade uma parte de Cristo, pois a igreja vem deCristo é para Cristo, assim como Eva saiu de Adão e foi para Adão.Em Efésios 5:32, Paulo diz: “Grande é o mistério, mas falo a respeito de Cristoe a igreja. ”O fato de que Cristo e a igreja são um só espírito (1 Cor. 6:17), conforme tipificadopelo fato de o marido e a esposa serem uma só carne, é o grande mistério. Certamente é um grande mistérioque a igreja como a contraparte de Cristo vem de Cristo, tem a mesma vida e natureza queCristo, e é um com Cristo. Tendo sido a Noiva de Cristo no MilênioNo novo céu e nova terra, Cristo terá uma esposa, mas no milênio Ele teráter uma noiva (Ap. 19: 7-8; 21: 2), consistindo nos crentes vencedores. Em sua voltaCristo se casará com os vencedores. Esse casamento é descrito em Apocalipse 19: 7-9.68 Página 7 Apocalipse 19: 7 diz: “Alegremo-nos e exultemos, e demos glória a Ele, peloo casamento do Cordeiro chegou, e Sua esposa se aprontou. ”O casamento doCordeiro é o resultado da conclusão da economia neotestamentária de Deus. Economia de Deus emo Novo Testamento é obter para Cristo uma noiva, uma igreja, por meio de Sua redenção evida divina. Pela operação contínua do Espírito Santo ao longo de todos os séculos, esse objetivoserá concluído no final desta idade. Em seguida, uma noiva, que consistirá na superaçãocrentes, prontos prontos.As palavras Sua esposaem Apocalipse 19: 7 especial-se à igreja (Ef 5: 24-25, 31-32), a noivade Cristo (João 3:29). No entanto, de acordo com Apocalipse 19: 8 e 9, a esposa, a noiva de Cristo, consiste apenas nos crentes vencedores durante o milênio, enquanto a noiva, a esposa, em Apocalipse 21: 2 é composta por todos os santos salvos após o milênio para semprenidade.Apocalipse 19: 7b nos diz que a esposa “se aprontou”. A prontidão donoiva depende tanto da maturidade dos vencedores em vida quanto de serem construídos juntos comouma entidade corporativa. Portanto, osedores não são apenas maduros em vida, mas também construídosjuntos como uma noiva.Apocalipse 19: 8 diz: “Foi-lhe permitido que se vestisse de linho fino, resplandecentee puro; porque o linho fino são as justiças dos santos ”. Aqui puro se refere aonatureza ebrilhante , para a expressão. Como virtudes, ou atos justos, não se refere aa justiça (que é Cristo) que Recebemos para nossa salvação, uma justiça que é objetivo e que nos qualifica para atender às exigências de Deus justo. As justiçasdos crentes vencedores em Apocalipse 19: 8 são subjetivos para que possam encontrar oexigência da vitória de Cristo. O linho fino, portanto, indica nossa superaçãovida. Na verdade, é o Cristo que vivemos de nosso ser. Constituído por todos os santos aperfeiçoadosEm última análise, no novo céu e nova terra, a Nova Jerusalém como a esposa do Cristo redentor será constituída de todos os santos perfeitos. Depois do milênio tudoos santos foi aperfeiçoados e constituídos juntos para ser a entidade maravilhosa daNova Jerusalém.A consumação da igreja como a contraparte de Cristo será a Nova Jerusalémno novo céu e nova terra para a eternidade. Apocalipse 21: 2 diz: “Eu vi a cidade santa, NovaJerusalém, descendo do céu de Deus, preparada como uma noiva adornada para seu maridobanda.” A Nova Jerusalém é uma composição viva de todos os santos redimidos e aperfeiçoados porDeus por todas as gerações . Esta é uma noiva, uma esposa de Cristo como Sua contraparte. Comoa esposa de Cristo, a Nova Jerusalém sai de Cristo e se torna Sua contraparte. Elaé preparado pela participação nas riquezas da vida e natureza de Cristo.Apocalipse 22:17 indica que Cristo e a Nova Jerusalém como Sua esposa serão umcasal universal para a eternidade. O Espírito, que é a totalidade do Deus Triúno processado, torna-se um com os crentes, que agora estão totalmente maduros para serem celebrados a noiva. Portanto, um consomatório do Deus Triúno processado e a consumação dos escolhidos, redimidos de Deus, como pessoas regeneradas e transformadas serão uma e serão um casal universal expressando o Deus Triúno para a eternidade. ( a consomatório do Deus Triúno processado e a consumação dos escolhidos, redimidos de Deus, como pessoas regeneradas e transformadas serão uma e serão um casal universal expressando oDeus Triúno para a eternidade. ( a consomatório do Deus Triúno processado e a consumação dos escolhidos, redimidos de Deus, como pessoas regeneradas e transformadas serão uma e serão um casal universal expressando oDeus Triúno para a eternidade. (A Conclusão do Novo Testamento, pp. 2700-2703) 69📷
Texto original
O TRABALHO ÚNICO NA RECUPERAÇÃO DO SENHORugerir uma tradução melhor
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2020.07.23 03:33 HoBaLoy E SE Olyvar Frey for realmente o protegido de Rosby?

Por conta de uma sugestão, mais uma vez de u/altovaliriano e de um tema já muito comentado pela fandom com teorias a respeito, resolvi discorrer um pouco sobre essa possibilidade.
Sabemos da morte de Lord Gyles Rosby em AFFC e sabemos também que Rosby era um local próspero e que Lord Gyles deixara uma polpuda fortuna como herança. Não a toa, apesar de sua aparente e frequente tentativa de sempre agradar a Rainha Cersei, ele fora nomeado como Mestre da Moeda em AFFC.
Para apoiar esta teoria comecemos com a genealogia.
Em um capítulo de Catelyn em Correrrio de ASOS ficamos sabendo que a sexta esposa de Walder Frey é uma Rosby, mais precisamente Bethany Rosby em menção direta feita por Lothar Frey:
– É muita gentileza, Vossa Graça. Uma vez esses termos aceitos, fui instruído para oferecer ao Lorde Tully a mão de minha irmã, a Senhora Roslin, uma donzela de dezesseis anos. Roslin é a filha mais nova de meu pai e da Senhora Bethany da Casa Rosby, sua sexta esposa. Tem um temperamento afável e um dom para a música.
O parentesco específico de Bethany com Lord Gyles não é mencionado.
O filhos de Bethany com Walder Frey mencionados no final de ASOS, são Perwyn, Benfrey, Willamen, Olyvar e Roslin
Perwyn, o mais velho, era um dos Frey presentes no cerco de Correrrio, Benfrey foi uma das baixas dos Frey no Casamento Vermelho, Willamen é um meistre a serviço da Casa Hunter, Roslin, como sabemos, casara com Edmure Tully.
Olyvar Frey nascera em 281 AC, ou seja, quando do acontecimento do Casamento Vermelho teria 18 anos, já um homem feito, inclusive era mais velho que Robb Stark.
Também em ASOS Robb menciona Olyvar Frey:
– Insultou gravemente a Casa Frey, Robb.
– Não era essa a minha intenção. Sor Stevron morreu por mim, e Olyvar foi um escudeiro tão leal como qualquer rei pode desejar. Pediu para ficar comigo, mas Sor Ryman levou-o comos outros. Todasas suas forças. Grande-Jon incitou-me a atacá-los...
Posteriormente em ASOS também é mencionado que Olyvar não estaria presente ao Casamento de Roslin com Edmure por conta do dever:
Sor Ryman Frey piscou e disse:
– Senhor. Sim?
– Tinha a esperança de pedir a Olyvar para me servir como escudeiro quando marchássemos para o norte – disse Robb –, mas não o vejo aqui. Estará no outro banquete?
– Olyvar? – Sor Ryman balançou a cabeça. – Não. Olyvar não. Partiu... partiu dos castelos. Dever
O que podemos especular com tal menção a dever? Fora apenas uma mentira para que Olyvar não estivesse presente em algo que não aprovava ou ele tivera que partir realmente para lutabarganhar por algo?
Falyse Stokeworth em AFFC menciona a existência do protegido de Lord Gyles quando este já estava mal de saúde e passara por Rosby a caminho de Porto Real.
– Desconfortável – lamentou-se Falyse. – Choveu quase o dia todo. Pensávamos em passar a noite em Rosby, mas aquele jovem protegido de Lorde Gyles nos recusou hospitalidade – fungou. – Guarde minhas palavras. Quando Gyles morrer, aquele desgraçado malnascido há de fugir com o seu ouro. Até pode tentar exigir as terras e a senhoria, embora legitimamente Rosby deva passar para as nossas mãos quando Gyles falecer. A senhora minha mãe era tia de sua segunda esposa, prima terceira do próprio Gyles.
Trata-se de uma passagem interessante. Por que o protegido de Rosby negaria hospitalidade à Falyse Stokeworth? Será que tinha rejeição a Casa Stokeworth por seu apoio incondicional à causa Lannister ou era apenas por conta dessa suposta alegação de Falyse de que por eles Rosby deveria ser herdada?
Em capítulos de Cersei quando conversava com o Grande Meistre Pycelle em AFFC mais uma vez existe a menção ao protegido de Gyles Rosby
– Não há filhos de sua semente, mas há um protegido... – ... que não é do seu sangue – Cersei ignorou aquele aborrecimento com um golpe de mão. – Gyles conhecia nossa terrível necessidade de ouro. Sem dúvida que lhe falou do desejo que tinha de deixar todas as suas terras e fortuna a Tommen – o ouro de Rosby ajudaria a refrescar seus cofres, e as terras e o castelo de Rosby podiam ser outorgados a um dos seus como recompensa por serviços leais. Lorde Waters, talvez. Aurane tinha andado sugerindo a necessidade que sentia de uma propriedade, sua senhoria não passava de uma honraria vazia sem propriedades. Cersei sabia que o homem tinha os olhos postos em Pedra do Dragão, mas mirava alto demais. Rosby seria mais adequado ao seu nascimento e estatuto.\*
(...)
– Lorde Gyles adorava Vossa Graça de todo o coração – Pycelle disse –, mas... seu protegido... – ... sem dúvida irá compreender, depois de ouvir você falar do desejo expresso por Lorde Gyles ao morrer. Vá, e cuide do assunto.*
Por fim, existem as menções já na regência de Kevan Lannister (no Epílogo de ADWD) sobre a herança de Rosby:
– Em breve, espero – disse, em vez disso, antes de se virar para o Grande Meistre Pycelle.
– Há mais alguma coisa? O Grande Meistre consultou seus papéis.
– Devíamos endereçar a herança de Rosby. Seis petições foram colocadas...
– Podemos tratar de Rosby em alguma data futura. O que mais?
De qualquer forma o que se percebe pelas passagens transcritas é que o protegido de Rosby já estava com controle de Rosby, inclusive negando hospitalidade a Falyse Stokeworth já em AFFC.
Como pontos desfavoráveis, também percebidos nas passagens supracitadas temos Falyse mencionando que era ele era baixo nascimento, o que poderia indicar que não teria qualquer sangue de qualquer casa nobre e Cersei Lannister dizendo que o protegido “não era de seu sangue”.
Mesmo assim, a Casa Frey aparentemente é uma casa que possui reputação duvidosa entre a nobreza, isso poderia suprir o comentário de Falyse Stokeworth. Já o comentário de Cersei poderia indicar simplesmente que o protegido não teria sangue em via direta de Gyles Rosby.
Favoravelmente a tal teoria podemos mencionar que os Frey tradicionalmente enviaram protegidos para serem criados com parentes de outras casas. Entre os casos mencionados nos livros cita-se o caso de Merrett Frey que fora enviado para servir de pajem e escudeiro de Sumner Crakehall (que tinha parentesco com Amarei Crakehall, terceira esposa de Walder Frey) e Geremy Frey, casado com Carolei Waynwood enviara um filho e uma filha para serem protegidos da Casa Waynwood.
Seria algo interessante que, embora os Freys tenham assassinado Robb Stark, sua mãe e companheiros, Olyvar poderia demonstrar que nem todos os Freys precisam ser traiçoeiros.
Por fim, partindo da possibilidade e probabilidade de Olyvar Frey ser o protegido de Rosby, e já estar controlando o local, quais seriam as consequências disto nos próximos livros? Lembremos que Rosby fica em um dos caminhos a Porto Real.
Os Nortenhos, os Stark sobreviventes e eventuais lordes rebeldes das Terras Fluviais, poderiam ter um local de segurança nas Terras da Coroa?
E a Senhora Coração de Pedra em relação a este Frey especificamente? Lembremos que Catelyn Stark o menciona em tom de lealdade e antes de morrer também chega a conclusão da traição no Casamento Vermelho por conta de sua ausência.
Existe alguma comunicação entre o protegido de Rosby e outros lordes no sentido de jurar lealdade a um ou outro, tanto em regiões quanto à pretendentes do Trono de Ferro?
O que acham de tal teoria e o que especulam que se ela for confirmada possa gerar?
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2020.07.20 23:37 MayCorrea Quis me expulsar de casa, me proibiu de namorar uma pessoa que eu amava, tentou me obrigar a mudar meu depoimento na polícia e agora diz que caso eu não aceite a nova "esposa" que pretende arrumar, não amo ele, e que eu tenho que inclusive estar no casamento e "gostar" da pessoa

Oi, estou escrevendo isso tudo em português pois sou do Brasil, e como o texto é grande, daria muito trabalho escrever e corrigir em outra língua... Acho que é uma fusão de "pais intitulados" com "eu sou o babaca?" o que vou escrever, com um acréscimo de chantagem emocional e toxicidade... Me desculpem pelo texto gigante, mas eu realmente preciso desabafar, e como não tenho como ir na terapia até semana que vem, acho que preciso colocar tudo isso pra fora de alguma forma senão vou ficar maluca...
Eu tenho 18 anos atualmente, e como contei em um post no TurmaFeira que teve pouco alcance, no inicio do ano passado acabei tendo de mudar de escola por conta de uma amante do meu pai que por algum motivo maluco resolveu dar aula na escola perto da minha casa na mesma semana em que eu me matriculei (suspeitosamente específico ser logo lá, não?) , tive uma crise de ansiedade (coisa que meu pai nunca ligou, e ainda me culpa toda vez que acontece)... Pouco depois disso, eu comecei a namorar (estamos noivos atualmente, mesmo com tudo que aconteceu) e desde o inicio meu pai tentava apressar o relacionamento, tentando me fazer levar ele na nossa casa com poucas semanas que tínhamos nos conhecido e etc... Tanto eu quanto meu namorado curtíamos sado, porém um dia acabou saindo um pouco fora do calculado e eu terminei com uma veia estourada no olho... Mesmo eu explicando a situação, em momento nenhum meus pais quiseram me ouvir, e me obrigaram a abrir um boletim de ocorrência contra esse namorado (vou chamar de carls pra facilitar), e quando viram que tudo que falei não era contra ele, tentaram me fazer mudar esse depoimento e ameaçaram inclusive me declarar incapaz para que eles mesmos mudassem esse depoimento...
(Quero deixar claro antes de tudo, que eu não iria defender ele nunca se ele fosse um namorado abusivo, vivi relações abusivas já e saí delas justamente por serem abusivas. O ponto é que além disso tudo, eu e ele sabemos que o que aconteceu foi erro dos dois, imaturidade e inexperiência... Ele sempre me respeitou e me tratou super bem, mas ninguém da minha família quis me ouvir...)
Quando, a uns 3 meses, contei que estava com ele, e que realmente queria esse relacionamento, e pedi pra que eles aceitassem pelo menos uma conversa, não quiseram me ouvir, ameaçaram de me expulsar de casa só com a roupa do corpo, e quando e disse que iria, disseram que como eu ainda não era maior, teria que acatar o que eles quisessem, então eu não poderia ir e que ele iria mandar matar o carls... Mesmo depois de os ânimos acalmarem, quando souberam que ele tinha vindo me ver no bairro, e que umas amigas me ajudaram a encontrar com ele, e meu pai mais uma vez me bateu e foi atrás dele, mas acabou desencontrando e se resumindo em ele e a minha sogra trocando farpas. Sempre disseram que era pro meu bem... Porém acho que pelo menos alguém concorda que fazer esse tipo de joguinho emocional a base de ameaças com a filha depressiva e com transtorno de ansiedade é qualquer coisa menos saudável... Até hoje quando tento conversar sobre minha mãe fala que ela pode "levar essa culpa pro caixão", mas que nunca vai pisar na minha casa quando eu me casar com o carls, e meu pai até então dizia o mesmo, que não iriam me ver e nem dar o mínimo apoio financeiro, porque sou mal agradecia e etc... Que eu ainda seria bem vinda aqui e os possíveis filhos também, mas que ele nunca... Ok, eles estão no direito deles, certo? Guarde isso pra daqui a pouco.
Bom, semanas atrás eu comecei a desconfiar que meu pai estava traindo a minha mãe mais uma vez, e acabei olhando o celular dele (sei que vão me xingar mas escutem antes por favor) onde eu vi várias coisas, incluindo com mulheres casadas e até uma prima que ele jurou não ter nada, registros de motel e etc... E o ponto é que ele nunca me deixou falar quando se sentiu ameaçado, e desde então decidi tratar com ele por escrito ou com provas sempre que a situação é mais complexa... Então imprimi tudo e coloquei em um envelope dentro da bolsa dele (ele trabalha em outra cidade e vem nos fins de semana... bom, agora só a cada 15 dias...) com mais algumas coisas que escrevi pedindo ele que me ouvisse e inclusive aceitasse se tratar porque isso não é normal, ele mesmo já disse que é doença.
No dia seguinte, ele leu e ligou me ameaçando, dizendo que eu não mereço o amor dele, o respeito dele e nem nada, que eu sou a pior pessoa do universo e me ameaçou mais quando eu disse que iria enviar aquelas fotos pras pessoas em questão por conta da raiva e da decepção... Ele já tem duas filhas fora do casamento e sempre falou que tinha orgulho de mim, mas pra justificar o motivo de não se divorciar pras outras mulheres, falava que eu sou demente e maluca, que faço tratamentos pesados e etc... E eu aproveitei esse dia pra colocar pra fora tudo que eu precisava colocar, ele só ia voltar 10 dias depois, pro meu aniversário, então ele não teria como me bater e nem falar nada comigo até lá.
Nesse meio tempo a minha avó, mãe dele, foi internada com Covid em estado muito grave, e está intubada na UTI até hoje... Por conta disso, essa briga toda foi deixada de lado por uns dias. Ele chegou na quarta, e meu aniversário de 18 anos seria na sexta.
No dia do meu aniversário, meu pai tentou puxar o assunto mas eu pedi que pelo menos esse problema ficasse pro outro dia. No sábado de manhã, disse que sairia de casa e entre diversas outras coisas, que ainda gostava da professora que citei no post anterior e no inicio desse, e que estava sim conversando com ela. Minha mãe não quer aceitar a separação, e me pediu ajuda para convencer ele a mudar e continuar em casa, e eu juro, eu fiz de tudo, mas sempre que não falo com ele o que ela quer e como ela quer, ela fica com raiva, grita comigo, me xinga e fala que eu estou contra ela... E ele, quando eu falo, diz que não amo ele o suficiente, que eu sou parcial e só defendo a minha mãe, e que ele sempre foi o melhor pai do mundo mas eu nunca dei carinho e atenção, quando na verdade, ele nem sai do telefone ou tv quando vou falar com ele, e geralmente responde com "hmm" ou "ah".
Dois dias atrás ele me ligou pelo número da minha mãe (eles me proibiram de ter whatsapp, celular e de ter acesso a qualquer outra rede social, mal sabem que posto aqui no reddit), e junto com uma enxurrada de chantagem emocional, ele disse que se eu me casar com o carls ele vai dar um esporro, mas que vai amar ele como um filho se ver que ele está sendo bom pra mim (coisa que ele até poucos dias jurava ser impossível) e que se eu não aceitasse a nova esposa dele, isso provaria que meu amor é condicional mesmo que a esposa em questão fosse uma amante (a professora ou uma maluca que ja citei, que me ameaçou de morte e ele não fez absolutamente nada, ela saiu de são paulo e veio para minas atrás de mim quando eu tinha 14 anos)...
Hoje eu liguei pra ele contando que acho que consigo entrar pra medicina com bolsa pelo prouni... e ele começou a me xingar sem necessidade... Quando reclamei, ele puxou esse assunto, e insistiu que se eu não aceitasse eu não mereço o amor dele, entre outras coisas... E enquanto isso minha mãe estava do lado, digitando tudo que ela queria que eu dissesse, como queria, e até a hora que queria... Senti uma fincada na barriga na hora, não sei o porque, e as vistas chegaram a escurecer... e mesmo assim os dois continuaram buzinando na minha orelha e chegou num momento que até levei um tapa por não ter falado o que a minha mãe queria, e pedido pra esperar um pouco.
Em resumo, a briga dele foi para me convencer que tenho que aceitar, e inclusive estar no casamento dele e conviver com a pessoa mesmo que seja a professora em questão... E que se eu não fizer isso meu amor é condicional, mas que quanto ao casamento com o carls, eles estão completamente no direito de escolher se querem ou não conviver com ele, e que isso não é um tipo de amor condicional...
Eu realmente não sei o que fazer quanto a isso... mas atualizo vocês, caso tenham interesse, com os próximos capítulos dessa novela mexicana com enredo ruim que tenho vivido.
Obrigada por ter lido esse "testamento", e sintam-se livres para julgar a história nos comentários...
submitted by MayCorrea to EntiltedParents [link] [comments]


2020.05.28 01:55 aquele_inconveniente Desigualdade de rendimentos, pobreza e Família: Um porta para o discurso

Desigualdade de rendimentos, pobreza e Família: Um porta para o discurso

https://preview.redd.it/rf7q83ihae151.png?width=543&format=png&auto=webp&s=31cc44f5ebc43527f6d42d7025cf5614fed32390
Gostei muito da reacção ao meu último artigo sobre a falta de convergência económica Portuguesa com o mundo desenvolvido. Vi alto civismo, troca de ideias, e até acordo entre pessoas de ideologia diferentes. Espero que este texto seja brindado pelo mesmo e tentarei, quanto possível, voltar a ser neutro e não enviesado na apresentação
  • Parte 1 - A evolução da pobreza e desigualdade social em Portugal
  • Parte 2 - A degradação da instituição Família em Portugal
  • Parte 3 - O caso para um esforço conjunto de conservadores e socialistas para solucionarem o problema
Ao longo das últimas décadas existem, entre outras tendências, duas que acho de particular relevância: O foco crescente do diálogo político em temas redistributivos e a degradação da instituição familiar. Creio que estes temas estão intimamente relacionados

Parte 1 - A evolução da pobreza e desigualdade social em Portugal

Existe na sociedade Portuguesa a ideia de que o poder de compra tem evoluído bastante e exceptuando situações pontuais, como a crise financeira, numa trajectória de constante melhoria. A dura realidade é um pouco diferente:

Figura 1
Olhando para os trabalhadores por conta de outrem (o grosso da população e normalmente associado à classe trabalhadora) vemos que quando ajustado à inflacção, o aumento do ganho médio é incrivelmente baixo. Em 33 anos (1985-2018), houve um aumento de 22%. No mesmo período, o PIB per capita português (ajustado à inflação) aumentou 97%. Ou seja, apesar da geração de riqueza do país ter quase duplicado, os ganhos dos trabalhadores não reflectiram esse aumento
Mas existe um problema adicional. As exigências de gastos e de nível de vida em 1985 eram muito diferentes do que em 2018. Hoje em dia, além das necessidades básicas que no passado se verificavam (alimentação, água, energia, transportes) acrescem-se hoje as telecomunicações e o acesso a informação digital. Se uma torradeira pode ser considerado um bem não essencial quer em 1985 quer em 2018, um computador pessoal é hoje um bem essencial. O acesso à internet é outro exemplo. Um indivíduo sem acesso está hoje limitado no acesso a serviços públicos e à informação.
Ou seja, ainda que possa ter havido um ligeiro aumento de 22%, este valor sobrestima a qualidade de vida dos trabalhadores, pois esconde a alteração das necessidades da sociedade.
Uma outra forma de ver isto é com o peso dos salários no PIB:

Figura 2
A evolução é consistente com o que vimos no quadro anterior. Os salários têm representado um peso cada vez menor do PIB, por oposição aos lucros das empresas. É também interessante que essa tendência se inverteu no pós-revolução. Até 1973 vemos um aumento gradual do peso dos salários no PIB (o que significa que a cada ano que passa, os trabalhadores têm direito a uma fatia maior da riqueza gerada). Entre 1974 e 1975 (cor rosa) vemos também o efeito redistributivo da revolução. Os trabalhadores conseguem nesses anos um aumento substancial da sua fatia no PIB. Infelizmente, de 1975 para a frente a tendência é invertida, com os detentores de capital a terem uma fatia maior e os trabalhadores a diminuir. Após a entrada para a União europeia (cor azul) esta tendência diminui mas não desaparece.
Aquilo que acho interessante neste gráfico é que mostra o porquê da nossa sociedade de hoje estar tão preocupada com redistribuição. Ao mesmo tempo também mostra o porquê de tantos acusarem o regime actual (de influência socialista) de não servir o povo. Citando um utilizador que comentou no meu outro artigo, u/Josepedro19, não se deve ver uma ideia política pelas suas intenções mas pelos seus resultados.
Outros autores têm chegado às mesma conclusões com análises bem mais detalhadas (mas mais maçudas para um fórum como o reddit):
The decrease in income concentration, started very moderately at the end of the 1960s and which accelerated after the revolution of 1974, began to be reversed during the first half of the 1980s. During the last 15 years top income shares have increased steadily.
https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0014498309000205
Aliás, tudo isto termina na falta de capacidade de poupar, algo que será relevante para a parte 2:

Figura 3
Para se compreender o gráfico, é importante entender o conceito de rendimento disponível. Este valor é a soma de todos os rendimentos, incluindo subsídios e apoios estatais, mas removendo todos os impostos e taxas. Ou seja, se alguém tinha um salário de 1100€, apoios do governo de 100€, pagava em taxas e impostos 200€, e poupava 200€, então tem um rendimento disponível de 1000€ e uma taxa de poupança de 20%. Se o estado lhe aumentasse os impostos, mas os devolvesse (em saúde pública, etc) de forma ao trabalhador não ter de tocar na sua poupança, a taxa de poupança aumentaria, pois o rendimento disponível era menor e o rácio maior. O que vemos é o inverso disto e novamente em linha com o que se apresentou antes. Os trabalhadores portugueses têm visto a sua poupança diminuir significativamente ao longo das últimas década apesar de terem mais serviços públicos que deveriam colmatar gastos que os trabalhadores tinham. Fazendo-me questionar se os impostos que pagam dão um retorno equivalente ao montante que é pago pelos trabalhadores.
Um efeito que contudo não é observável neste último gráfico é se a poupança se deve apenas à incapacidade de poupar, ou à decisão de poupar. A facilidade e acesso crédito faz com que seja hoje mais simples adquirir um carro sem ter de se poupar para ele e certamente diminui a taxa de poupança.
Para estarmos mais cientes do que está por detrás desta taxa de poupança podemos fazer um pequeno exercício ilustrativo. Em Portugal, 72% dos agregados familiares auferem menos que 19 mil euros ao ano.
Uma família com pai e mãe a ganharem ambos o salário mínimo ganha 17780€ ao ano. Se deduzirmos a esse salário as despensas para vida minimamente aceitável nos dia de hoje obtemos o seguinte:

Figura 4
Esta taxa de poupança ilustrativa (6%) coincide com os níveis que vimos no Figura 3. De qualquer das formas, sendo que o crédito ao consumo e escolha de crédito/poupança tem com certeza efeito deixo ao critério do leitor inferir a dimensão do efeito do poder de compra na taxa de poupança.
Como conclusão desta parte sai o seguinte:
  • O nível de vida em Portugal, para uma grande parte da população, não tem acompanhado a evolução económica do país
  • A desigualdade económica diminuiu até ao final dos anos 70 (tendo tido um pico no pós-revolução) e aumentado consistentemente dos anos 80 até hoje.
  • As exigências financeiras e os níveis de rendimento não permitem à grande maioria dos portuguesas ter poupanças e um nível de vida aceitável

Parte 2 - A degradação da instituição Família

Se o aumento da desigualdade (que mesmo sem dados é perceptível pelo cidadão comum) tem tido um particular efeito a moldar a mente da esquerda Portuguesa, o desaparecimento da Família, nos moldes tradicionais, tem afectado a mente dos conservadores.

Figura 5
Ao longo das últimas décadas vemos a cada ano que passa menos portugueses a casar e ao mesmo tempo um aumento gigante no número de divórcios.
Hoje em dia, o normal é o não casar e se casar, o normal é divorciar-se. O juízo de valor deste novo normal dependerá obviamente das ideologias de cada um, mas ainda assim é preciso reconhecer o quão dramática foi esta a alteração social. A Família tem sido a unidade básica na sociedade ocidental e aquela que em muitos casos é responsável por evitar injustiças sociais. Na ausência de um Estado para ajudar o indivíduo em todas as ocasiões, a Família existe e apoia, dentro do possível, os infortúnios dos seus membros. Dar guarida a um primo ou irmão quando ele ficou sem casa, apoiar financeiramente o filho ou a esposa quando ficaram sem trabalho.
O outro lado da desagregação familiar tem a ver com a criação das gerações futuras.

Figura 6
A fertilidade caiu a pique até meados dos anos 80, tendo estagnado em valores que não são suficientes para manutenção da população.

Figura 7
Por outro lado, número de filhos fora de casamento tem vindo a a aumentar em proporção aos dentro de casamento sendo que hoje a maioria dos nascimentos ocorre fora do casamento. Adicionalmente 1 em 6 potenciais nascimentos não ocorre devido à decisão de aborto por parte das mães.
Se por um lado isto é preocupante aos conservadores, que vêm lares separados e um abandono dos valores tradicionais (em 2017 apenas 31% dos casamentos foram católicos em comparação com 73% em 1990), as implicações na igualdade de oportunidades e pobreza deveriam preocupar a esquerda.
Em 2018, 34% os agregados monoparentais com apenas uma criança estão em risco de pobreza em comparação com 12% nos agregados biparentais com apenas uma criança. Apesar de nem todos os filhos fora de casamento serem de casais monoparentais (alguns podem não ter ainda casado) a estatística é ainda assim preocupante.
Adicionalmente, parece que estas tendências sociais não estão completamente dissociadas da capacidade financeira da população Portuguesa. Para fazer um casamento há que despender de bastante dinheiro e criar uma criança não é também uma responsabilidade barata.

Figura 8
Quando comparamos a capacidade de poupança dos Portugueses, com a evolução do número de casamento vemos uma correlação alta, de 0,7. Podemos argumentar que além deste efeito existe um fenómeno social de menos valorização de casamento mas penso que a questão financeira é evidente. Aliás anedoticamente, entre as pessoas que conheço, apesar de várias estarem juntas ao fim de muito anos, aquelas que singraram na vida e tiveram bons empregos foram as que casaram. É anedótico e portanto nada prova, mas acho que é interessante pensarmos neste ponto.
Tentei procurar uma desagregação do número de filhos por escalão de rendimento do agregado familiar e não encontrei. Mas dado que vimos antes que cerca de 72% da população não é capaz de poupar mais de 1000€ por ano, no melhor cenário, a capacidade financeira de ter uma criança é muito baixa. De novo, anedoticamente, muitos dos meus amigos que estão juntos (casados ou não) dizem que a razão principal para não terem filhos é a incapacidade financeira.
Fiz um exercício hipotético. E aviso já bem claro para que ninguém tome estes valores como reais, da taxa de fecundidade que teríamos caso houve uma relação inversa entre o nº de filhos e o rendimento. Ainda que seja um exercício crude os resultados ficaram bastante próximos daqueles que vemos na estatística quando assumi que haveria 1 filho sempre que se duplicava o rendimento:

Figura 9
De novo, este exercício não prova nada. Não é necessário um comentário a dizer isso pois já o digo aqui. Apenas mostra que caso houvesse uma relação deste género era possível chegar à taxa de fertilidade que temos.
Como conclusão desta parte sai o seguinte:
  • Cada vez há menos casamentos, mais divórcios em proporção aos casamentos, menos filhos e uma maior porção deles nascidos fora do casamento
  • Existe uma correlação entre a capacidade de poupança e o número de casamentos, sugerindo (não provando) que pode haver factores financeiros por detrás deste fenómeno social
  • Cerca de 72% da população tem bastante dificuldades em ter filhos, quando analisadas as suas despesas e rendimentos. Apesar de não haver evidências claras da capacidade de poupança e nível de vida na natalidade, é uma relação possível e que explicaria a baixa natalidade

Parte 3 - O caso para um esforço conjunto de conservadores e socialistas para solucionarem o problema

Existem várias facções políticas em Portugal. Para simplicidade irei dividi-las nos seguintes grupos:
  • Direita não conservadora (Liberais) - Querem um mercado livre, não se preocupam com redistribuição e possuem valores diferentes dos tradicionais (apoiam drogas, não valorizam necessariamente a família, etc)
  • Direita conservadora - Querem menos estado mas possuem preocupações de redistribuição. Valorizam a família e os valores tradicionais.
  • Esquerda moderada - Querem redistribuição mais activa e menos foco no mercado livre. Apesar de valorizarem menos os valores tradicionais que os conservadores, convivem com eles (ex. ainda valorizam o valor da família mas são dão menos importância ao casamento, religião, aborto, etc)
  • Esquerda radical - Querem redistribuição como valor principal e absoluto, assim como a abolição das instituições tradicionais como a família ou a igreja
Não incluí a direita radical (a chamada extrema-direita) pois não faz existe partidos em Portugal com assento parlamentar que encaixem nessa definição. Um exemplo seria o PNR, mas não é expressivo.
Acredito que a maioria dos Portugueses é inteligente e quando manifesta uma opinião política manifesta um problema real, que identificou, e ao qual atribui uma importância maior na sua vida. Assim sendo, reconheço que quer conservadores como socialistas estão a verbalizar preocupações reais.Acho que é mais importante perceber porque cada lado tem a postura que tem ao invés de perceber qual está certo ou errado no modo de atingir o seu fim. Trabalhando em conjunto podem até descobrir que os seus objectivos não são mutuamente exclusivos e que podem traçar um caminho em comum.
A instituição Família tem sido um ponto de divergência entre conservadores e progressistas, que a cada ano que passa parece criar um fosso maior entre os dois. Se aos olhos de conservadores a família tem um papel fundamental de educação da próxima geração, aos olhos da esquerda radical é vista como um mecanismo de opressão.
Contudo se tirarmos da equação a esquerda radical, a esquerda moderada não tem nada contra a Família, querendo mais proteger as classes mais baixas em Portugal.
Por outro lado, redistribuição é algo tabu para um liberal que valorize o mercado livre mas não o é para alguém da direita conservadora que, normalmente impelida por valores católicos, acredita na ajuda aos menos favorecidos.
Assim sendo penso que estes duas facções ganhavam imenso se em vez de debaterem as suas ideias pelo valor abstracto delas (ou seja um discurso focado no caminho e não onde querem chegar), falem-se mais sobre os seus objectivos e como poderiam agir para ambos conseguirem resolver aquilo que pensam ser problemas importantes para a Nação.
Creio que se esse discurso começasse a existir (que hoje em dia não o vejo) facilmente iriam chegar à conclusão que a actual elite política em Portugal não representa quer um grupo (pois a desigualdade só aumenta) quer o outro (pois os valores tradicionais só desaparecem)

Conclusão

Para finalizar gostaria de pedir as vossas opiniões, quer sobre as análises, quer sobre este potencial de discurso. A minha existência neste fórum vai ser sempre pautada por uma tentativa de nos aproximar a todos, enquanto Portugueses, para que possamos pensar melhor sobre o futuro do nosso País. Longe de ideologias e partidarismos, podemos deixar as cores de lado e pensar quais os nossos objectivos principais e depois criarmos um caminho consensual para os atingir.
Penso que há muito mais que nos une do que aquilo que nos separa (como diz o Rui Veloso), pois tirando a extrema esquerda (que penso sabotar qualquer país) e a direita liberal (que ignora muitas vezes as externalidades negativas de um mercado livre) a maioria dos Portugueses apenas quer viver a sua vida melhor e viver em paz e sossego com os seus.
Obrigado pela paciência que tiverem em ler tudo e novamente, apelo ao civismo de todos nos comentários!
EDIT: Fonte de dados - INE e PORDATA
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2020.05.18 04:46 altovaliriano Jon Snow (Parte 6)

Esta é a última parte da série de textos sobre Jon Snow.
Os capítulos de Jon Snow em A Dança dos Dragões são marcados por escolhas que afetarão milhares de pessoas. Na condição de Lorde Comandante da Patrulha da Noite, o rapaz sabe que não pode deixar para pensar depois nas consequências de seus atos, pois não é ele quem vai ter que arcar com as consequências de seus atos, mas toda a irmandade.
Em razão disto, Jon escolhe ser um líder objetivo, independente e frugal. É assim que ele entende que um homem adulto deve se comportar. “Mate o menino e deixe o homem nascer”. Mas não há como culparmos Jon por isso. Todos os homens que lhe instruíram sobre a vida tinham estas caracterísitcas.
Eddard Stark, Meistre Luwin, Aemon Targaryen, Jeor Mormont e, em menor medida, Mance Rayder. Todos eles eram homens com um rol de princípios claros, conhecidos por todos ao seu redor. Igualmente tendiam a ter suas próprias opiniões e a tomar decisões a despeito da vontade dos demais. E também eram homens simples, cuja aparência por vezes enganava seu real status.
Quando encontramos Jon depois de ele ter tomado posse no cargo, nenhuma mudança real parece ter acontecido. Stannis está chamando de bastardo em sua cara. Godry Farring chama-o de rapaz e o desafia. Por outro lado, desde o primeiro capítulo de Samwell em O Festim dos Corvos ficamos sabendo que o Lorde Comandante se instalou nos antigos aposentos de Donal Noye, lugar de onde não saiu nem mesmo depois que Stannis deixou aposentos vazios na Torre do Rei vazia ao partir.
A frugalidade de Jon, porém, é uma mistura de partes iguais de sua criação e idade. Jon não só quer fingir ter o ‘desapego das formas e privilégio do conteúdo’ que vem naturalmente com a maturidade (“mate o menino e deixe o homem nascer”). Snow também quer provar àqueles ao seu redor que o poder não lhe subiu à cabeça.
Ainda que não convenha ao Lorde Comandante se portar como um rei ou um lorde de verdade, existem diversos recursos simbólicos na tomada do poder que ajudam um Lorde Comandante a governar seus iguais. Como disse Ben Plumm a Daenerys, “O homem que quer ser o rei dos coelhos deve estar pronto para usar um par de orelhas de abano” (ADWD, Daenerys I), o que é apenas uma versão de uma lição política muito antiga em nosso mundo:
“o vulgo sempre se deixa levar pelas aparências e pelos resultados, e no mundo não existe senão o vulgo“
(MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe)
Portanto, as aparências de poder são uma ferramenta legítima de um governante, que deve saber quando fazer uso delas, sem se deixar afetar pelo apego às origens. A meu ver, Melisandre é que m faz a melhor análise da situação de Jon:
Snow decidira continuar vivendo atrás do arsenal, em um par de cômodos modestos previamente ocupados pelo último ferreiro da Patrulha. Talvez não se achasse digno da Torre do Rei, ou talvez não se importasse. Isso era um erro, a falsa humildade da juventude que, em si, era um tipo de orgulho. Nunca foi sábio para um governante evitar as armadilhas do poder, pois o poder flui em quantidades não pequenas de tais armadilhas.
(ADWD, Melisandre)
Estes pensamentos revelam que Melisandre tem uma visão política do mundo muito mais fundada na realidade do que seu fanatismo religioso deixa transparecer. Entretanto, a frugalidade-vaidade de Jon, que ela condenou, parece ser o aspecto mais inofensivo deste seu atributo. Há um pouco dessa sobriedade também na forma como Jon governa a Patrulha com objetividade. Curiosamente, é esta combinação que faz com que Jon não dê crédito a Melisandre.
No começo do livro, Aemon já indicava a Jon que Melisandre provavelmente se enganava ao interpretar a profecia de Azor Ahai e que a magia na espada de Stannis era espetáculo ao invés de poder. Dessa forma, Jon já iniciava sua jornada em dúvida sobre Melisandre. A feiticeira usa Ygritte, Fantasma, Mance e Arya para tentar espantar as desconfianças de Jon. Mas bastou ela errar uma de suas previsões, para que a razão ditasse que Jon não lhe desse mais créditos.
E Jon assim fez com dureza:
– Todas as suas perguntas serão respondidas. Olhe para os céus, Lorde Snow. E, quando tiver suas respostas, envie para mim. O inverno está quase sobre nós. Sou sua única esperança.
– A esperança de um tolo. – Jon virou-se e a deixou.
(ADWD, Jon XIII)
Quando Bowen Marsh colocou Jon à par da situação dos estoques da Patrulha, Jon deu mais ouvidos ao Intendente do que a seus olhos. Uma conduta sábia. Mas não foi tão sábio não perceber a jogada do Intendente. Sabendo que Jon queria alimentar os Selvagens e da natureza objetiva e frugal de Jon, Marsh primeiro apresentou o problema para depois vender uma solução.
A sugestão de Marsh: a comida somente daria para todos por um longo período se eles racionassem. Jon mostrou ao leitor que sabia que esta medida o faria impopular entre os irmãos negros, porém, diante de como Bowen colocou a questão, não parecia haver outra solução. Alguém duvida que o Intendente se valeu dessa decisão de Jon para angariar aliados na sua oposição? Alguém pode dizer que confia 100% nas estimativas que Marsh passou a Jon?
O Lorde Comandante, porém, preferiu não ouvir uma segunda opinião. O que deveria soar estranho para o leitor, haja vista que a objetividade de Jon faz com que ele e Marsh passem um livro inteiro em discordância. Ainda mais quando Marsh usa o mesmo argumento da comida quando Jon começa a trazer recrutas de Vila Toupeira.
Entretanto, o mais danoso atributo de Jon enquanto Lorde Comandante é sua independência postiça. Não por acaso Martin fez com que Jon fosse eleito por ação de Samwell. Caso Jon tivesse ele mesmo costurado os acordos para impedir que Slynt fosse eleito, muito provavelmente Jon não teria a falsa impressão de que poderia governar sem aliados próximos de si. No cargo, Jon acreditava que poderia ir preenchendo os cargos vagos por merecimento (como fez com Couros e Cetim).
Muito provavelmente, Jon pensava que seus amigos seriam sua maior fraqueza. Por isso manda embora Samwell e todos os colegas mais próximos, que o resgataram quando ele tentou desertar em A Guerra dos Tronos (Grenn, Pyp, Sapo e Halder). Ele até mesmo mandou embora Dywen, que era um porta-voz de Jon entre os Patrulheiros. Martin espertamente disfarçou essa dispensa de Dywen no meio da manobra de Jon para se livrar de Alliser Thorne. Mas, vejam , sem Dywen por perto, os patrulheiros ficariam á mercê de Bowen, que já tinha o apoio dos construtores e intendentes.
Quando não colocou seus aliados em posições estratégicas, Jon privilegiou seus opositores em detrimento de seus aliados. Aliás, manter as figuras como Marsh e Yarwick nos cargos, mesmo achando-os incapazes, fez com que Jon me lembrasse uma versão invertida de Cersei e seu pequeno conselho. Em Porto Real, a Rainha não ouvia conselhos de verdade de seus bajuladores sem talento. Em Castelo Negro, o Lorde Comandante não ouvia conselhos de verdade de seus opositores sem talento.
Com efeito, a quantidade de vezes em que Jon enfrenta seu “pequeno conselho” chega aos limites do ridículo. São tantas vezes que eu comecei a suspeitar que Martin não está querendo que vejamos uma tensão crescente. Afinal, Jon é bem-sucedido contra quase todas as investidas de Bowen Marsh, Othel yarwick e Septão Cellador. Como demonstrei no texto passado, não havia necessidade de Jon gerar tanta insatisfação na Patrulha. O motim seria crível de qualquer modo assim que ele desertasse.
A verdade é que eu penso que Martin estava ganhando tempo com esta série de debates. Como ele sabia que Jon seria assassinado, ele precisava prepara muito o terreno para o que sucederia à morte de Jon. Mas as sementes que seriam plantadas neste terreno seriam as decisões polêmicas de Jon, GRRM devia sentir que era necessário que a Patrulha respondesse negativamente a cada uma dessas ‘reformas’ para que a situação parecesse verossímil ao leitor.
Por outro lado, a oposição constante fazia crescer a dependência do Lorde Comandante pelo apoio dos Selvagens, o que criava um óbvio ciclo vicioso. Jon teve que confiar cegamente em Val para achar Tormund, deu uma senhoria a Sigorn através do casamento com Alys Karstark e tomou conselhos apenas de Tormund no assunto da carta de Ramsay.
O caso de Val, na verdade, é muito curioso. Martin foi sorrateiro ao representa-la tão disposta a ajudar Jon. Ela já havia sido oferecida como esposa a Jon por Stannis e durante o livro vemos o quanto ela tem química com Jon... até que ela entra em pânico assassino ao conhecer Shireen. Mas tudo isso só acontece quando Jon está em dívida com Val. Dessa forma, GRRM coloca o Lorde Comandante novamente em desvantagem e dependência.
Quanto ao casamento de Sigorn e Alys, o caso é mais sutil. Já havia fortes indícios que seria uma questão de tempo até que Sigorn ganhasse algum poder político, mas ninguém nunca se perguntou por que os noivos, ambos adoradores dos velhos deuses, foram casados por Melisandre?
Parece lógico à primeira vista que simplesmente seja uma imposição externa, da Rainha Selyse. Porém, é dito que Septão Cellador tentou realizar a cerimônia, revelando que não houve sequer debate sobre o assunto. Os adoradores da Fé dos Sete devem ter se sentido mais desagradados do que se a cerimônia fosse realizada perante um árvore-coração.
Falemos então de Tormund. No penúltimo capítulo de Dança, Jon teve um sonho em que estava defendendo a Muralha sozinho contra os Outros. Isso era um reflexo do isolamento que sentia. Logo depois, Tormund apareceu com seus quatro mil selvagens para passar sob a Muralha. Ou seja, Jon só encontrou com o velho conhecido quando o isolamento de Jon na Muralha já o atingia em nível subconsciente.
Temos que admitir que a simpatia e bom humor de Tormund foram um bálsamo bem-vindo a Jon. A forma como Tormund cooperou também facilitou Jon no convencimento dos homens dos Clãs das Montanhas de que a Patrulha e o Povo Livre estavam na mesma página quanto à trégua. Entretanto, o alívio deve ter sido grande demais para Jon.
Quando a carta de Ramsay chegou a Castelo Negro, Jon se recordou que Melisandre previra sua chegada e pedira que ele viesse falar com ela sobre o assunto. Depois de ter lido a carta no Salão dos Escudos, Jon se arrependeu de não ter ido conversar com Selyse antes do anúncio, pois não era adequado que ela fosse a última a saber da morte de Stannis. Por que ele não pensou nisso antes? Por que estava com Tormund quando a carta chegou.
A sensação de intimidade (e até um pouco de carência) devem ter feito com que Jon perdesse a prudência e adquirisse um indevido senso de urgência. De fato, não havia nada que justificasse sua deserção imediata. Ao invés de procurar Melisandre ou avisar Selyse, Jon passou duas horas refazendo seus planos com o amigão Tormund. Planos os quais Martin nos sonegou ao suprimir a conversa.
Alguém tem dúvida que Tormund não é o conselheiro mais indicado para este tipo de situação? Que dificilmente ele perceberia as nuances do conteúdo da carta como Melisandre afirmava ser capaz de decifrar? Cadê “mate o menino e deixe o homem nascer” nessa horas? Em lugar nenhum. Jon não pensou nisso nenhuma vez. Tal qual não pensou quando lidava com Janos Slynt. Na verdade, eu penso que Jon só não foi morto no próprio Salão dos Escudos porque naquele momento “os selvagens suplantavam os corvos em cinco para um” (ADWD, Jon XIII).
Porém, precisamos falar um pouco mal dos motineiros. O que eles estavam pensando quando resolveram usar o incidente entre Sor Patrek e Wun Wun para atacar Jon quando “homens saíam aos montes das fortalezas e torres ao redor. Nortenhos, povo livre, homens da rainha”? talvez Jon e Marsh se pareçam muito. Talvez ambos sejam pessoas demasiado passionais para lidar com a política da Muralha às vésperas da Longa Noite.
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Para concluir eu tenho uma pergunta: Quem foram os autores da terceira e a quarta facada em Jon? Alf e Lew Mão esquerda?
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2020.04.04 04:52 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 6

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/53563214511
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6

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A Dama Faz Protestos Demasiados

No episódio anterior de A Grande Conspiração do Norte, Harwood Stout, juramentado a Lady Dustin, foi visto conversando baixinho com Terror das Rameiras Umber, um conhecido “sócio” de Lorde Manderly desde A Fúria dos Reis. Do que eles falaram? Não procure para além do tour guiado por Lady Dustin às criptas de Winterfell no final do capítulo.
Theon vagueia sem rumo por algum tempo após o desjejum, atravessando as partes destruidas do castelo, subindo para as ameias e confessando no bosque sagrado. Durante esse mesmo período, a Senhora Dustin manda seus homens procurarem nas adegas, até nas masmorras, a entrada para as criptas. Seguindo as instruções de Theon, eles encontram essa entrada e passam meia hora cavando neve e entulho para descobrir a porta congelada, que precisou ser aberta com um machado. Todo esse esforço foi feito apenas para que ela se apresentasse um queixa antiga tendo apenas pedra fria, Theon e os silenciosos mortos como companhia. Que outro motivo a Senhora Dustin poderia ter para visitar as criptas?
Segundo a teoria, ela teria acabado de ouvir de Manderly (quem ouviu de Stout e Terror das Rameiras) que Bran e Rickon sobreviveram. Os meninos, Osha, Jojen, Meera e Hodor fugiram de seus perseguidores, escondendo-se nas criptas. É o que Bran conta ao moribundo meistre Luwin, enquanto Wex espia de seu esconderijo na árvore coração. O grupo de Bran também deixa evidências de sua estadia.
Osha levava sua longa lança de carvalho numa mão e o archote na outra. Uma espada nua pendia de suas costas, uma das últimas a ostentar a marca de Mikken. Forjara-a para a sepultura do Lorde Eddard, para deixar seu fantasma em descanso. Mas com Mikken morto e os homens de ferro de guarda no arsenal, era difícil resistir a bom aço, mesmo se implicasse assaltar uma tumba. Meera tinha ficado com a lâmina de Lorde Rickard, apesar de se queixar de seu peso. Bran ficou com a do seu homônimo, a espada feita para o tio que nunca conhecera.
(ACOK, Bran VII)
Até Hodor rouba uma espada ao sair.
O cavalariço tinha se esquecido de sua espada, mas agora se lembrara.
– Hodor! – exclamou. Foi buscar a arma.
Tinham três espadas mortuárias que trouxeramdas criptas de Winterfell quando Bran e o irmão Rickon se esconderam dos homens de ferro de Theon Greyjoy. Bran ficou com a espada do tio Brandon; Meera, com aquela que encontrara sobre os joelhos do avô, Lorde Rickard. A lâmina de Hodor era muito mais velha, um enorme e pesado pedaço de ferro, embotado por séculos de negligência e cheio de pontos de ferrugem.
(ASOS, Bran I)
Enquanto estava nas criptas com Theon, a Senhora Dustin nota especificamente as espadas que faltam.
– Aquele rei perdeu sua espada – a Senhora Dustin observou.
Era verdade. Theon não se lembrava que rei era aquele, mas a espada longa que devia segurar se fora. Marcas de ferrugem permaneciam para mostrar o lugar em que a lâmina estivera. [...] Seguiram adiante. O rosto de Barbrey Dustin parecia mais duro a cada passo. Ela não gosta deste lugar tanto quanto eu. Theon se ouviu falando:
– Minha senhora, por que odeia os Stark?
Ela o estudou.
– Pela mesma razão que você os ama. [...] Por que você ama os Stark?
– Eu... – Theon colocou uma mão enluvada contra um pilar. – ... eu queria ser um deles...
– E nunca pôde. Temos mais em comum do que imagina, meu senhor. Mas venha.
Apenas um pouco adiante, três tumbas estavam agrupadas juntas. Foi lá que pararam.
– Lorde Rickard – a Senhora Dustin observou, estudando a figura central. A estátua pairava sobre eles; rosto comprido, barbado, solene. Tinha os mesmos olhos de pedra dos demais, mas os seus pareciam tristes. – Ele tampouco possui uma espada.
Era verdade.
– Alguém esteve aqui embaixo roubando espadas. A de Brandon se foi também"Aquele rei está sentindo falta da espada", observou Lady Dustin.
(ADWD, O Vira-casaca)
Suponhamos que o verdadeiro objetivo da Senhora Dustin nas criptas seja confirmar a história de Wex. O que ela conta a Theon sobre sua história pessoal com os Starks não é mentira, é claro, mas também serve como cortina de fumaça para suas investigações, caso Ramsay (ou, pior ainda, Roose) questione suas ações. Embora a Senhora Dustin avise Theon para não repetir nada do que ela disse, ela deve saber que ele falharia na tentativa de manter segredos dos Bolton, se eles perguntassem abertamente. Theon e sua crença de que ela odeia os Starks são seu álibi.
No entanto, Roose parece ter certeza da lealdade da Senhora Dustin à Casa Bolton. Por que ela o abandonaria? Para começar, o que quer que os Starks tenham cometido com ela não muda o fato de que Rickard, Brandon e (agora) Ned estão todos mortos. Portanto, não são mais alvos satisfatórios de seu ressentimento. É verdade que a Senhora Dustin ainda pode guardar rancor contra os Starks. Porém não tanto quanto por Ramsay. A Senhora Dustin despreza Ramsay, e o sentimento é inteiramente mútuo.
– Deveria ter sido você a organizar o banquete, para celebrar meu retorno – Ramsay reclamou –, e deveria ter sido no Solar Acidentado, não nessa latrina de castelo.
– Solar Acidentado e suas cozinhas não estão a minha disposição – seu pai disse suavemente. – Sou apenas um convidado lá. O castelo e a cidade pertencem à Senhora Dustin, e ela não pode sustentá-lo lá.
O rosto de Ramsay ficou sombrio.
– Se eu cortar as tetas dela e der de comer para minhas garotas, ela me sustentará então? Ela me sustentará se eu arrancar a pele dela para fazer um par de botas para mim?
– Improvável. E essas botas sairiam caras. Elas nos custariam Vila Acidentada, a Casa Dustin e os Ryswell. – Roose Bolton sentou-se do outro lado da mesa, de frente para o filho. – Barbrey Dustin é a irmã mais nova da minha segunda esposa, filha de Rodrik Ryswell, irmã de Roger, Rickard e do meu homônimo Roose, prima dos outros Ryswell. Ela gostava do meu falecido filho e suspeita que você tenha alguma coisa a ver com a morte dele. A Senhora Barbrey é uma mulher que sabe nutrir uma mágoa. Seja grato por isso. Vila Acidentada é leal aos Bolton em grande parte porque ela ainda culpa Ned Stark pela morte do marido.
Leal? – Ramsay fervilhava. – Tudo o que ela faz é cuspir em mim. Chegará o dia em que colocarei fogo em sua preciosa cidade de madeira. Deixe ela cuspir nisso, para ver se apaga as chamas.
(ADWD, Fedor III)
O fato de Ramsay ter assassinado Domeric Bolton a sangue frio é um dos segredos mais mal guardados do Norte. Acho que a Senhora Dustin prefere que a justiça seja feita contra o assassino de seu amado sobrinho do que, em nome de sua vingança contra os Starks, continuar a apoiar um regime que legitima Ramsay como herdeiro. De todo modo, os Stark nem seriam culpados pela morte de seu marido, já que Lorde Dustin decide ir para o sul por seu próprio orgulho.
Além disso, a Senhora Dustin não estaria sozinha em sofrer se Ramsay herdarsse, legalmente ou não, o controle do norte. Vila Acidentada e seus habitantes poderão ser vítimas da ira indiscriminada de Ramsay, e os senhores menores sob a proteção dela, como Stout, provavelmente não se sairão muito melhor. No caso improvável de que Ramsay de alguma forma se contenha de responder ofensas passadas com fúria assassina, ele ainda não demostrou ter interesse em colocar o bem-estar de suas terras e povo sobre seu próprio bel-prazer egoísta. Tudo o que se pode dizer sobre os Starks, bons ou ruins, é que eles são governantes justos e nos quais pode-se confiar para proverem o Norte durante um inverno rigoroso, como fizeram por milhares de anos.
Por fim, a Senhora Dustin traça paralelos entre Theon e ela mesma. Theon, que percebeu que nunca odiava verdadeiramente os Starks. Ele os amava como a única família que conheceu e estava rancoroso por não poder ser um deles por completo. Faz dezesseis anos desde a Rebelião de Robert. Certamente, a Senhora Dustin fez uma pequena auot-reflexão e possivelmente chegou à mesma conclusão que Theon? Ela amava Brandon e talvez Lyanna também, como uma irmã, sendo ambas selvagens, ferozes e bonitas?
Em minha opinião, quando ela sai das criptas, a Senhora Dustin teria decidido participar da conspiração de Manderly. E ela traz os Ryswells consigo.
Há algum indício sobre a mudança de fidelidade da Senhora Dustin e Ryswell? Sim, de fato existem!
[Dustin:] E Lorde Wyman não é o único homem que perdeu um parente em seu Casamento Vermelho, Frey. Acha que o Terror-das-Rameiras tem algum bom sentimento por você? Se vocês não tivessem prendido Grande-Jon, ele teria arrancado suas entranhas e feito vocês comê-las, como a Senhora Hornwood comeu seus dedos. Flint, Cerwyn, Tallhart, Slate... todos tinham homens com o Jovem Lobo.
– A Casa Ryswell também – disse Roger Ryswell.
– Até os Dustin fora de Vila Acidentada – a Senhora Dustin separou seus lábios em um sorriso fino e selvagem. – O Norte se lembra, Frey.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Não apenas nós, leitores, ficamos sabendo que Ryswells e Dustins morreram no Casamento Vermelho, mas vimos a Senhora Dustin citar o slogan da vingança de Manderly para um Frey com um sorriso decididamente lupino.
– Para lutar com Lorde Stannis, temos que encontrá-lo primeiro – Roose Ryswell observou. – Nossos batedores saíram pelo Portão do Caçador, mas até agora nenhum deles retornou.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Batedores Ryswell? Agora, lembre-se de que uma teoria coloca Robett Glover como líder do segundo exército do Norte, fora dos muros de Winterfell, o qual teria subido a Faca Branca no rastro de Manderly e se aproximado sob a cobertura da tempestade de neve. Talvez esses batedores desaparecidos tenham ordens para entrar em contato com Glover e informá-lo sobre a evolução da coisa em Winterfell? Ao menos eles não foram encontrados, vivos ou mortos, pelos homens de Stannis.
– Qualquer homem lá fora, neste tempo, estará com o pau congelado. [riu Rickard Ryswell]
– Lorde Stannis está perdido na tempestade – disse a Senhora Dustin. – Está a quilômetros de distância, morto ou moribundo. Deixe o inverno fazer o pior. Alguns poucos dias e as neves enterrarão ele e seu exército.
E nós também, pensou Theon, impressionado com a tolice da mulher. A Senhora Barbrey era do Norte e deveria saber mais. Os velhos deuses estariam ouvindo.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Talvez ela saiba mais, mas está tentando ganhar tempo. Tanto para os conspiradores finalizarem seus preparativos quanto para Stannis chegue com um exército de reserva.
– O que está sugerindo, Frey? – O Senhor de Porto Branco secou a boca com a manga. – Não gosto do seu tom, sor. Não, nem um maldito bocado.
– Vá para o pátio, seu saco de sebo, e eu servirei todos os malditos bocados que seu estômago aguentar – disse Sor Hosteen.
Wyman Manderly riu, mas meia dúzia de seus cavaleiros ficou em pé ao mesmo tempo. Coube a Roger Ryswell e Barbrey Dustin acalmá-los com palavras apaziguadoras. Roose Bolton não disse nada. Mas Theon Greyjoy viu um olhar em seus olhos claros que nunca vira antes – uma inquietação e, até mesmo, uma pitada de temor.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Roose sabe há muito tempo que Manderly planeja uma traição (ADWD, Fedor III), mas o fato de que Lorde Wyman tenha abandonado a cautela, antagonizando abertamente os Freys durante a ceia, deveria sugerir que os planos de seus amigos estão alcançando o objetivo. E não acredito que Roose tenha certeza de quais são esses planos ou quem está envolvido neles, daí o medo inquieto que Theon observa.
Com Lady Dustin e os Ryswells a bordo, praticamente todas as Casas nortenhas em Winterfell se viraram contra os Boltons, deixando de fora os Freys, que neste momento são homens mortos andando. Manderly provacando os Frey no último POV de Theon pode ter sido um ato premeditado para estimular que Roose fizesse exatamente o que ele fez. Ou seja, enviar os homens de Frey e Porto Branco juntos para dar batalha a Stannis. Muito provavelmente, em minha opinião, as forças de Manderly darão um golpe nos Freys na primeira boa oportunidade que tiverem – digamos, depois que a vanguarda dos Frey cair em um lago congelado – depois debater com Stannis e os quatro mil nortenhos que ele tem sobre como tomar Winterfell e remover os Boltons do poder.

O Problema com Stannis Baratheon

Grande Jon Umber já teve uma coisa ou duas a dizer sobre Stannis.
Renly Baratheon não é nada para mim, e Stannis também não. Por que haveriam de governar a mim e aos meus de uma cadeira florida qualquer em Jardim de Cima ou Dorne? Que sabem eles da Muralha ou da Mata de Lobos, ou das sepulturas dos Primeiros Homens? Até os seus deuses estão errados. Que os Outros levem também os Lannister, já tive deles mais do que a minha conta – esticou a mão atrás do ombro e puxou a sua imensa e longa espada de duas mãos. – Por que não havemos de nos governar de novo a nós mesmos? Foi com os dragões que casamos, e os dragões estão todos mortos! – apontou com a lâmina para Robb. – Está ali o único rei perante o qual pretendo vergar o meu joelho, senhores – trovejou. – O Rei do Norte!
(AGOT, Catelyn XI)
Bem, como se vê, Stannis realmente conhece pouco sobre a Muralha e da Mata dos Lobos, mas está disposto a aprender, através de uma experiência dolorosa em primeira mão. Sua determinação corajosa em A Dança dos Dragões de ver o Norte livfre dos Boltons e Freys ganhou muitos admiradores. E, para esses e outros leitores, parecia completamente ingrato que os nortenhos subsequentemente rejeitem Stannis como seu rei em uma traição que certamente manchará para sempre a honra do norte.
Infelizmente para Stannis, no entanto, existem dois fatores principais trabalhando contra ele: 1) Seu deus vermelho, sempre faminto por sacrifícios, ainda é o errado. 2) Os nnortenhos simplesmente amam mais os Starks e não se importam com o Trono de Ferro.
Seis homens da rainha lutavam para colocar dois enormes postes de pinheiro em buracos que outros seis homens da rainha haviam cavado. Asha não teve que perguntar para que serviam. Ela sabia. Estacas. O anoitecer estaria sobre eles em breve, e o deus vermelho precisava ser alimentado. Uma oferenda de sangue e fogo, os homens da rainha chamavam, para que o Senhor da Luz possa voltar seus olhos de fogo sobre nós e derreter estas neves três vezes amaldiçoadas.
– Mesmo neste lugar de medo e escuridão, o Senhor da Luz nos protege – Sor Godry Farring disse para os homens que haviam se reunido para ver as estacas sendo marteladas dentro dos buracos.
– O que esse seu deus sulista tem a ver com a neve? – exigiu saber Artos Flint. Sua barba negra tinha uma crosta de gelo. – Isso é a ira dos antigos deuses sobre nós. É a eles que devemos agradar.
– Sim – disse Grande Balde Wull. – O Rahloo vermelho não significa nada aqui. Vocês apenas deixarão os antigos deuses mais zangados. [...]
Os quatro foram acorrentados de costas uns para os outros, dois em cada estaca. [...]À visão de Stannis, dois dos homens atados às estacas começaram a implorar por misericórdia. O rei ouviu em silêncio, sua mandíbula cerrada. Então disse para Godry Farring:
– Pode começar. [...]
Depois de um tempo, os gritos pararam. [...]
Clayton Suggs esgueirou-se ao lado dela.
– A boceta de ferro gostou do espetáculo? [...] A multidão será ainda maior quando for você se contorcendo na estaca. [...]
[Alysane:] A Senhora Asha não será queimada.
– Ela será – insistiu Suggs. – Já abrigamos essa adoradora do demônio entre nós por muito tempo. [...]
A Mulher-Ursa falou.
– E se você a queimar e a neve continuar a cair, e então? Quem queimará em seguida? Eu?
Asha não pôde segurar a língua.
– Por que não Sor Clayton? Talvez R’hllor goste de um dos seus. [...]
Sor Justin riu. Suggs achou menos graça.
– Aproveite suas risadinhas, Massey. Se a neve continuar a cair, veremos quem vai rir por último. – Olhou para os homens mortos nas estacas, sorriu e foi se juntar a Sor Godry e os outros homens da rainha. [...]
[Massey:] Se juntarão a mim [para cear], minhas senhoras?
Aly Mormont sacudiu a cabeça.
– Não tenho fome.
– Nem eu. Mas faria bem em engolir um pouco de carne de cavalo mesmo assim, ou em breve poderá desejar ter feito isso. [...]
Aly sacudiu a cabeça.
– Eu não.
(ADWD, O Sacrifício)
Eu penso que seja seguro concluir que Alysane Mormont não está impressionado com R'hllor, seus seguidores ou que o rei Stannis aprove práticas tão cruéis. Tampouco estão os homens do clã das montanhas. Curiosamente, no jantar, Artos Flint, Grande Balde Wull e o resto dos líderes dos clãs não são mencionados, possivelmente indicando que estão ausentes. Isso levou a algumas especulações de que a reunião de Alysane com os Liddles, Norreys, Wulls e Flints, cujos julgamentos iniciais de Stannis teria sido favorável enquanto ele comeu e bebu com eles.
Jon avisa Melisandre que os clãs das montanhas não admitirão insultos às suas árvores do coração (ADWD, Jon IV). Melisandre não acompanha Stannis a Winterfell, mas, no entanto, o devido respeito não foi pago aos deuses antigos. Pior ainda, com Flints e Norreys em Castelo Negro, as notícias poderiam muito bem se espalhar sobre como a sacerdotisa vermelha de Stannis e os homens da rainha forçam os selvagens a queimar pedaços dos represeiros sagrados do norte ao atravessar a Muralha (ADWD, Jon III). Os nortenhos estão dispostos a tolerar a adoração dos Sete, pois criar algumas seitas aqui e ali não perturba seus bosques sagrados, mas R'hllor é um deus ciumento e seus arrogantes devotos sulistas fariam conversões à força.
Enquanto Stannis, sua rainha ou seus homens continuarem apoiando o R’hllorismo fanático, ele, em minha opinião, nunca poderá deter o Norte. Até Porto Branco será cauteloso, pois os Sete já foram usados para acender os fogos de R'hllor, assim como os deuses antigos, e muitos do povo de Manderly sem dúvida adotaram a religião dos Primeiros Homens nos mil anos desde que aqueles procuraram refúgio com os Starks.
Sobre o segundo obstáculo de Stannis, um aspecto marcante da história de Westeros após a conquista é o quão isolacionista o Norte permanece até a Rebelião de Robert (e até depois). Embora oficialmente sejam parte do reino e estejam sujeito à autoridade do Trono de Ferro, os Stark ainda são, extraoficialmente, reis em tudo, exceto no nome. O número de Targaryens que se aventuraram ao norte do Gargalo nos últimos trezentos anos pode ser contado em uma mão: 1-2) Rei Jaehaerys, o primeiro de seu nome, com sua esposa, a boa rainha Alysanne, seus dragões e metade da corte; 3) Egg enquanto se disfarçava com Dunk no próximo conto “The She-Wolves of Winterfell”; 4-5) Meistre Aemon, acompanhado por Corvo de Sangue, ambos para tomar o preto. Mesmo Robert nunca o visita, exceto em A Guerra dos Tronos (e nove anos antes para acabar com a revolta de Balon Greyjoy).
Enquanto quem quer que esteja sentado Trono de Ferro permaneça em Porto Real, todo o resto do reino sente-se bem fingindo que o Norte não é efetivamente auto-governado por Winterfell. Suspeito, porém, que Stannis, inflexível em exigir sua merecida lealdade como o legítimo rei de Westeros, não ficará satisfeito com um acordo por meio do qual seus comandos reais devem primeiro ser aprovados por um Stark antes de serem postos em prática.
No entanto, ao se opor a isso, ele estaria desafiando o legado Stark. Que alcançou status quase mítico após milhares de anos de domínio mais ou menos contínuo. Quando o Norte é ameaçado por selvagens ou homens de ferro, são os Starks que chamam os homens às armas. Um Stark construiu a Muralja e liderou a luta contra os Outros. Os Stark expulsou os ândalos invasores, fizeram do Norte o único reino dos Primeiros Homens que ainda resta, mas entregaram voluntariamente sua coroa aos Targaryen para poupar seu povo do fogo do dragão. Eles servem a seu tipo distinto de justiça para desertores e outros criminosos. Eles punem bandidos rebeldes, tomam reféns quando necessário e casam-se com as famílias do Norte em busca de alianças. Com as paredes aquecidas e os jardins de vidro de Winterfell, os Stark provavelmente fornecem necessidades básicas (comida, abrigo) para os plebeus durante os longos invernos. De inúmeras maneiras, grandes e pequenas, os Starks provaram seu valor. Tanto é assim que mesmo seus inimigos seculares, os selvagens, não suportam ouvir Theon Vira-casaca pronunciar o lema dos Stark (ADWD, Theon I).
Em minha opinião, nenhum senhor sulistas pode esperar competir com a idéia dos Starks. Com o que eles passaram a representar para os nortennhos através da longa associação de muitas gerações: proteção e estabilidade em tempos difíceis de inverno. Alys Karstark, por exemplo, procura a ajuda de Jon – não a de Stannis – na condição de "o último filho de Eddard Stark", apesar de que Robb tenha decapitado seu pai e da ostensiva neutralidade da Patrulha da Noite (ADWD, Jon IX).
Além do mais, os nortenhos não juraram a Stannis nenhum voto aos quais eles se considerariam obrigados a seguir. A Grande Conspiração Nortenha, se verdadeira, antecede a chegada de Stannis à Muralha. Os Mormonts, os Glovers, Manderly e os outros partidários dos Stark teriam agido contra os Boltons com ou sem Stannis. E agora, em Winterfell, Stannis depende dos homens nortenhos que compõem a maior parte de seu exército, especialmente devido ao desgaste de seus cavaleiros sulistas.
Então, onde isso deixa Stannis? Quando um Stark estiver em Winterfell novamente, os nortenhos poderiam lhe dizer: “Agradecemos a ajuda, Sua Graça. Saiba que o norte estará sempre aberto para você e os seus. O trono de ferro? É por ali, e você é bem-vindo a sentar nele. Mate alguns Lannisters por nós!”. O que Stannis poderia fazer a respeito se os senhores do Norte se recusassem a se juntar à guerra dele? Nada, na verdade.
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2020.02.29 03:57 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 1

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/52681254060
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6
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[...] Agradecimentos aos usuários, especialmente tze , do fóruns do Westeros.org, que montaram essa teoria. Os tópicos originais podem ser lidos aqui e aqui .

O norte se lembra

Entre os momentos mais memoráveis e impressionantes da ADWD, estão os nortenhos que expressando eternos amor e lealdade aos Starks, apesar de a casa parecer estar à beira da extinção - herdeiros mortos, desaparecidos ou em cativeiro; sua sede ancestral em ruínas e ocupada por inimigos.
Lyanna Mormont, de dez anos, rejeita categoricamente Stannis Baratheon como seu rei.
– A Ilha dos Ursos não reconhece nenhum rei que não o Rei do Norte, cujo nome é STARK. [...]
(Jon I, ADWD)
Wylla Manderly, uma garota com menos de quinze anos, acha insuportáveis as mentiras traiçoeiras dos Frey e as denuncia ao ouvidos de toda a corte de seu avô.
– Mil anos antes da Conquista, foi feita uma promessa, e votos foram jurados na Toca do Lobo, diante dos velhos deuses e dos novos. Quando estávamos feridos e sem amigos, expulsos de nossas casas e com nossas vidas em perigo, os lobos nos acolheram, nos alimentaram e nos protegeram contra nossos inimigos. Esta cidade foi construída sobre as terras que eles nos deram. Em troca, juramos que seríamos sempre homens deles. Homens dos Stark!
(Davos III, ADWD)
Os homens do clã das montanhas do norte enfrentam a morte em razão do inverno e da espada, às centenas fazendo uma marcha árdua até Winterfell, apenas para tentar salvar a filha de Ned Stark.
- [...] O inverno está quase sobre nós, rapaz. E o inverno é a morte. Eu prefiro que meus homens morram lutando pela garotinha de Ned do que sozinhos e famintos na neve, chorando lágrimas que vão congelar em suas bochechas. Ninguém canta canções sobre homens que morrem assim. Quanto a mim, estou velho. Este será meu último inverno. Deixe que me banhe em sangue Bolton antes de morrer. Quero senti-lo espirrar em meu rosto quando enterrar meu machado em um crânio Bolton. Quero lamber o sangue dele de meus lábios e morrer com o gosto na boca..
(ADWD, O prêmio do rei)
E, é claro, Wyman Manderly, que foi corajoso a ponto de assar seus inimigos em tortas de Frey e servi-las aos usurpadores Boltons em um banquete de casamento.
- [...] Inimigos e falsos amigos estão ao meu redor, Lorde Davos. Infestaram minha cidade como baratas, e à noite posso senti-los rastejando sobre mim. – Os dedos do homem gordo se dobraram fechando o punho, e todos os seus queixos tremiam. – Meu filho Wendel foi para as Gêmeas como convidado. Comeu o pão e o sal de Lorde Walder e pendurou sua espada na parede para banquetear com amigos. E eles o assassinaram. Assassinaram, eu digo, e que os Frey se engasguem com suas fábulas. Bebi com Jared, brinquei com Symond, prometi para Rhaegar a mão da minha amada neta... mas nunca pense que isso significa que me esqueci. O Norte se lembra, Lorde Davos. O Norte se lembra, e a farsa está quase no fim.
(ADWD, Davos IV)
É tudo terrivelmente inspirador. E ao perceber o jogo de Manderly, ao ver quão profundo é o ódio pelos Boltons e Freys, alguns começaram a se perguntar se não há mais. Assim nasceu a Grande Conspiração Nortenha. No final da Dança dos Dragões, quase todas as casas do norte estão secretamente conspirando juntas para recolocar os Starks no poder, jogando Stannis e os Boltons uns contra os outros com o bônus de matar muitos e muitos Freys. Além do mais, especula-se que os conspiradores não querem apenas um Stark em Winterfell, mas um rei no Norte novamente. E os nortenhos já chegaram a um acordo sobre cuja cabeça a coroa de Robb deve enfeitar, embora ainda não tenham informado o bastardo sortudo.
Jon Stark, rei do inverno
Lembremos que há dois livros e quinze anos atrás Robb provavelmente legitimou Jon e nomeou seu meio-irmão rei no norte, caso ele morresse sem filhos.
[Robb:] “Um rei precisa ter um herdeiro. Se morrer em minha próxima batalha, o reino não pode morrer comigo. Pela lei, Sansa é a seguinte na linha de sucessão, portanto, Winterfell e o Norte devem passar para ela. – A boca dele comprimiu-se. – Para ela, e para o senhor seu esposo. Tyrion Lannister. Não posso permitir que isso aconteça. Não permitirei. Esse anão não pode nunca possuir o Norte.
– Não – concordou Catelyn. – Tem de nomear outro herdeiro, até o momento em que Jeyne lhe dê um filho. – Refletiu por um momento.
– O pai do seu pai não tinha irmãos, mas o pai dele tinha uma irmã que se casou com um filho mais novo de Lorde Raymar Royce, do ramo menor da casa. Eles tiveram três filhas, todas as quais casaram com fidalgos do Vale. Um Waynwood e um Corbray com certeza. A mais nova... pode ter sido um Templeton, mas...
– Mãe. – Havia certa rispidez no tom de Robb. – Está se esquecendo. Meu pai teve quatro filhos homens.
Catelyn não tinha se esquecido; não quis encarar o fato, mas ali estava.
– Um Snow não é umStark.
– Jon é mais Stark do que um fidalgo qualquer do Vale que nunca sequer pôs os olhos em Winterfell.
– Jon é um irmão da Patrulha da Noite, e jurou não tomar esposa nem possuir terras. Aqueles que vestem o negro servem para a vida.
– O mesmo acontece com os cavaleiros da Guarda Real. Isso não impediu os Lannister de arrancar o manto branco de Sor Barristan Selmy e de Sor Boros Blount quando deixaram de ter utilidade para eles. Se eu enviar à patrulha uma centena de homens para o lugar de Jon, aposto que vão encontrar alguma maneira de libertá-lo de seus votos.
Ele está decidido a fazer isso. Catelyn sabia como o filho podia ser teimoso.
– Um bastardo não pode herdar.
– É verdade, a menos que seja legitimado por decreto real – disse Robb. [...]
– [...] Já pensou em suas irmãs? E os direitos delas? Concordo que não podemos permitir que o Norte passe para o Duende, mas e Arya? Por lei, ela vem depois de Sansa... sua própria irmã, legítima...
– ... e morta. Ninguém viu ou ouviu falar de Arya desde que cortaram a cabeça do pai. Por que você mente para si mesma? Arya partiu, assim como Bran e Rickon, e matarão também Sansa assim que o anão conseguir dela um filho. Jon é o único irmão que me resta. Se eu morrer sem descendência, quero que ele me suceda como Rei no Norte. Tive a esperança de que apoiasse a minha escolha.
– Não posso – disse ela. – Em tudo o mais, Robb. Em tudo. Mas não nessa... nessa loucura. Não me peça isso.
– Não tenho de pedir. Sou o rei. – Robb virou-se e afastou-se, com Vento Cinzento saltando de cima da tumba e pulando atrás dele.
(ASOS, Catelyn V)
Agora, os advogados do diabo argumentaram que Robb talvez mudou de idéia sobre nomear Jon como seu herdeiro após essa conversa com Catelyn, a qual o lembra (não resumidamente) de sua confiança indevida em Theon, outro que ele considerava um irmão. Além disso, os Lannister dificilmente parecem adequados como modelo de como liberar alguém de seus votos honrosamente, e o Norte geralmente tem a Patrulha da Noite em uma estima muito mais alta do que o resto de Westeros.
Por outro lado, imagino que a disposição dos senhores do norte de isentar Jon das antigas leis e tradições seja diretamente proporcional ao quanto eles desprezam cogitar um filho de Sansa com Tyrion, um filho da falsa Arya com Ramsay , ou um senhor aleatório do Vale que herdou Winterfell e a lealdade deles. Acho que o que todos podemos concorda é com a chegada de um fogaréu mais quente que a Peridção de Valíria, [risadas]. Além do que, existe um precedente para um conselho de nobres liberar um meistre de seus votos – o qual é muito semelhante ao juramento da Patrulha no que concerne a celibato, neutralidade política e serviço vitalício - com a bênção de um oficial religioso reconhecido.
[Mormont:] Você sabe que podia ter sido rei?
Jon foi pego de surpresa.
– Ele contou-me que o pai foi rei, mas não… Julguei que talvez fosse um filho mais novo.
– E era. [...]– Aemon estava às voltas com seus livros quando o mais velho dos seus tios, herdeiro da coroa, foi morto num acidente de torneio. Deixou dois filhos, mas seguiram-no para a sepultura não muito tempo depois, durante a Grande Peste da Primavera. O Rei Daeron também foi levado, e por isso a coroa passou para o segundo filho de Daeron, Aerys. [...] Aemon fez seus votos e deixou a Cidadela para servir na corte de algum fidalguinho… até que seu real tio morreu sem deixar descendência. O Trono de Ferro passou para o último dos quatro filhos do Rei Daeron. Esse era Maekar, pai de Aemon. [...]Menos de um ano depois [Aerion morrer bebendo fogovivo], Rei Maekar morreu em batalha contra um lorde fora da lei.
Jon não era completamente ignorante em relação à história do reino; seu meistre tinha se assegurado disso.
– Esse foi o ano do Grande Conselho – ele completou. – Os senhores passaram por cima do filho pequeno do Príncipe Aerion e da filha do Príncipe Daeron e deram a coroa a Aegon [V, o Improvável].
– Sim e não. Primeiro, ofereceram-na, discretamente, a Aemon. E ele, também discretamente, a recusou. Disselhes que os deuses queriam que servisse, não que governasse. Que tinha prestado um juramento e não o quebraria, apesar de o próprio Alto Septão ter se oferecido para absolvê-lo [...]
(ACOK, Jon I)
Os vassalos leais de Robb poderiam concebivelmente fazer o mesmo por Jon, pois afirmam que o Norte é um reino independente. O fato de Jon ter feito seus votos aos deuses antigos é uma complicação ou um obstáculo a menos para se preocupar. Bran e Corvo de Sangue, que têm algum interesse em ver Jon ser coroado rei, sem dúvida ficariam felizes em fornecer um sinal aos nortenhos, se é isso que eles ou Jon exigem.
Tudo isso à parte, o tom de Robb em suas respostas às objeções de Catelyn me parece sugerir que ele já se decidiu. Ele vai nomear Jon seu herdeiro não importa o que a sua mãe ou qualquer outra pessoa tenha a dizer dele. Robb reconhecendo formalmente Jon um verdadeiro filho de Eddard Stark, digno de Winterfell, também tem a vantagem de finalmente resolver um arco de personagem iniciado por Jon em A Tormenta de Espadas quando Stannis se oferece para legitimá-lo.
Tinham treinado juntos [ Jon e Robb] todas as manhãs, desde que tiveram idade suficiente para andar; Snow e Stark, rodopiando e golpeando-se pelos pátios de Winterfell, gritando e rindo, e às vezes chorando quando ninguém estava vendo. Quando lutavam não eram garotinhos, e sim cavaleiros e poderosos heróis. “Eu sou o Príncipe Aemon, o Cavaleiro do Dragão”, gritava Jon, e Robb gritava em resposta: “Bem, eu sou Florian, o Bobo”. Ou então Robb dizia: “Eu sou o Jovem Dragão”, e Jon respondia: “Eu sou Sor Ryam Redwyne”.
Naquela manhã tinha sido ele quem gritou primeiro.
– Eu sou o Senhor de Winterfell – gritou, como gritara cem vezes antes. Mas daquela vez, daquela vez, Robb respondeu:
– Você não pode ser Senhor de Winterfell, é um bastardo. A senhora minha mãe diz que nunca poderá ser Senhor de Winterfell.
Achava que tinha esquecido isso.
(ASOS, Jon XII)
Nem o desejo de Jon por Winterfell nem sua vergonha e culpa por desejar mal (ainda que obliquamente) a seus amados irmãos diminuíram em Dança dos Dragões.
Naquela noite, sonhou […]
Jon estava com uma armadura de gelo negro, mas sua lâmina queimava vermelha em seu punho. Conforme os mortos chegavam ao topo da Muralha, ele os enviava para baixo, para morrer novamente. Matou um ancião e um garoto imberbe, um gigante, um homem magro com dentes afiados, uma garota com grossos cabelos vermelhos. Tarde demais, reconheceu Ygritte. Ela se foi tão rápido quanto aparecera.
O mundo se dissolveu em uma névoa vermelha. Jon esfaqueava, fatiava e cortava. Atingiu Donal Noye e tirou as vísceras de Dick Surdo Follard. Qhorin Meia-Mão caiu de joelhos, tentando, em vão, estancar o fluxo de sangue do pescoço.
– Sou o Senhor de Winterfell – Jon gritou. Robb estava diante dele agora, o cabelo molhado com neve derretida. Garralonga cortou sua cabeça fora.
(ADWD, Jon XII)
No entanto, não muito diferente de Theon, o que Jon realmente procura é uma afirmação de que ele é um Stark, apesar de seu nascimento bastardo, em minha opinião. O último desejo de Robb ser que Jon o suceda como Rei do Norte atenderia a essa necessidade (mesmo que Jon se recuse como fez com Stannis) enquanto cria um enredo de “herdeiro de Winterfell” que deve atrair Davos e Rickon, bem como Sansa e Mindinho, consolidando muitas subtramas.
Apenas dois fatores podem efetivamente anular a pretensão de Jon sobre Winterfell, em minha opinião: 1) Jeyne Westerling estar grávida do filho e herdeiro de Robb. 2) Os que testemunharam o decreto de Robb estão mortos ou impedidos de divulgar as notícias.
Por um tempo, a primeira opção era uma teoria de certa reputação, baseada em uma discrepância nas avaliações de Catelyn e Jaime sobre os quadris de Jeyne. O Peixe Negro teria supostamente contrabandeado Jeyne de Correrrio, ajudado por Eleyna Westerling, que teria fingido ser sua irmã. Desde então, um relato de fãs ligeiramente apócrifo pegou GRRM admitindo que as diferentes descrições são simplesmente um erro. Talvez ainda mais danoso seja a gravidez de Talisa criada para a série de TV e a subsequente morte no Casamento Vermelho. Embora Talisa não seja Jeyne, o papel que seu casamento com Robb desempenha é semelhante, de modo que David Benioff e DB Weiss mostraram que estão cientes das teorias populares dos fãs e não estão acima de provocar os leitores dos livros, como fizeram com a fala de Cersei em “Valar Dohaeris ”(GoT s03e01) sobre os rumores de Tyrion ter perdido o nariz. A morte violenta de Talisa - esfaqueada repetidamente no bebê, por assim dizer - pode ser o modo que D&D acharam de matar especulações futuras sobre Jeyne, sendo assim encarado com frequência.
Eu nunca gostei muito da teoria de Jeyne Westerling, francamente. Qualquer filho de Jeyne poderia ser nada mais que um rei fantoche, incapaz de governar em seu próprio direito por anos, e faria Rickon tão supérfluo que todo mundo provavelmente deveria parar de se preocupar em lembrar que ele também é um Stark. Portanto, não tenho escrúpulos em tratar Jeyne como um instrumento do enredo usado por GRRM para se livrar de Robb e em não incluí-la em discussões adicionais sobre a perspectiva política do Norte.
Quanto a este último ponto, os senhores presentes para testemunhar o decreto de Robb foram os seguintes: Grande Jon Umber, Galbart Glover, Maege Mormont, Edmure Tully e Jason Mallister (Catelyn V, ASOS). Todos ainda vivem, mas o Grande Jon é refém dos Freys e Lannisters para garantir o bom comportamento de seus parentes, e Mallister é um prisioneiro em seu próprio castelo, por cortesia de Walder Negro (Jaime VI, AFFC). Lorde Galbart e Lady Maege? Edmure? Bem, que tipo de coisas interessantes eles têm feito desde o A Tormenta de Espada será o assunto dos próximos posts.
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2020.02.09 16:02 ankallima_ellen As Aventuras de Gabi nas Terras do Estrogênio – Sexagésima Primeira Semana

Início, meio, fim. Recomeço? Com a chegada de um novo ano, muitas de nós somos levadas a celebrar o fim de um ciclo junto com o começo de mais um. Reflexões diversas. Onde erramos? O que aprendemos? Em que melhorar? Podemos nos renovar? Meu 2019 foi um ano de inúmeras reinvenções. Reflexo de algumas decisões tomadas ainda em 2018. Processos adiabáticos requerem paciência e perseverança. Tomam mais tempo do que gostaríamos. Depois de anos vivendo em uma prisão sem paredes, imposta por um corpo e um papel que não nos vestem, temos pressa. Queremos colocar tudo em movimento. Queremos os frutos para ontem.
Em 2019 colhi muitos desses frutos e plantei outros. Vi o desabrochar do meu corpo. Uma lenta convergência entre a imagem que vejo no espelho e aquela que imagino. Sofri com uma disforia genital violenta, cuja causa ainda me elude por mais latente que agora esteja. Há questões ainda a destrinchar. Pouco mais de ano e meio nessa jornada certamente é insuficiente para tão ousada empreitada. Pude começar a enterrar o nome morto. Legalmente mulher. Legalmente Gabrielle. Tive medo, porém dei a cara à tapa. Um misto de coragem e desespero. Uma necessidade. Sair do armário foi ao mesmo tempo deveras assustador e recompensador. Não apenas por finalmente poder ser eu mesma, mas sobretudo por perceber que não estou sozinha. Quem tem amigos tem tudo. Claro, perdi pessoas queridas. Mas não se pode ganhar tudo. Fico feliz em ser amada como sou pela mulher que mais amo e admiro neste universo. Um luxo que infelizmente quase sempre é negado a corpos trans.
Quais serão os desafios para 2020? Claro, sobreviver no país que mais mata mulheres trans e travestis no mundo já é um baita feito. Ainda mais quando se insiste em tentar fazer a diferença ocupando espaços que até há pouco nos eram proibidos. Contudo, o que mais quero é estar bem comigo e ser feliz com a esposa. Quiça, finalmente nos casaremos no papel. Sonho de menina que não se aceitava menina e por isso não sonhava em casar. De fato, tinha ojeriza a qualquer coisa relacionada a casamento. A repressão funciona de formas tão torpes e tortas.
Em suma, não sei se quero me reinventar neste ano. Contento-me com me aprimorar. Ainda há muito a lapidar. Acho que estou me apaixonando mais e mais por quem me torno dia após dia e quero ver aonde essa trilha vai me levar. Nem tudo na vida é cíclico. Algumas coisas como a transição são bem lineares: começo, meio e fim. Um transiente entre dois estados: sofrimento e serenidade. O início certamente é fácil de identificar, muito embora não haja consenso em que evento comemorar. A descoberta de ser trans? A aceitação? O início da terapia hormonal? A saída do armário? A queda do nome morto? As cirurgias? Na dúvida comemoro todos cujas datas me lembro. Já o fim, parece-me muito mais elusivo. Muito mais difícil de precisar. Certo apenas que me encontro ainda no meio do caminho. Há muitas dúvidas e muita esperança do que apenas os hormônios podem tornar real. O que eu não ganhar na loteria da genética, talvez corrija na faca. Talvez precise arriscar um pouco mais para encontrar a minha plenitude. Sou uma obra inacabada.

Uma ótima semana a todes!
Beijos,
Gabi
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2020.01.20 03:58 altovaliriano Arya Stark

Mais uma vez o “sábado de personagens” deslocado para o domingo. E mesmo assim atrasa...
Hoje, Arya Stark é a personagem da semana.
Arya é literalmente a filha do meio de Catelyn e Eddard. A terceira de cinco. A segunda do sexo feminino. Mas é a única criança de Catelyn que se parece com uma Stark. Esta constatação, isoladamente, já revela como Arya se diferencia de seus irmãos.
Porém, o caso de Arya vai mais além. Ela herdou o espírito selvagem da família de Eddard, sendo especialmente parecida com sua falecida tia Lyanna. Talvez por isso que Ned tenha tanta tolerância com Arya e seus ímpetos aventureiros e inclinações marciais. De todo modo, Ned não poderia alegar desconhecer que sua filha não aceita exercer os papéis que são relegados às mulheres nos Sete Reinos:
– E eu posso ser conselheira do rei, construir castelos ou me tornar Alta Septã?
– Você – disse Ned, dando-lhe um suave beijo na testa – casará com um rei e governará seu castelo, e seus filhos serão cavaleiros, príncipes e senhores e, sim, talvez mesmo um Alto Septão.
Arya fez uma careta.
– Não – ela protestou –, esta é a Sansa – dobrou a perna direita e voltou aos exercícios deequilíbrio. Ned suspirou e a deixou ali.
(AGOT, Eddard V)
A natureza diferenciada de Arya, porém, tem seus custos. E o principal custo é sua convivência com sua irmã Sansa. Martin chegou a declarar (vide seção abaixo) que Arya foi criada primeiro, mas que a personagem estava muito bem relacionada com os demais irmãos. Assim, ele sentiu que era necessário criar Sansa para atazana-la.
De fato, o papel de Sansa e Jeyne Poole é apenas o de ridicularizar Arya e fazer com que ela frequentemente sentisse que não tinha competência para desempenhar os papéis que eram esperados dela como mulher. Ao longo dos livros, estes sentimentos parecem não se alterar. De modo que fica cada vez mais evidente que o afeto que as irmãs nutrem uma pela outra é, no máximo, distante:
Sansa era educada demais para sorrir da desgraça da irmã, mas havia o sorriso afetado de Jeyne no seu lugar. (AGOT, Arya I)
Arya saíra ao senhor seu pai. Os cabelos eram de um castanho sem brilho, e o rosto, longo e solene. Jeyne costumava chamá-la Arya Cara de Cavalo, e relinchava sempre que ela se aproximava. (AGOT, Arya I)
Sansa sonhara em ter uma irmã como Margaery; bela e gentil, com todas as graças do mundo às suas ordens. Arya havia sido completamente insatisfatória no que tocava a ser irmã. (ASOS, Sansa II)
A Agulha era Robb, Bran e Rickon, a mãe e o pai, até Sansa. (AFFC, Arya II)
Dentre seus irmãos, Arya somente desfruta de um relacionamento próximo com seu “meio-irmão” Jon Snow. Não é coincidência que Jon seja outra pessoa por quem Sansa nutre um afeto distante. Arya e Jon dividem algumas características. Ambos não se adaptam bem à atual dinâmica familiar de Winterfell e são os parentes de Eddard que mais se assemelham a ele. Estas peculiaridades provavelmente foram as responsáveis por unir Jon e Arya.
Entretanto, muitos leitores enxergam mais do que isso. Há durante toda a saga diversos momentos em que os “meio-irmãos” pensam um no outro em contextos que sugerem inclinações românticas, ainda que platônicas.
GRRM afirma (vide seção abaixo) que tais indícios eram fortes no primeiro livro, quando ainda existia a idéia de tornar Jon e Arya um par romântico, mas que isso foi sumindo dos livros ao longo da saga. Tudo não poderia ser algum tipo de complexo fraterno.
Entretanto, não é o que se verifica nos livros seguintes. A última vez que Arya e Jon se viram foi no começo de A Guerra dos Tronos, mas eles ainda estão pensando carinhosamente um no outro mesmo nos mais recentes volumes da série:
Ygritte trotou para o lado de Jon enquanto este reduzia o passo do garrano. Ela dizia ser três anos mais velha do que ele, embora fosse quinze centímetros mais baixa; qualquer que fosse a sua idade, a garota era uma coisinha rija. Cobra das Pedras chamara-a de “esposa de lança” quando a tinham capturado no Passo dos Guinchos. Não era casada e sua arma favorita era um pequeno arco curvado feito de chifre e represeiro, mas “esposa de lança” ajustava-se a ela mesmo assim. Lembrava a Jon um pouco sua irmã, Arya*, embora esta fosse mais nova e provavelmente mais magra. Era difícil dizer se Ygritte era magra ou gorda, comtodas as*peles que usava.
(ASOS, Jon II)
Ela nunca se incomodara em ser bonita, mesmo quando era a estúpida Arya Stark. Apenas seu pai já lhe chamara daquilo. Ele, e Jon Snow, algumas vezes*. Sua mãe costumava dizer que ela poderia ser bonita se lavasse e escovasse o cabelo e tomasse mais cuidado com suas roupas, do jeito que a irmã fazia. Para a irmã, as amigas dela e todo o resto, ela fora apenas Ary a Cara de Cavalo. Mas estavam todos mortos agora, até mesmo Arya, todos menos seu meio-irmão Jon. Algumas noites, ela ouvia falarem dele nas tavernas e bordéis do Porto do Trapeiro. O Bastardo Negro da Muralha, os homens o chamavam.* Nem mesmo Jon teria reconhecido a Cega Beth, aposto. Aquilo a deixava triste*.*
(ADWD, A Garota Cega)
Em todo caso, qualquer que seja, foi este sentimento que moveu Jon Snow a abandonar seus votos e desertar a Patrulha. Assim, é algo que move Jon em direção à Arya e o leva a aceita-la da forma que ela é.
Tal qual Eddard, Jon não desdenha da aptidões de Arya. Ele foi, em verdade, o primeiro patrocinador delas, antes mesmo do pai. Ao presentar a “irmã” com Agulha, Jon semeou o terreno para que Eddard oferecesse a Arya um treinamento de dançarina da água. É notório que Eddard estava tentando desviar Arya de ambições maiores (como a cavalaria, por exemplo), mas a história de Agulha e o treinamento com a Syrio Forel forem responsáveis por plantar prenúncios frutíferos na história.
O primeiro foi tornar Braavos uma cidade com a qual Arya tinha uma ligeira familiaridade. Assim, quando ela tivesse que ir para lá, não parecesse um total tiro no escuro. A segunda é a frase que Jon Snow diz antes mesmo de presentar a irmã:
Quanto mais tempo ficar escondida, mais severa a penitência. Costurará durante todo o inverno. Quando chegar o degelo da primavera, encontrarão seu corpo ainda com uma agulha bem presa entre os dedos congelados.
(AGOT, Arya I)
Muitos leitores veem nesta frase um prenuncio de que Arya poderia morrer durante a Batalha pela Alvorada. Assim, caso se corpo fosse encontrado com a espada Agulha presa às suas mãos, saberíamos que as palavras inocente de Jon se provaram proféticas. Até mesmo poderia servir para que o corpo de Arya fosse identificado mesmo se ela estivesse com um rosto diferente.
Outro fato de nota que ocorreu a Arya antes de partir para Porto Real e todas as aventuras que se seguiram daí foi a adoção da loba gigante Nymeria. Ainda que soe natural que Arya daria um nome de uma mulher ousada para sua loba, a referência dornesa parece de alguma forma distante demais da realidade nortenha para que não haja algum significado nesta escolha... ou talvez seja apenas um detalhe de construção de mundo.
Qualquer que seja o caso, Nymeria e Arya foram separadas com pouco tempo de criação e adestramento. Este tempo,entretanto, foi suficiente para que o dom como troca-peles de Arya fosse despertado. O fato de que Nymeria conseguiu sobreviver ao ser forçada a fugir foi determinante para o desenvolvimento à distância das aptidões de Arya.
Plantadas estas idéias no leitor, Martin segue até o final de A Guerra dos Tronos fazendo com que Arya passe por horas de treinamento, ocasionalmente usando-a como espectadora de eventos inusitados, como o encontro entre Illyrio e Varys no subsolo da Fortaleza Vermelha. Um fato curioso deste encontro é que Arya observa bem a fisionomia de Illyrio, mas não a de Varys (que está disfarçado). Dessa forma, uma amiga me questionou se isso não seria um indício de que Arya poderia ter que acabar recusando uma missão da Casa do Preto e do Branco para matar Illyrio no futuro, pois o “conhece”. É uma questão a se pensar...
De toda forma, Arya presencia em mais vivacidade o massacre dos homens Stark no momento da prisão de seu pai, assim como está presente quando ele tem sua cabeça cortada. A fuga da Fortaleza Vermelha, inclusive, a provoca a matar uma pessoa pela primeira vez na vida: um cavalariço de sua idade que poderia denunciá-la.
Quando Yoren a extrai de Porto Real para leva-la ao Norte, Arya começa a ter que sobreviver em meio ao luto. Assim como Sansa, Arya é deixada em circunstância hostis. Durante os A Fúria dos Reis, ambas as garotas suportam muitos abusos e humilhações, mas ao menos Sansa pôde contar com relativo conforto. Da parte de Arya, ainda que ela desde pequena se sinta à vontade em meio à plebe, a jornada se prova particularmente árdua. Especialmente porque Arya se vê pela primeira vez vivendo sobre uma nova identidade.
Após a morte de Yoren, não demora para que o grupo de órfãos vire presa de Gregor Clegane e seu bando. Conforme se passam no cárcere, Arya começa a bolar sua famosa lista, com todas as pessoas que ela julga responsável por trazer sofrimento a ela e àqueles ao seu redor. O que é curioso é que, apesar de listar o Rei Joffrey entre os albos, a garota de 9 anos não tenha o discernimento de que sua lista somente mira em capangas e fantoches, mas esquece de vilões de verdade, como Tywin Lannister.
Essa falta de discernimento se repete quando Arya está em Harrenhal e Jaqen a oferece 3 mortes em troca das vidas que ela salvou do incêndio. Novamente, a garota Stark se limita a indicar nomes sem importância. Quando surge a ideia de nomear Tywin Lannister, sentimentos nacionalistas a fazem burlar a barganha de Jaqen para convencê-lo a ajudá-la na libertação dos prisioneiros nortenhos e dos homens Frey. Portanto, Arya não demonstra não empregar seu potencial assassino para grandes causas, atendo-se a pequenas vinganças e revanches.
Ainda assim, Jaqen entrega a Arya a moeda de ferro que mais tarde a levaria a Braavos para o treinamento junto aos homens sem rosto. O que causa curiosidade seria o motivo pelo qual Jaqen selecionou a menina. O perfil dela não combina com o da seita, como vemos ao longo de Festim dos Corvos e Dança dos Dragões. Sem falar que ele a presenciou fazendo uma barganha contra o próprio Jaqen.
Fora de Harrenhal, Arya acaba novamente sendo feita prisioneira alguns dias depois de partir. Mas dessa vez, é reconhecida e fica permanentemente na expectativa de ser levada a sua mãe, não importa se vendida ou simplesmente entregue. Mas o objetivo da viagem que Martin a impõe é conhecer os efeitos da guerra sobre as Terras Fluviais, sob o ponto de vista dos camponeses.
Antes que essa jornada termine, porém, duas coisas ocorrem: Arya é raptada por alguém em sua lista (Sandor Clegane) e Roose Bolton informa que encontrou Arya e vai enviá-la ao Norte.
Como GRRM gosta de lembrar as semelhanças entre Arya e Lyanna, não há como não enxergar em seu rapto ecos do rapto de sua tia por Rhaegar Targaryen. Talvez haja aqui algum paralelismo que estamos deixando de enxergar. Mas as distinções são bem claras. Sandor estava levando Arya de volta pra casa, enquanto Rhaegar estava levando Lyanna para longe do Norte. Um detalhe incidental nesta questão é que Sandor “morre” à beira do Tridente tal qual Rhaegar (ainda que este tenha morrido no vau rubi, local que Arya e Sandor evitaram).
Quanto ao segundo evento, a farsa de Jeyne Poole como a falsa Arya permitiria que a verdadeira se tornasse, de fato, ninguém. A intenção, claro, era fechar uma ponta para resgatar a história dali a 5 anos, quando Jeyne Poole já estivesse estabelecida como Arya. Neste futuro que nunca aconteceu, Arya haveria florescido, o que era a intenção de Martin. Ele sempre cita como as histórias dos adultos não tinha tempo para esperar que “Arya chegasse a puberdade”.
De fato, como Arya é comparada com Lyanna diversas vezes, seria de se esperar que a puberdade lhe avivasse a beleza selvagem e que já a víssemos em Braavos em estado avançado de seu treinamento. Se sabe que o primeiro capítulo de Arya em Os Ventos do Inverno foi escrito antes de Martin abandonar o salto de 5 anos, portanto, as circunstâncias que ela parece que vai viver agora aos 11 anos seriam aquelas que, originalmente, se pensava que ela viveria ao 16 anos (aproximadamente a mesma idade que Lyanna tinha quando morreu).
Porém, o caminho seguido em O Festim dos Corvos e A Dança dos Dragões foi acompanhar o treinamento de Arya desde o começo. Muitos leitores acusam estes capítulos de serem encheção de linguiça, mas eu os entendo apenas como lentos. Há 3 linhas mestras acontecendo neles: 1) modificações na política de Braavos, 2) conflitos internos da própria Arya não querendo abandonar sua herança Stark, 3) revelação de segredos da Casa do Preto e do Branco.
Caso o salto temporal houvesse ocorrido, eu imagino que os 2 primeiros itens poderiam ser contados facilmente via flashbacks, sem necessidade de presenciarmos as sementes serem plantadas (que é o que Martin parece ter feito ao longo de Festim e Dança). Porém, o terceiro item me parece ser o cerne dos capítulos de Arya, como ou sem salto temporal.
Era de se esperar que os sacerdotes não fiquem contando segredos a acólitos tão novos como Arya. Mas o Homem Gentil parece estar estranhamente aberto a instruir uma aprendiz com menos de 1 ano de Casa sobre a história da seita e lhe permitir fazer missões com rostos novos. E Arya não está se provando ser digna dessa confiança.
Bem, na série da HBO, a Casa do Preto e do Branco tentou eliminar Arya, mas ela simplesmente se mostrou superior ninguém sabe como. Em A Dança dos Dragões, Arya demonstrou estar um passo à frente do Homem Gentil entrando na pele de um gato de rua que a seguiu até o templo. Com este truque ela conseguiu descobrir que era o sacerdote quem a surrou quando estava cega.
Muitos leitores especulam que esta habilidade sobrenatural seria uma vantagem que Arya usaria para trapacear nos treinamentos, haja vista que não é uma habilidade pela qual Homens Sem Rosto são famosos. Daí, afirmam esses leitores, quando a convivência na Casa do Preto e do Branco se tornar insustentável e um Homem Sem Rosto for enviado para eliminar a discípula rebelde, os poderes de troca-pele são o diferencial que faria com que Arya sobrevivesse ao ataque do assassino e pudesse escapar de Braavos para Westeros.
O retorno de Arya a Westeros é outra icógnita. Atualmente não sabemos de motivos que a tirariam de Essos. Alguns apontam a morte de Jon Snow como o combustível. Mas eu costumo argumentar que Arya matou o cantor Dareon simplesmente por ele ser um desertor, como Jon. Outros acreditam que Arya saberá sobre o próprio casamento com Ramsay e virá a Westeros para desfazer a farsa. E, por fim, há aqueles que dizem que ela simplesmente voltará para matar Freys, Boltons e o restante de sua lista.
Porém, há um grande consenso que esta volta implicará em um encontro com sua mãe, agora na forma de Senhora Coração de Pedra. Alguns acreditam que este encontro será chocante o suficiente para mudar a cabeça de Arya com relação ao seu desejo de vingança. Outros acreditam que a confluência de objetivos só tornará tudo duplamente letal.
Bem, qualquer quer seja o desfecho da história, ainda não foi publicado. Nos resta especular.

Declarações de GRRM sobre Arya

PERGUNTAS

  1. Jon e Arya têm inclinações românticas reais (ainda que platônicas) um pelo outro? Ou é apenas Freud em ação?
  2. A frase de Jon sobre Arya ser encontrada congelada com agulha na mão é um presságio de que ela morrerá na batalha da alvorada?
  3. O fato de ter nomeado sua loba como Nymeria, revela que Arya teria alguma propensão para viajar a Dorne nos próximos livros?
  4. Os poderes de troca-pele de Arya são alguma forma de trapaça para o treinamento dos Homens Sem Rosto?
  5. O rapto de Arya por Sandor ecoa de alguma forma o rapto de Lyanna por Rhaegar?
  6. Você acha que os capítulos de Arya em Braavos estão mais para encheção de linguiça ou escalada de tensão?
  7. Que diferença você acha que o abandonado “salto temporal de 5 anos” faria na história de Arya pós-A Tormenta de Espadas?
  8. Você acredita que os poderes de troca-peles de Arya a farão uma assassina particularmente perigosa entre os Homens Sem Rosto?
  9. O que você acha que vai levar Arya de volta a Westeros?
  10. Você acredita que Arya se encontrará novamente com seus irmãos, Jeyne Poole ou Senhora Coração de Pedra? Caso positivo, que tipo de reação você espera que ela tenha nestes encontros?
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2019.12.07 20:54 ankallima_ellen As Aventuras de Gabi nas Terras do Estrogênio – Quinquagésima Quarta Semana

A vida não passa de uma sucessão de decisões. Muitas voluntárias, a maioria, contudo, forçadas sobre nós. Com sorte, podemos procrastinar algumas dessas escolhas inevitáveis para momentos mais adequados. E dentre os milhões de ramos dessa árvore decisória, percorremos apenas um, mas muitas vezes nos perguntamos como teria sido se nosso caminho fosse outro. Elucubrações vazias de significado, exceto por nos acalentar sobre o rumo tomado e os preços a serem pagos.
Sexualidade e Gênero não são escolhas, muito embora, ainda assim vistas sejam na cultura popular. Ora, quem escolheria de livre e espontânea vontade uma vida subjugada pelo preconceito e refém da violência, se não fosse por uma necessidade intrínseca de apenas ser? No máximo demoramos para perceber e aceitar a nossa dissonância com o padrão cis-heteronormativo que a sociedade insiste em nos impor. É difícil quebrar paradigmas arraigados na arcaica mentalidade judaico-cristã calcados numa binaridade emergente de uma suposta dualidade entre gênero e genital. Tudo ao nosso redor, fala que estamos erradas, exceto o nosso âmago. Apesar de todas as pressões contrárias, sabemos lá no fundo que não somos aquilo que esperam de nós.
Procuramos por alternativas. Será mesmo que não consigo me adequar? Procuramos por explicações. Por que sou assim? Aceitar-se é uma jornada em si. De certo apenas que exaurimos todas as outras possibilidades imagináveis antes encarar a inexorabilidade de nossa transgeneridade. Seja numa epifania patrocinada por um momento fortuito de euforia de gênero. Seja ao escaparmos da morte, numa vã tentativa de fugir do terror da disforia. Percebemos a nossa verdade: transição ou morte. Pelo menos, foi assim comigo. Estava inebriada pela maior crise disfórica que já tinha passado, motivada pela iminente calvície de padrão masculino, quando falhei na tentativa de tirar minha vida e resolvi aceitar a verdade que já conhecia desde a infância.
Por sorte, estava já num momento da vida, no alto dos meus trinta e quatro anos, em que a estabilidade profissional e financeira permitiam que arriscasse tudo. Foi minha aposta derradeira, meus relacionamentos interpessoais pela minha vida. Sabia que não haveria volta. No instante em que saísse do armário, nada seria como antes. Os olhares mudariam para asco, curiosidade, inspiração ou piedade, só o tempo diria. Amigos e família poderiam me relegar ao ostracismo. O medo de acabar sozinha era sufocante, só não mais que o desespero induzido por uma vida plástica no gênero errado. Isso sem contar todo o risco inerente à violência e ao preconceito.
Num ato desesperado e muito pouco planejado, contei para esposa a minha verdade há mais de década soterrada sob uma fachada estoica. Apesar do choque, o amor falou mais alto e um casamento que aos poucos caminhava para o fim, superou a força de outrora. Os amigos próximos ficaram sabendo em seguida, novamente, o choque foi seguido por aceitação. Foi na segurança da companhia deles que saí pelas primeiras vezes ao mundo. O desconforto de ser seguida por olhos inquisitores. O medo espreitando em cada esquina da agressão por vir, apenas por ser eu mesma ou por andar de mãos dadas com a esposa. Beijos em público cada vez mais raros. A incongruência ao ser tratada no masculino e ter o acesso negado a espaços femininos. Uma perpétua sensação de despertencimento. Tornaram-se meus novos e desagradáveis companheiros nessas jornadas pelas terras do estrogênio. A liberdade não é de graça.
Infelizmente, com a família e os amigos de escola as coisas não foram tão positivas. Os poucos amigos que me restaram dessa época, simplesmente desapareceram. Para alguns, nem cheguei a contar, pois sabia que o resultado só poderia ser desastroso. Melhor guardar as boas memórias dos tempos de outrora. O relacionamento com meus pais mudou. A fantasia de uma família perfeita e de um amor incondicional desvaneceu. A realidade que já estava lá, mas que me negava veementemente a enxergar finalmente colapsou. Meus pais são seres humanos com todos os seus defeitos e preconceitos e talvez tenha pedido que se acostumassem com mudanças muito radicais em tempo de menos. Talvez algum dia, volte a me sentir em casa em sua companhia. Talvez algum dia, tenha mais um natal com a mesma magia.
Por ora devo celebrar o que tenho e que de forma alguma é pouco: uma esposa maravilhosa, um irmão que me apoia incondicionalmente e amigos. Muitos amigos, os que sobreviveram à minha transição e os que chegaram após. Conheci e me reconectei com muitas pessoas maravilhosas nesse processo. Fui abraçada por uma comunidade que só existia em meus mais loucos devaneios. Pessoas que me deram força, ensinaram-me os tortuosos caminhos por essas terras do estrogênio e sobretudo me mostraram que não estava sozinha em minha dor e dúvidas. Perdi muito, preço de uma decisão que priorizava o meu bem estar, porém ganhei muito mais: não só a felicidade despropositada em viver, mas uma nova família. Família não é apenas sangue, mas quem segura a sua mão quando você mais precisa.
Uma excelente semana a todes!!!
Beijocas,
Gabi
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2019.11.08 11:09 altovaliriano Teoria Blackfyre

Link: https://www.reddit.com/asoiaf/comments/156odh/spoilers_all_complete_analysis_of_the_blackfyre/
Autor: Galanix, moderador do asoiaf, em parceria com diversos usuários
Título original: Complete Analysis of the Blackfyre Theory

Nenhuma das informações abaixo é nova. Estou apenas reafirmando as informações coletadas de várias fontes. Se houver algum argumento que eu tenha perdido, eu os adicionarei aqui.

A TEORIA

Aegon (Jovem Griff) não é realmente o bebê de Rhaegar Targaryen e Elia Martell, mas um impostor Blackfyre que Varys e Illyrio Mopatis estão alegando ser um verdadeiro Targaryen. Ele é descendente da linhagem feminina dos Blackfyre (todos os homens foram mortos). Uma variação desta teoria é que Aegon seria filho de Illyrio com sua falecida esposa Serra, que pode ter sido uma Blackfyre. Alguns acham que Varys também pode ter sangue Blackfyre.

ARGUMENTOS A FAVOR

VISÃO DO DRAGÃO DE PANTOMIMEIRO
Uma das visões de Dany na Casa dos Imortais:
“Brilhando como o pôr do sol, uma espada vermelha foi erguida na mão de um rei de olhos azuis que não projetava sombra. Um dragão de pano oscilou em mastros por cima de uma multidão exultante. De uma torre fumegante, um grande animal de pedra levantou voo, exalando fogo de sombras. … Mãe de dragões, matadora de mentiras…”
(ACOK, Daenerys IV)
Dany depois discute a visão com Jorah:
– Um homem morto na proa de um navio, uma rosa azul, um banquete de sangue… O que significam essas coisas, Khaleesi? Falou de um dragão de pantomimeiro. O que é um dragão de pantomimeiro, diga-me?
– Um dragão de pano montado em varas – Dany explicou. – Os pantomimeiros usam-nos em seus espetáculos, para dar aos heróis algo com que lutar.
(ACOK, Daenerys V)
Um "dragão de pantomimeiro" ou dragão falso pode ser uma metáfora para Aegon ser um Blackfyre, e não um dragão verdadeiro (ou seja, um Targaryen). A frase "matadora de mentiras" pode indicar que Aegon é uma das mentiras que Dany pode precisar matar. Outra maneira de interpretar isso é dizer que Varys é o pantomimeiro e Aegon é o dragão de pano que ele está sustentando. Varys é referido como um pantomimeiro em várias ocasiões.
A COMPANHIA DOURADA
Illyrio e Tyrion discutem a quebra do contrato da Companhia Dourada:
– Soube que a Companhia Dourada estava sob contrato de uma das Cidades Livres.
– Myr. – Illyrio sorriu. – Contratos podem ser rompidos.
– Queijo dá mais dinheiro do que eu imaginava – Tyrion disse. – Como conseguiu isso?
O Magíster balançou os dedos gordos.
– Alguns contratos são selados com tinta, outros com sangue. Não direi mais nada.
\Tyrion conta uma história da Companhia Dourada e do passado Blackfyre**
– Admiro seu poder de persuasão – Tyrion falou para Illyrio. – Como você convenceu a Companhia Dourada a aceitar a causa de sua doce rainha, quando eles passaram muito de sua história lutando contra os Targaryen?
Illyrio afastou a objeção como se fosse uma mosca.
– Negro ou vermelho, um dragão ainda é um dragão. Quando Maelys, o Monstruoso, morreu no Passopedra, foi o fim da linhagem masculina da Casa Blackfyre. – O queijeiro sorriu através da barba bifurcada. – E Daenerys dará para eles o que Açoamargo e os Blackfyre nunca puderam dar. Ela vai levá-los para casa.
(ADWD, Tyrion I)
Essa citação é a melhor evidência para a teoria Blackfyre e oferece muitas informações. A Companhia Dourada foi originalmente fundada por Açoamargo (meio-irmão de Daemon Blackfyre e seu aliado mais próximo), e sua missão original era colocar um Blackfyre no trono. Mesmo depois que Daemon foi morto na primeira rebelião Blackfyre, Açoamargo tentou várias vezes sentar um dos herdeiros de Daemon no trono até a morte do último herdeiro masculino.
A Companhia Dourada nunca quebrou um contrato, mas se isso significa cumprir sua missão original, isso faz sentido. Enquanto o contrato quebrado de Myr foi escrito em "tinta", a missão de restaurar um Blackfyre no trono foi escrita em "sangue". Isso também tem respaldo no lema da Companhia Dourada: "Sob o ouro, o aço amargo".
A justificativa de Illyrio para a quebra do contrato Companhia Dourada é que "negro ou vermelho, um dragão ainda é um dragão". Significando que eles não se importam se é um Targaryen ou Blackfyre que eles estão apoiando neste momento, desde que ele os leve a Westeros. No entanto, isso parece contradizer uma lembrança que Dany tem:
Certa vez, seu irmão Viserys oferecera um banquete para os capitães da Companhia Dourada, na esperança de que pudessem apoiar sua causa. Eles comeram sua comida, ouviram seus apelos e riram dele.
(ADWD, Daenerys III)
Parece que eles recusaram Viserys, um dragão vermelho, então talvez ainda se importem. Myles 'Coração Negro' Toyne (ex-capitão da Companhia) é quem fez o contrato com Illyrio em segredo, e dada a briga sangrenta dos Toynes com os Targaryen, não faria sentido para ele fazer esse contrato para apoiar um Targaryen.
ILLYRIO & SERRA
Outro detalhe interessante de Illyrio na citação acima é ele dizendo especificamente que a linha masculina Blackfyre foi extinta. Isso parece indicar que uma linha feminina sobreviveu. Essa fêmea poderia ter sido a falecida esposa de Illyrio, Serra. Aqui está o que ele diz sobre ela:
Illyrio enfiou a mão direita na manga esquerda e tirou um medalhão de prata. Dentro havia uma pintura de uma mulher com grandes olhos azuis e cabelos de pálido ouro mesclado com prata.
– Serra. Encontrei-a em uma casa de travesseiros lisena e a trouxe para casa, para aquecer minha cama, mas no final me casei com ela. Eu, cuja primeira esposa havia sido prima do Príncipe de Pentos. Os portões do palácio se fecharam para mim depois disso, mas não me importei. Era um preço pequeno por Serra.”
[...]
– Boa sorte! – Illyrio gritou atrás deles. – Diga ao garoto que sinto não estar presente no casamento dele. Vejo vocês de novo em Westeros. Juro pelas mãos da minha doce Serra.
(ADWD, Tyrion II)
Sabemos daí que Serra tinha traços valirianos, olhos azuis e cabelos loiros prateados (embora seja notório que muitas pessoas em Lys têm características valirianas, pois fazia parte do Domínio Valiriano). Além disso, os olhos púrpura são uma característica mais Targaryen do que os azuis. Na última linha, vemos que Illyrio tem uma participação muito pessoal no sucesso de Aegon e fala com muito carinho do garoto. É possível que Aegon seja filho de Illyrio e de Serra (Serra sendo uma Blackfyre).
Isso explicaria por que Illyrio tinha em casa um baú cheio de roupas destinadas a um menino pequeno. Também ajudaria a explicar por que Illyrio está interessado em Westeros. Ele tem todo o dinheiro que ele poderia precisar e Tyrion parece cético em relação às motivações de Illyrio:
– E você tem certeza de que Daenerys vai cumprir as promessas do irmão?
– Pode ser que sim, pode ser que não – Illyrio mordeu metade do ovo. – Eu lhe disse, meu pequeno amigo, nem tudo o que um homem faz é por lucro. Acredite se quiser, mas mesmo velhos gordos tolos como eu têm amigos e dívidas de afeto para pagar.
Mentiroso, pensou Tyrion. Algo nesse empreendimento vale mais para você do que moedas ou castelos.
(ADWD, Tyrion II)
Então, o que é essa "dívida de afeto" que Illyrio procura retribuir que vale mais que "moedas" e "castelos"? Ele pode estar tentando cumprir o desejo de Serra de ver seu filho assumir o Trono de Ferro em nome dos Blackfyres. Ainda que tudo isso se encaixe, é bastante circunstancial.
Outra evidência que indica que Illyrio é o pai de Aegon é uma estátua que ele tem em sua mansão que se parece muito com Aegon (Illyrio mais tarde afirma que é uma versão jovem de si mesmo):
Um rapaz nu estava na água, pronto para um duelo, com uma lâmina bravosi na mão. Era flexível e bonito, com não mais do que dezesseis anos e um cabelo loiro liso que lhe caía sobre os ombros. Parecia tão real que levou um longo tempo até que o anão percebesse que era de mármore pintado, embora a espada brilhasse como aço de verdade.
(ADWD, Tyrion I)
A HISTÓRIA DO SEPTÃO MERIBALD
Septão Meribald conta a Brienne e Pod a história da Estalagem da Encruzilhada:
Ele forjou um novo sinal para o pátio, um dragão de três cabeças em ferro negro que pendurou em um poste de madeira. O animal era tão grande que teve de ser feito em uma dúzia de peças, unidas com corda e arame. Quando o vento soprava, tinia e ressoava, de modo que a estalagem se tornou conhecida por todo lado como o Dragão Ressonante.
– O sinal do dragão ainda está lá? – Podrick quis saber também.
– Não – Septão Meribald respondeu. – Quando o filho do ferreiro era já um velho, um filho bastardo do quarto Aegon ergueu-se em rebelião contra seu irmão legítimo e escolheu como símbolo um dragão negro. Estas terras pertenciam então a Lorde Darry, e sua senhoria era ferozmente leal ao rei. Ver o dragão de ferro negro o deixou furioso, e por isso derrubou o poste, fez o sinal em pedaços e os atirou ao rio. Uma das cabeças do dragão foi dar à costa na Ilha Quieta muitos anos mais tarde, embora nessa época estivesse vermelha de ferrugem.
(AFFC, Brienne VII)
Esta história poderia ser uma alegoria para Aegon ser um Blackfyre. Um dragão negro representa Blackfyre e um dragão vermelho é um Targaryen. Então os dragões negros (Blackfyres) foram forçados a atravessar o Mar Estreito e muitos anos depois um deles (Aegon) enferrujou e agora aparenta ser um dragão vermelho (Targaryen).
VARYS É UM BLACKFYRE
Varys ser um Blackfyre é a parte mais especulativa da teoria e não precisa ser verdadeira para as outras partes sejam verdadeiras. A evidência disso é inteiramente circunstancial, mas explica algumas incoerências no caráter de Varys.
Por que, apesar de afirmar ser um lealista Targaryen, ele estava alimentando a paranóia de Aerys sobre Rhaegar usurpar o trono (de acordo com relatos de Barristan e Jaime)? Por que ele raspa a cabeça? Para poder esconder seus cabelos valirianos (embora o mesmo seja verdade se ele for de alguma descendência valiriana, Blackfyre ou não)?
Além disso, por que Varys foi castrado quando menino? Ele diz a Tyrion o seguinte sobre sua castração:
Um dia, em Myr, um certo homem foi ao nosso espetáculo. Quando terminou, fez uma oferta por mim que meu mestre achou tentadora demais para recusar. Fiquei aterrorizado. Temi que o homem pretendesse me usar como ouvira dizer que os homens usavam garotinhos, mas, na verdade, a única parte de mim que ele queria era meu órgão viril. Deu-me uma poção que me deixou incapaz de me movimentar ou de falar, mas nada fez para adormecer meus sentidos. Com uma longa lâmina em forma de gancho cortou-me raiz e caule, sem parar de entoar cânticos. Vi-o queimar meus órgãos masculinos num braseiro. As chamas ficaram azuis, e ouvi uma voz responder ao seu chamado, embora não compreendesse as palavras que foram ditas.
(ACOK, Tyrion X)
Sabemos pelas práticas de Melisandre que os feiticeiros preferem usar sangue real em seus rituais. Se Varys fosse um Blackfyre, ele teria sangue real.
DUNK & EGG
Uma grande parte das novelas Dunk & Egg cobre a história das Rebeliões Blackfyre. Isso pode indicar um significado maior para os Blackfyres em ASoIaF como um todo. É claro que também poderia ser apenas uma justificativa para as novelas de D&E e não ter qualquer outro significado.
AEGON TER SIDO SALVO NÃO FAZ SENTIDO
Como Varys saberia que Gregor esmagaria o rosto do bebê Aegon de modo a deixa-lo irreconhecível? É improvável que isso possa ter sido planejado.
DISCREPÂNCIA DE IDADE
Aegon nasceu em 282 dC, então, quando Tyrion o conhece, ele deveria ter 18 anos. No entanto, aqui está a descrição de Jovem Griff feita por Tyrion:
Era um jovem ágil e benfeito, magro e com um escandaloso cabelo azul-escuro. O anão calculou sua idade entre quinze, dezesseis anos, ou algo próximo a isso. (ADWD, Tyrion III)
É claro que é muito plausível que um jovem de 18 anos possa ser confundido com um de 16, então eu não chamaria isso de uma evidência forte.
RASCUNHO DE "A DANÇA DOS DRAGÕES"
Os rascunhos anteriores dos capítulos de ADWD têm outras pistas. Especula-se que Martin tenha feito muitos cortes nesse material, porque tornou o parentesco de Aegon muito óbvio.
De uma leitura de Tyrion II em 2005:
"Illyrio diz que quer dar a Jovem Griff suas bênçãos e tem um presente para ele no baú. Haldon diz a ele que a liteira não conseguirá chegar a tempo. Illyrio fica bravo e diz que há coisas que Griff deve saber.
[...]
Haldon olha para Tyrion e então começa a falar em outro idioma. Tyrion não sabe dizer o que é, mas acha que deve ser em volantino. Ele capta algumas palavras que se aproximam do Alto Valiriano. As palavras que ele captura são: rainha, dragão e espada."
Especula-se que Illyrio queria dar Fogonegro (Blackfyre) a Jovem Griff, a espada ancestral da Casa Targaryen que foi levada para o outro lado do mar pelos Blackfyres.
De Elio [Garcia], que analisou os rascunhos primitivos do ADWD:
"Um rascunho anterior do capítulo da "lição" tinha um pouco mais de detalhes sobre Maelys o Monstruoso, e os Blackfyres (para aqueles que possuem o RPG da Guardians of the Order, algumas dessas informações acabaram naquele livro). Eu me pergunto por que George decidiu fazer retirar isso deste livro".
[Nota de u/altovaliriano: Eu verifiquei o livro do RPG da Guardians of the Order e as informações são as mesmas que constam em O Mundo de Gelo e Fogo. Como a fala de Elio é de 2011, ele deve ter conhecido a razão mais tarde, enquanto escrevia O Mundo de Gelo e Fogo a seis mãos com Linda e GRRM]

ARGUMENTOS CONTRA

NENHUMA PROVA!
Um grande argumento contra toda essa teoria é que todas as evidências são basicamente circunstanciais. Isso não quer dizer que as evidências circunstanciais sejam inválidas (especialmente em um livro), mas apenas que ainda não houve nada flagrante ainda.
CONVERSA DE VARYS COM KEVAN
Isto é o que Varys diz ao moribundo Kevan Lannister:
– Aegon? – Por um momento, ele não entendeu. Então se lembrou. Um bebê envolto em um manto carmesim, o tecido manchado com o sangue e o cérebro dele. – Morto. Ele está morto.
– Não. – A voz do eunuco pareceu mais profunda. – Ele está aqui. Aegon tem sido moldado para governar desde antes que pudesse andar. Foi treinado em armas, como convém a um cavaleiro, mas esse não foi o fim de sua educação. Ele lê e escreve, fala diversas línguas, estudou história, leis e poesia. Uma septã o instruiu nos mistérios da Fé desde que teve idade suficiente para entendê-los. Viveu com pescadores, trabalhou com as próprias mãos, nadou em rios, remendou redes e aprendeu a lavar as próprias roupas na necessidade. Ele consegue pescar, cozinhar e curar uma ferida, sabe como é sentir fome, ser caçado, sentir medo. Tommen tem sido ensinado que a realeza é o direito dele. Aegon sabe que a realeza é seu dever, que um rei deve colocar seu povo em primeiro lugar, e viver e governar para eles.
(ADWD, Epílogo)
Varys responde diretamente à pergunta de Kevan sobre Aegon estar morto e diz que não está. Por que Varys mentiria sobre Aegon para Kevan, quem ele estava prestes a matar de qualquer maneira?
É improvável que, se Aegon fosse um Blackfyre, Varys não soubesse disso, pois ele provavelmente foi quem contrabandeou o bebê Aegon de Porto Real (ou não), então ele provavelmente sabe se Aegon é realmente Aegon.
Então, por que mentir para um homem moribundo sobre isso? Algumas possíveis respostas seriam:
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2019.10.06 04:28 altovaliriano Eddard Stark

George R. R. Martin reiteradamente afirma que nenhum personagem está a salvo da morte, uma noção que ele lapidou muito habilidosamente para estabelecer na saga. A primeira pedra da fundação desta estrutura é lançada com Eddard "Ned" Stark, ao final de A Guerra dos Tronos.
Ned é visto como personagem central do primeiro livro, no qual ele é apresentado como um pai amoroso, marido dedicado, amigo querido, líder confiável, vassalo leal, homem devoto e cumpridor de sua palavra e deveres. Estas qualidades são apontadas como as razões pela qual os leitores o identificam como o herói da história e alguém para quem torcer.
A história do personagem todos sabemos. Ned estava feliz no Norte com sua família quando notícias de que seu antigo protetor e pai de criação teria sido assassinado e seu rei (e amigo de infância) o nomeia como substituto no cargo de Mão do Rei. Desde o momento em que Ned aceita (relutante) o cargo, sua família começa sofrer com os atritos políticos entre Eddard e a família da Rainha. Em Porto Real, Eddard vai de peixe fora d'água a persona non grata enquanto investiga as circunstâncias da morte de Jon Arryn, até que perde todo o apoio político que tinha na capital com a morte do Rei Robert. Eddard tenta fazer justiça, mas é traído, humilhado e acaba por sequer ganhar a misericórdia que lhe foi prometida.
É muito apontado que Ricardo Plantageneta, o 3º Duque de York (1411-1460) seria a inspiração histórica de GRRM para Eddard Stark. O líder de sua Casa de York nos primeiros anos da Guerra das Rosas havia sido nomeado como Lorde Protetor e Regente da Coroa quando o Rei Henrique VI sofreu um colapso nervoso, traiu a Coroa e enfrentou a Rainha Margaret de Anjou, da Casa de Lancaster, mas acabou derrotado e teve sua cabeça exposta nos portões da cidade de York.
Outra inspiração histórica apontada é um dos filho de Ricardo, que viria a reinar como Ricardo III, que havia tentado usar o testamento de Eduardo IV para se tornar regente de Eduardo V... somente para depois anular o casamento de sua cunhada Elizabeth Woodville com o irmão, declarar seus sobrinhos como bastardos e tomar o trono para si. No fim, foi derrotado pelos filhos do primeiro casamento de Elizabeth.
Mas nenhuma dessas personalidades históricas pode ser tomada como referência direta à Eddard Stark, uma vez que a forma como Martin retratou Eddard parece ter sido moldada tendo em vista as necessidades da ficção e não como um estudo da história do mundo real. Portanto, é necessário avaliar a construção da personalidade de Ned Stark dentro das exigências de "As Crônicas de Gelo e Fogo".
Assim, para entender Eddard, proponho questionarmos sua criação, suas relações pessoais e suas relações políticas.
EDDARD, O ANIMAL HUMANO
Eddard nasceu como segundo filho de Rickard e Lyarra Karstark, mas sem demora foi substituído como caçula por Lyanna e Benjen. Ser um filho do meio já evoca uma série de questões sobre auto-estima e favoritismo em um núcleo familiar, especialmente em uma sociedade como a de Westeros, em que toda a fortuna da família é passada apenas para o primeiro herdeiro na linha de sucessão.
Tudo isto parecia ser verdade na família Stark. Ned relata que foi seu irmão mais velho, Brandon, quem recebeu toda a educação senhorial e era tido como o próximo senhor, até mesmo por Eddard, que não nutria nenhuma esperança de herdar Winterfell.
Neste contexto, o papel que um segundo irmão deveria desempenhar era o de leal vassalo do irmão mais velho. Não sabemos se a personalidade de Eddard foi determinante para que ele absorvesse essa postura ou se estas lições lhe foram passadas por seus pais ou por Jon Arryn. Contudo, sabemos que é assim que Eddard entendia seu papel dentro de sua família. Afinal, foram a estas lições que ele recorreu quando explicou a seu segundo filho, Bran, qual deveria ser seu papel diante do primogênito Robb.
De todo modo, se seu papel secundário e instrumental não estava claro durante sua infância em Winterfell, deve ter ficado muito claro quando foi enviado para o Ninho da Águia, para ser criado por um estranho. Ao contrário de Robert, Ned parece ter voltado pouco para a sede de sua Casa durante sua adolescência, fazendo com que seus laços com sua família e os nortenhos fossem notoriamente mais fracos do que os de Brandon, que foi criado em Vila Acidentada. Na verdade, Brandon era de tal carisma que conquistaria amigos até mesmo no Vale de Arryn.
Por outro lado, Ned é descrito como tímido, reservado, com aparência solene, coração e olhos gelados que parecem julgar os outros com desdém. Talvez isso tenha sido desenvolvido depois de adulto, e em razão das adversidades que enfrentou. Talvez estas características estivessem com ele desde que ele fosse criança. Assim, é possível que tenha deixado poucas amizades para trás quando partiu com oito anos para o Ninho da Águia.
Uma vez sob a tutela de Jon Arryn, a vida parece ter sido diferente. Como Jon Arryn havia perdido sua segunda esposa, irmão e sobrinho e não tinha filho algum, Robert e Ned eram como se fossem seus filhos mais velho e mais novo, respectivamente. Durante os nove anos que ficou por lá, é imaginável que Eddard tenha recebido muito mais deferências do que recebia de seu próprio pai em Winterfell.
Na verdade, a propalada honra de Ned Stark pode ser mais fruto de sua criação junto a Arryn do que derivada dos Stark. Não só porque a honra é uma das marcas daquela outra Casa ("Alto como a honra"), como o próprio Jon Arryn demonstrou que punha a honra frente a cega obediência (como quando se recusou a entregar Robert e Ned a Aerys e iniciou uma Rebelião por isso).
Já sobre os Stark de Rickard, por sua vez, paira uma suspeita de que tinham tanta sede de poder e influência quanto tinham de sangue (o tal "sangue de lobo"). Talvez por isso também que sejam tão notórias as diferenças entre Eddard e seus irmãos. Para além de uma mera incompatibilidade de gênios, pode ter havido uma incompatibilidade de criação.
Eddard não deixou de amar os irmãos, entretanto. Ainda que ele condene as atitudes de Brandon e Lyanna, Ned encomendou estátuas mortuárias para todos eles nas criptas de Winterfell, algo inédito na tradição Stark, que demonstra quão profundamente sentimental ele era, especialmente para seus familiares que tiveram um fim trágico.
Contudo, as vezes parece que a verdadeira família de Eddard, aquela que era dona de seu coração era triângulo que formava com Jon Arryn e Robert Baratheon. De fato, ao saber primeiro da morte de Arryn e depois da visita de Robert logo no começo de A Guerra dos Tronos, Ned vai da escuridão a luz: ele perdeu uma parte importante de sua família postiça, mas outra está a caminho para uma visita inesperada.
Por alguma razão que eu ainda não entendo completamente, entretanto, Ned parecia amar Lyanna acima até mesmo de Robert (apesar de ele achar que Robert tinha uma devoção por ela ainda maior do que a dele - AGOT, Eddard I). Nas memórias de Eddard, Lyanna era uma "menina-mulher de inigualável encanto" e, se foram verdade as especulações de que Lyanna o teria visitado às vezes enquanto ele esteve no Vale, poderia ser um indício de que entre ele e Lyanna havia uma intimidade ímpar na família Stark.
Durante "A Guerra dos Tronos", há vários instantes em que essa intimidade e as promessas que Lyanna requereu em seu leito de morte ecoaram. Mas um dos momentos que eu julgo mais significativo foi quando Robert, também em seu leito de morte, cita e imita Lyanna:
Saudarei Lyanna por você, Ned. Tome conta dos meus filhos por mim. [...]
– Eu… defenderei seus filhos como se fossem meus – respondeu lentamente.
(AGOT, Eddard XIII)
Esta coincidência parece indicar que Lyanna e Robert foram as figuras fraternas centrais na vida de Eddard.
NED, PARA OS ÍNTIMOS
Já foram explorados acima vários aspectos da personalidade íntima de Ned. Mas é preciso discriminar melhor. E o primeiro deles se refere à visão que, durante a infância, Ned tinha de sua família e vice-versa.
Sobre seu pai e mãe, pouco conhecemos através de Ned. E isso parece indicar que há uma distância, tanto porque não era um filho com deferência de nenhum deles, quanto porque ele desenvolveu sua psicologia longe de casa, sob a tutela de sua icônica figura paterna, Jon Arryn.
Sobre seus irmãos, Ned passou a vida à sombra de Brandon (sendo suplantado por ele até na tarefa de conseguir para si próprio uma dança com a garota por quem ele se apaixonou), mas até parecia apreciar esta posição, pois sentia-se mais confortável na posição de irmão cumpridor de seu dever.
Quanto à Lyanna, há muitos indícios de sua intimidade, o que talvez decorresse de seu temperamento analítico, em contraste com o sangue de loba dela. O modo como Eddard tentou persuadir Lyanna de que Robert seria um bom partido parece revelar que Eddard pensava ter algum influência sobre ela. Ao mesmo tempo, Eddard afirma que Robert não conhecia a garota como ele. Pode ser, inclusive, que a falta de de rancor de Eddard por Rhaegar e sua reação mais moderada quando o príncipe a coroou Rainha da Beleza e do Amor em Harrenhal decorram de um certo conhecimento sobre a natureza de Lyanna e de como ela poderia estar correspondendo àquilo.
Sobre Benjen, o relacionamento com Eddard parece mais distante. É curioso pensar que, sendo o outro único filho sobrevivente de Rickard e Lyarra, somente tenha se aproximado melhor de Ned nos anos entre o fim da Rebelião de Robert e seu ingresso para a Patrulha da Noite. É possível, inclusive, que essa falta de intimidade, aliada com o fato de Ned já ter retornado a Winterfell com dois filhos homens, tenham sido decisiva na decisão de Benjen ir para a Muralha.
O segundo aspecto da personalidade íntima de Eddard é como ele se portou durante sua idade adulta, enquanto fazia amigos, vivia amores e formava uma família.
Eddard nunca é descrito como sendo um homem atraente ou um amante encantador. Na verdade, Catelyn fala como ficou desapontada com ele ser mais baixo e melancólico e ter um rosto mais simples que o de Brandon. Mas ela afirma que com o tempo descobriu o amor no coração "bom e doce" de Ned.
É interessante notar que essa foi a mesma opinião que ela deu sobre o Norte a Lynesse Hightower:
Lembrava-se de como a Senhora Lynesse era jovem, bela e infeliz. Uma noite, após várias taças de vinho, confessara a Catelyn que o Norte não era lugar para uma Hightower de Vilavelha.
– Houve uma Tully de Correrrio que sentiu o mesmo um dia – Catelyn respondeu com gentileza, tentando consolá-la –, mas, com o tempo, encontrou aqui muitas coisas que podia amar.
(ASOS, Catelyn V)
Portanto, Ned é uma alegoria do Norte: inóspito, simples e melancólico, mas que guarda algum tipo beleza e calor. A próprioa Lyanna é descrita como uma bruta por alguns (meistre Yandel) e uma beleza selvagem por outros (Kevan Lannister). Sabemos que Ned não tinha a natureza da irmã, mas poderia ter um pouco dessa beleza selvagem? Talvez Ashara o tenha visto sob essa ótica? Talvez nunca saberemos.
O que sabemos com certeza é que Eddard era um marido dedicado, assim com Catelyn era uma esposa dedicada. Ironicamente, dois cumpridores de seu dever conseguiram fazer surgir amor em um casamento arranjado que era o substituto de outro casamento arranjado. A forma como Eddard se obrigou a respeitar até a crença religiosa da mulher é tocante (construindo um septo para ela e trazendo um septão a Winterfell).
Isto é diferente do tipo de amor que Robert tem por ele. A amizade entre os dois parece o típico caso em que um extrovertido carismático adota um introvertido sem amigos. Este tipo de relação - que é imposta por outra pessoa - parece ser o tipo com que Eddard lida bem. Ironicamente, poderíamos dizer que Ned só é amigo de seu "chefe", o que combina com sua lição a Jon de que um senhor nunca deve ser amigo dos homens que comanda (ADWD, Jon III).
Como pai, Ned era muito efetivo e marcou seus filhos profundamente. Podemos ver os resultados de sua criação naqueles que amadureceram antes de sua morte. Robb havia absorvido todo o dever, a honra e o senso de justiça do pai, se tornando um Eddard em pele de Tully. Jon seria sua imagem e semelhança, caso não fosse filho de outros e não tivesse sido acossado a vida inteira por Catelyn. Ainda assim, é incrível que toda essa adversidade não o tornou menos cópia de seu "pai". É notório que Jon é mais orgulhoso que Robb, mas isso é uma coisa sua, talvez um mecanismo de defesa, resultado de um complexo de inferioridade, ou apenas das falsas certezas da juventude.
Bran, Arya e Rickon eram jovens demais para que a influência do pai cristalizasse em sua personalidade. Portanto, eles hoje estão suscetíveis à influência de outras figuras paternas na jornada que enfrentam. Ainda assim, pequenas lições de Eddard continuam a ecoar neles mesmo anos mais tarde. Bran ainda se lembra sobre como seu pai dizia que apenas diante do medo os homens podem ser corajosos, e Arya procura uma matilha constantemente para não perecer como o lobo solitário 'quando os ventos brancos se erguerem'.
O caso oposto foi o que aconteceu com Theon Greyjoy. Nem todo o tratamento com deferência que lhe foi oferecido em Winterfell resultou em boas relações com Ned. Ainda que descontemos seu conflitos internos pessoais (assunto para outro texto), esta repulsa de Theon pode ser explicada pelo fato de que ele havia crescido e sido educado dentro de uma cultura que odeia os habitantes do continente, em especial os nortenhos. Portanto, diante da educação recebida nas Ilhas de Ferro e do tratamento solene que lhe era dirigido, não parece inverossímil que ele mais tarde alegue que era sempre lembrado de sua condição de prisioneiro e pense que Eddard era frio com ele.
Entretanto, como visto em A Dança dos Dragões, o verdadeiro ressentimento de Theon era saber que nunca seria parte da família Stark. De fato, havia semelhanças demais entre a história de Ned e Theon para que suponhamos que Ned não tivesse boa dose de tato quando eles se relacionavam. Ned também havia sido retirado de casa quando ainda era criança para ir morar com um estranho em uma terra estranha. Ainda que sua condição no Ninho da Águia fosse bastante menos opressora do que a de Theon em Winterfell, ninguém poderia dizer que Ned foi voluntariamente enviado para o Vale. Assim, As conclusões de Theon serão sempre injustas.
Mas esse não é o caso mais interessante e agudo entre as crianças criadas por Ned. O relacionamento mais desafiador e com mais consequência era aquele com sua filha Sansa. Comecemos por dizer que não havia nada afetivamente errado entre eles, mas as circunstâncias tornaram as falhas deste relacionamento em um sintoma do que havia de errado no próprio Eddard como Mão do Rei. Em síntese, os erros de Sansa também foram erros de Ned.
Durante os eventos sinistros que ocorreram em A Guerra dos Tronos, Ned repetidamente deixa suas filhas no escuro sobre o que realmente estava se passando. Em razão da diferença de naturezas, Arya e Sansa têm respostas diferentes às situações. Eddard tem mais sucesso em apaziguar Arya, cujas semelhanças com Lyanna podem ter ajudado com que ele a compreende-se melhor (veja: Eddard até permitiu que Arya tivesse treinamento em armas quando sabe-se que o próprio Lorde Rickard não o permitiu a Lyanna).
Contudo, Sansa não é uma garota que tinha 'ferro por baixo da beleza', como Lyanna. Sansa é a garota para quem 'a cortesia era a armadura de uma dama'. E é justamente aqui esta a falha de Eddard. Ned não tem traquejo social, não entende de sutilezas e acaba traído e executado justamente por isso. Portanto, não é nenhum coincidência ou ironia que Sansa esteja sob a tutela e controle do homem que conhecia o suficiente de sutilezas para, por exemplo, trair e garantir a execução de Ned e ainda sair de mãos limpas e levando a filha que Ned não soube lidar adequadamente.
Mas a bizarra relação pai-filha entre Mindinho e Sansa é assunto para outro texto.
LORDE EDDARD STARK
Eddard Stark foi Lorde de Winterfell e guardião do Norte por 15 anos e é amado o suficiente na região para que pessoas arrisquem as próprias vidas em intrigas e guerras para proteger seus filhos. Mas se era Brandon quem teve a educação senhorial adequada e Ned não é carismático ou tem traquejo social, como isso é possível? Muito facilmente, alguém responderia que isso se deve a um longo verão de 10 anos. Mas não é só isso, á traços da personalidade de Eddard que o tornam um bom senhor.
O primeiro deriva de uma afirmação de Catelyn lembranda por Arya quando viu Tywin Lannister em Harrenhal:
Lorde Lannister tinha um aspecto forte para um velho, com rígidas suíças douradas e uma cabeça calva. Havia algo no seu rosto que fazia Arya lembrar-se de seu pai, embora não se parecessem em nada. Tem uma cara de senhor, é só isso, disse a si mesma. Lembrava-se de ouvir a senhora sua mãe dizer ao pai para envergar a cara de senhor e ir tratar de algum assunto. O pai ria daquilo. Arya não conseguia imaginar Lorde Tywin rindo de qualquer coisa.
(ACOK, Arya VII)
Como se vê, Eddard tinha cara de Lorde. O suficiente para ser comparável a ninguém menos do que Tywin Lannister. Pode parecer irrelevante, mas é algo que o próprio Bran também nota, como Eddard assumia o rosto do Senhor de Winterfell logo no primeira capítulo do primeiro livro.
O segundo é que Ned não faz separação entre o público e o privado. Sua relação com seus próprios servos é muito pessoal. A ponto de achar que o Senhor devia ceiar com seus homens e conhecê-los, para que eles não morram por um estranho (AGOT, Arya II). Esta tipo de política pessoal é tipicamente nortenha. É o tipo de política que mais tarde Jon Snow indica a Stannis Baratheon a seguir: deixe que eles lhe conheçam e eles lhe seguirão.
Este tipo de política, contudo, não é o que seria útil em Porto Real. Mas também este erro não pode ser atribuído totalmente a Ned. O primeiro erro foi de Robert, que selecionou Ned com base na confiança, não em suas competências. Caso Robert, tivesse olhado para sua própria família (como Stannis esperava, por isso que ele partiu para Pedra do Dragão depois que Robert o pulou), talvez o conflito contra os Lannister teria sido muito mais restrito e menos danoso ao reino.
Havia sinais que Robert deixou de ler quando selecionou Eddard para o cargo de Mão. O primeiro era que Eddard era essencialmente um soldado. Jaime Lannister, quando avalia Randyll Tarly como candidato a Mão de Tommen, ele avalia que um soldado é uma "fraca Mão para tempos de paz" (AFFC, Cersei II). E isto é especialmente verdade quando notamos que Eddard é um agente político sem agenda ou ambição. Na ausência de um conflito real, ele é apenas alguém segurando a cadeira para outra pessoa (e que não via a hora de ir embora).
Talvez tenha sido o fato de que Ned continuou no Norte a se portar como um segundo irmão obediente e não causar problemas a Porto Real que tenha feito Robert pensar que Lorde Stark daria uma boa mão. Mas a postura isolacionista de Eddard deveria ter funcionado como um sinal de que o homem não saberia lidar com costumes da política sulista.
Porém, no final, Robert preferiu algo que lhe trouxesse conforto e familiaridade. E a falta de traquejo de Ned cobrou seu preço. Desde o primeiro encontro com o conselho, Eddard demonstrou que não tinha talento para fazer aliados, não estava acostumado a não ter a palavra final e tinha uma retórica rudimentar. Todas estas qualidades reunidas fazem de uma pessoa um imã de inimizades.
Fora isso, Ned não se cercou de pessoas que poderia confiar, tampouco agiu para a destituição de pessoas de quem ele desconfiava do conselho do rei (o que seria de alguma fácil de conseguir, já que metade do conselho era de baixo nascimento).
Por fim, quando seus erros de cálculo se acumularam e circunstância fora de seu controle se mostraram desfavoráveis, Eddard julgou que poderia usar seu cargo e uma força mercenária (patrulheiros da cidade subornados) para resolver tudo e cometeu mais um erro de subestimar Cersei, dando-lhe uma chance de fugir, no que ele classificou como "a loucura da misericórida".
No final, os Lannisters usaram sua própria honra contra ele, fazendo com que ele confessasse ter fabricado a verdade pela qual seus homens morreram em seu golpe de estado fracassado.
EDDARD, O MORTO
Primeiro, temos que afirmar o óbvio: Ned não está vivendo uma segunda vida em algum pombo em Porto Real, como afirma a infame e bizarra teoria. Nós estivemos na cabeça de Eddard e ele nunca teve sonhos de warg ou qualquer experiência de troca-peles.
Mas, fora de questões lúdicas, por que Martin matou Ned?
Algumas pessoas pensam que, ao matá-lo, GRRM estava dando o tom dos livros. Pessoas sem capacidade de se adaptar não estariam aptos a serem parte do jogo dos tronos e seriam alvo fácil para jogadores mais talentosos e experientes.
Outros afirmam que foi justamente para mostrar que assim eram as políticas medievais, e que Martin está apenas sendo realista e fiel ao tom da história de nosso mundo. Porém, Martin já afirmou enfaticamente não ter ou defender uma visão niilista do mundo.
Eu gostaria de propor uma terceira via: que Ned foi morto por circunstâncias fora de seu controle. Afinal, no fim, sua morte não era prevista nem por seus inimigos. Foi apenas um capricho de Joffrey, assim como a tentativa de assassinato de Bran.
Qualquer que tenha sido a razão para Ned morrer pela própria espada que ele executa Gared no início dos livros, a morte de Eddard aparentemente já era prenunciada (foreshadowed) desde o começo do livro, com a descoberta a loba gigante morta e seus filhotes desamparados perdidos no mundo.
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2017.11.29 20:20 tombombadil_uk Today I fucked up: a estranha sensação de reencontrar um amor do passado 12 anos depois / Parte 3

Galera, finalmente postando a última parte da saga. Depois de pensar para caralho, resolvi falar com ela pelo Facebook e marcamos de nos encontrar num café pertinho da praça onde nos esbarramos. Para quem não conhece a história desde o começo:
Parte 1 - TL/DR: sou casado, reencontrei uma garota por quem eu era apaixonado há 12 anos e só nesse reencontro eu percebi como eu fui um imbecil com ela. Em resumo, nós éramos grandes amigos, eu fiquei com medo de me declarar, meti o pé do curso de inglês que fazíamos sem dar nenhuma explicação e desapareci completamente da vida dela.
Parte 2 - TL/DR: comecei a me perguntar se aquela garota que eu reencontrei realmente era ela, já que ela parecia tão mais velha. Depois de dezenas de tentativas, achei ela no Facebook e sim, realmente era ela. Descobri que um amigo meu já tinha saído com uma prima dela há muito tempo e soube que ela teve uma vida bem escrota, foi abandonada por um marido meio babaca e agora basicamente vivia só pelo filho na casa dos pais.
Parte 3 - Taí. Nos reencontramos. Foi uma experiência que eu não sei classificar. Foi feliz, foi triste. Foi amargo, foi doce. Foi impressionante. A gente chorou um pouco junto. Escrevi um pouco ontem à noite e terminei hoje de manhã.
Só queria agradecer a todos os conselhos e dicas que recebi aqui. Reencontrar alguém do passado é uma coisa que mexe muito com a gente, faz com que nosso coração se sinta naquela época novamente. Essas quase três semanas foram muito estranhas. Foi quase uma viagem no tempo por coisas que eu achava já ter esquecido completamente. Infelizmente não posso dividir muito disso com amigos próximos, então fica aqui o desabafo.
Esse último ficou mais longo do que eu esperava. Honestamente, a gente conversou tanto que acho que resumi até demais. Como da primeira vez, fiz em formato de conto. Novamente, obrigado a todo mundo que deu um help nessa história, que finalmente se fechou.
Era um café bonito. Novo da região, era um daqueles negócios em que você vê o coração de um sonho do dono. As mesas rústicas de madeira, as lâmpadas suspensas que desciam do teto em fios de prata, como teias de aranha tecidas por vagalumes. O quadro negro cuidadosamente preenchido com os preços e até desenhos estilizados de alguns pratos. No fundo, um jazz instrumental marcava presença de forma tênue. Também era um daqueles negócios que você sabe que não vai durar muito. Que você bate o olho e pensa: “com essa crise, é melhor eu dar um pulo lá antes que feche”.
Eu presto atenção a cada detalhe ao meu redor. À roupa preta das atendentes, ao supermercado do outro lado da rua que vejo pela vitrine. Aos clientes que entram e saem de uma loja das Casas Pedro. Eu não quero esquecer de absolutamente nada. Era um ritual meu que fiz pela primeira vez aos 14 anos. Sempre tive boa memória, mas naquela época eu me esforcei para colocá-la inteiramente em ação. Era um verão e eu estava prestes a reencontrar uma prima que, anos atrás, fora minha primeira paixão. Ela nos visitava de anos em anos e, três anos após trocarmos beijos juvenis debaixo do cobertor, ela havia acabado de chegar à casa dos meus avós, onde se hospedaria.
Naquela noite, eu não consegui dormir. Por volta das 4h da manhã, peguei meu cachorro e caminhei 15 minutos em meio à madrugada até a casa da minha avó. Não, não fui fazer nenhuma surpresa matinal ou pular a janela em segredo. Eu apenas fiquei do outro lado da rua e observei tudo ao meu redor. “Eu vou lembrar desse reencontro para o resto da minha vida”, pensei, do alto dos meus 14 anos. “Eu quero lembrar de cada detalhe”.
E até hoje eu lembro. Da rua cujo chão estava sendo asfaltado, mas onde metade da pista ainda exibia os bons e velhos paralelepípedos. Das plantas da minha avó balançando ao vento, o som singelo dos sinos que ela mantinha na varanda e davam àquilo tudo um clima quase de sonho. Do meu cachorro, fiel companheiro que viria a morrer dois anos depois, sentado ao meu lado com metade da língua para fora. Do frescor da madrugada que precedia o calor inclemente das manhãs do verão carioca.
Mas não é dessa memória - e nem dessa paixão - que eu falo no momento. Eu falo dela. Dela, que eu reencontrei depois de tanto tempo. Que eu julgava já ter esquecido. Que, apenas mais de dez anos depois, eu percebi que tinha sido um babaca ao desaparecer sem qualquer despedida. Mesmo que ela jamais tivesse segundas intenções comigo, mesmo que fosse apenas uma boa amiga, eu havia errado. E aquela era o dia de colocar aquilo, e talvez mais, a limpo.
Foram três semanas de tortura comigo mesmo. Desde que achara seu perfil no Facebook e ouvira de um amigo em comum notícias de uma vida triste, seu rosto não me saía da cabeça. Ao menos uma vez por dia, eu pagava uma visita ao seu perfil e mirava aqueles olhos. As fotos, quase todas ao lado da mãe e do filho pequeno, tinham um sorriso fugaz encimado por olhos dúbios, tristes. Eles lembravam-me de mim mesmo. “Você tem um olhar de filhote de cachorro triste, por isso consegue tudo que quer”. “Você parece feliz, mas sempre que para de falar por um tempo, parece ter uns olhos tão tristes”. “Essa cara de pobre-coitado-menino-sofredor é foda de resistir, dá vontade de levar para casa e dar um banho”. Eu já havia perdido a conta de quantas vezes ouvira aquilo das minhas ex-namoradas e ficantes da faculdade. Os dela não eram muito diferentes. Quando ela finalmente apareceu, com sete minutos de atraso, eu pude perceber.
Meu coração parou por uma fração de segundo e depois disparou, como se os sineiros de todas as catedrais que haviam dentro de mim tivessem enlouquecido. Era engraçado como algumas pessoas passavam vidas inteiras sem mudar o jeito de se vestir. Ela ainda parecia com aqueles sábados em que nós nos encontrávamos no curso de inglês: os tênis All-Star, a calça jeans clara, uma camiseta simples - de alcinha, branca e com corações negros estampados - e o cabelo com rigorosamente o mesmo corte. “Talvez por isso que foi tão fácil reconhecê-la, mesmo depois de todo esse tempo”, pensei. Ou talvez eu reconhecesse aquele rosto e aqueles olhos - antes tão vivos e alegres - em qualquer lugar. Eu jamais saberia.
Como qualquer par de amigos que não se vê há milênios, falamos de amenidades no começo. Casei, separei. Sou funcionária pública, ela dizia. O relato do meu amigo, eu descobria agora, não estava perfeitamente certo. Ela não havia se demitido do trabalho, apenas se licenciado por algum tempo. “Fui diagnosticada com depressão”, ela admite, sem muitas delongas ou o constrangimento que tanta gente tem sobre o tema. “Meu casamento estava indo muito mal e eu desabei. Mas agora tá tudo bem”. Não estava, não era necessário ser um especialista para notar aquela tristeza escondida no canto do olhar.
Falei da minha vida para ela também. Contei que a minha ex-namorada que ela conheceu não deu certo e que, naquela época de fim da adolescência e início da vida adulta, eu tinha muita vergonha de falar sobre o que eu passava. Ela praticava gaslighting comigo, tinha crises de ciúme incontroláveis, me fazia sentir um crápula por coisas que eu sequer havia feito. “Você parecia tão feliz com ela”. “Eu finjo bem”, admiti. “E eu tinha vergonha de mostrar para os outros o que passava. Homem dizendo que a mulher é abusiva? Eu não queria que ninguém soubesse”.
Após quase meia hora de amenidades, eu exponho o elefante na sala de estar. Na verdade, quem começa é ela. Quando a adicionei no Facebook, falei que tinha esbarrado com ela na rua e que ficara com vergonha de cumprimentá-la na hora. Mas que queria muito revê-la depois de tanto tempo, tomar um café, falar sobre a vida. “Por que você sumiu?”, ela pergunta, no meio de um daqueles silêncios que duram mais do que deveriam. Eu tremi por dentro, mas não havia como continuar escondendo.
No começo, falei o básico. Que era de família humilde, como ela bem lembrava, e que o parente que pagava meu curso havia descoberto um câncer. Poucos meses depois, eu perdi meu emprego. Tudo isso num intervalo curto, de três ou quatro meses e perto da virada do ano. “Me ligaram do curso e ofereceram um desconto. Eu era pobre, mas sempre fui orgulhoso. Naquela época, era mais ainda. Burrice minha. Se bobear, eles iam acabar me oferecendo uma bolsa”. “Eles iam”, ela responde. “O Francisco - dono do curso - era maluco por você. Você era um ótimo aluno”. Ela dá um gole no mate que pediu. Meu café esfria ao meu lado. “Mas por quê você não falou nada comigo?”, ela continua.
Eu sabia que estava num daqueles momentos em que poderia mudar radicalmente o dia. Porque eu poderia ter mentido. “Eu não falei porque fiquei com vergonha de ter perdido o emprego”. “Eu não falei porque eu estava muito triste: parente próximo com câncer, desempregado, meu relacionamento com uma pessoa abusiva”. Eram mentiras com um pouco de verdade, mas não revelavam o grande problema. Naquele fim de tarde, eu escolhi não mentir. Nem me esconder. E eu já tinha ensaiado essas palavras dezenas de vezes nas últimas semanas.
“Olha, eu não sei se dava para reparar na época ou não. Não sei era muito óbvio, sinceramente. Mas eu era completamente apaixonado por você naquele tempo. Eu passava a semana inteira pensando no dia em que a gente ia se encontrar, trocar uma ideia no curso, caminhar junto até a sua casa. E eu tinha uma vergonha absurda disso. Eu tinha namorada, você tinha namorado e estava para se casar. Então eu achava errado expor aquilo, ser claro. E eu achava que você não gostava de mim. Eu tinha auto-estima muito baixa e esse relacionamento com essa ex-namorada abusiva só piorou as coisas. Eu me sentia um lixo, então achava que você não ia ligar se eu sumisse. Que ninguém ia ligar se eu sumisse. E foi o que eu fiz. Mas, se você quer uma versão curta da resposta, é essa: eu era completamente apaixonado por você naquela época e quis sumir, sair correndo”.
Enquanto eu falava aquilo tudo, a boca dela se abriu em alguns momentos. Às vezes parecia surpresa, às vezes parecia que ela tentaria falar alguma coisa que se perdia no caminho. Eu fazia esforço para olhá-la nos olhos, mas era difícil. Mesmo depois de todos esses anos. Tentei dar a entender com o tom de cada palavra que aquilo era uma coisa do passado, que não me incomodava mais, que agora eu queria apenas revê-la e saber como andava a vida.
O desabafo foi seguido de um silêncio que tornava-se mais pesado a cada segundo. Havia alguma coisa fervendo dentro dela, dava para ver. Foi aí que os olhos dela brilharam mais do deveriam, lacrimejando. Quando vejo aquilo, sinto que o mesmo vai acontecer comigo, mas me seguro. Ela vira o rosto e olha para além da vitrine, onde um ponto de ônibus está lotado com os clientes do supermercado e estudantes recém-saídos de suas escolas, o trânsito lento e infernal. A acústica é tão boa no bar que o caos de fim de tarde do outro lado do vidro parece uma televisão ligada no mudo. Quando ela me olha de volta, vejo que ela não faz qualquer esforço para esconder os olhos marejados.
“E você nunca me contou nada? Nem pensou em me contar?”.
Eu não sei quantos de vocês já ficaram sem notícias de um parente ou de alguém que você ama por muitos anos. Aconteceu comigo uma vez, com uma tia que desapareceu por quase 10 anos no exterior e reapareceu após ser mantida em cárcere privado por um namorado obsessivo. A sensação é estranha. É como descobrir que um livro que você tinha dado como encerrado tinha uma continuação secreta. As memórias de hoje se misturavam com as de 12 anos atrás, da última vez que li esse livro. Ela começou a contar tudo.
Ela, como eu já disse antes, era o meu ideal de felicidade. Casara cedo, tivera filho cedo, empregara-se no serviço público cedo. Era tudo com o que eu sonhava. Eu sempre quis constituir uma família, ter uma vida simples, ter um filho cedo para poder aproveitá-lo ao máximo. Mas a falta de dinheiro e a busca por uma parceira ideal sempre ficaram no caminho, assim como a carreira. O problema é que ela tinha uma vida muito diferente do que eu imaginava, muito mais parecida com a minha à época.
Acho que já deixei claro o quanto eu era apaixonado por ela no passado. Ela não era bonita nem feia, tinha o tipo de rosto que se perde na multidão sem ser notado. Filha de pai negro e mãe branca, era morena e tinha o cabelo liso levemente ondulado, quase até a cintura. Quando éramos adolescentes, ninguém a elegeria a mais bela da turma, mas dificilmente negariam que tinha seu charme. Eu a achava linda.
Mas ela, como eu, era o tipo de pessoa que tinha a auto-estima no fundo do poço. Como eu, também cresceu em um lar bem humilde. Também colecionou desilusões amorosas. E, como todo mundo já sabe, isso te transforma em um alvo perfeito para relacionamentos abusivos. O namorado dela, assim como a minha namorada à época, era muito bonito e manipulador. E ela achava que ele era a única pessoa que gostava dela, o único que lhe daria atenção. E isso fez com que, por anos, ela suportasse tudo que aconteceu entre eles. Traições, brigas, mentiras, chantagens, ameaças de abandono, ciúmes doentios. A história deles dois era tão parecida com a minha história com minha primeira namorada que eu fiquei assustado. Só que, diferente de nós, eles casaram. Eles colocaram um filho no mundo.
Ele só piorou com o nascimento da criança. Ele não era mau com o filho, ela dizia. Era um pai carinhoso, inclusive. Mas o pouco amor e bondade que ele tinha por ela transferiu-se todo para a criança. Vivia para o trabalho, para o filho e para os amigos.
“A gente chegou a ficar sem se falar por meses”.
“Morando na mesma casa e sem se falar?”.
“Sim. Nem bom dia. Nada. Eu me sentia um fantasma”.
Na contramão dele, ela dobrava-se para dentro de si própria. Abandonou a faculdade para cuidar do filho enquanto o marido formou-se com seu apoio fiel. Vivia para o filho e tinha seus problemas conjugais menosprezados pela família. “É coisa de garoto, ele vai melhorar”. “Homem quando acaba de ter filho é sempre assim”. “Vai passar”. Mas não passou, só piorou. As traições recorrentes evoluíram para uma equação desequilibrada de álcool e uma amante fixa no trabalho que ele sequer fazia questão de esconder. Ele anunciou que ia deixá-la, convenceu-a de que era um bom negócio vender o apartamento que eles haviam comprado. Racharam o dinheiro e ele foi viver a vida. Ela voltou a morar com a mãe, agora viúva.
O filho, nitidamente a coisa mais importante daquela mulher, tornou-se a única razão para viver. A pensão que a mãe recebia era baixa, o salário dela também não era bom. A pensão que o marido dava ajudava a manter uma vida extremamente funcional e sem luxos. As roupas eram das lojas mais baratas. Viagens não existiam. O único gasto relativamente alto era com uma escola particular de qualidade para o filho. O resto era sempre no básico.
Contei para ela sobre o meu sonho de casar cedo, de ter uma vida tranquila e estável. Falei que eu admirava muito a vida que ela escolheu no começo, que era a vida que eu queria ter vivido. A grama realmente é mais verde no jardim do vizinho, ao que parece.
“Mas a sua vida parecia tão tranquila, tão perfeita”.
“A minha?”.
“A sua namorada naquela época era uma menina tão bonita, eu lembro dela. Loira, bonita de corpo. Até lembro que ela fazia medicina e ainda era dançarina. Eu achava ela linda, perfeita. E você… você era sempre tão fofinho. Carinhoso e atencioso com todo mundo. Inteligente pra caralho, nem estudava e tinha as notas mais altas em tudo. Todo mundo gostava de você, todo mundo queria ser seu amigo e você nem se esforçava para isso”.
“Eu não lembro disso…”.
“Porque você não se achava bom. Você tinha 16, 17 anos e sentava para conversar de igual para igual sobre cinema e livro com uns professores de 40 e poucos anos. Você parecia fluente conversando com os professores em inglês e espanhol enquanto a gente tentava chegar perto disso. Passou no vestibular de primeira. Você não percebia, mas você era o queridinho de todo mundo. Você não era o garoto malhado bonitão, você era o garoto charmosinho e inteligente que todo mundo gostava. Eu gostava de você também. Gostava mesmo, de verdade. Eu tinha uma paixãozinha por você. Mas eu achava que eu não tinha a menor chance. Eu achava que eu merecia o meu namorado. Que eu era feia, ruim. Que ele estava certo em me falar aquelas coisas”.
“Eu era completamente apaixonado por você”, eu respondo. “Eu pensava em você todo dia”.
Engraçado como as pessoas se veem de maneira tão diferente. Eu me definia de três formas quando a conheci: eu sou gordo, eu sou feio, eu moro num dos bairros mais pobres e violentos da cidade. No dia seguinte, de manhã, eu olharia minhas fotos de 12, 14 anos atrás e me surpreenderia com quem eu via ali. Eu era bonito, só um pouco acima do peso. Com 16 anos, eu já era o barbado da turma antes de barba ser coisa hipster. Na foto do colégio, uma das últimas do terceiro ano, eu parecia tão dono de mim, tão no controle. Eu tinha aquela cara de inteligente e rebelde. Por dentro, eu era completamente diferente. Inseguro, assustado, sem auto-estima alguma e com uma namorada abusiva.
São sete e meia e a noite já começa a cair no horário de verão. Educadamente, uma das atendentes nos indica que a galeria onde o café funciona vai ser fechada em breve. Eu pago a conta e nós ficamos meio perdidos, sem saber o que fazer. Ela ainda tem os olhos inchados, eu também. Os funcionários da loja nos olham de forma surpreendentemente carinhosa, não sei o quanto eles escutaram do desabafo.
Saímos em silêncio do café, ela atendeu a uma ligação da mãe. Minha esposa estava fora do estado e só voltaria dali a alguns dias, então eu estava bem relaxado em relação às horas.
“Não sei se você precisa voltar para a casa por causa do Hugo, mas tem um bar aqui perto que é bem vazio a essa hora. A gente pode sentar pra conversar”, eu digo.
“A gente tem mais coisa para conversar?”. Ela pergunta sorrindo, não vejo nenhum traço de mágoa no seu rosto.
“Claro que tem. Doze anos não se resolvem em duas horas”.
Fomos para um bar pequeno ali perto, um que eu costumava frequentar nos tempos de faculdade. Nos tempos em que eu pensava nela e não me achava capaz de tê-la. Ele pouco havia mudado de 12 anos para cá: a mesma atmosfera que fazia dele aconchegante e levemente depressivo ao mesmo tempo. Era um bar das antigas, com azulejos portugueses azuis e poucos frequentadores. O atendimento era excelente e o preço razoável para a região, mas aquela estética de 40 anos atrás parecia espantar os frequentadores mais jovens. Os poucos que iam lá, no entanto, eram fiéis. Como eu fui no passado.
Nos sentamos no fundo do bar vazio em plena terça-feira e desnudamos nossas vidas um para o outro. “Eu quero saber quem você é”, eu comecei. “A gente falava sobre um monte de coisa, mas eu não sei nada sobre você. Sobre sua família. Sobre sua infância, quem você é. E você não sabe nada sobre mim”. Ela riu. “Você é maluco”. “Não, só quero te conhecer melhor. Compensar por ter sido um babaca há doze anos”.
A conversa foi agridoce. O que mais me assustava era como tínhamos origens semelhantes, desde a família até a criação. Os dois criados no subúrbio do Rio de Janeiro, os dois de famílias humildes que, por conta da pobreza e da necessidade de contar uns com os outros, permaneciam unidas. Primos de terceiro ou quarto grau criados próximos, filhos que casavam e formavam suas famílias nas casas dos pais. Assim como a minha família, a dela investiu tudo que tinha para que ela estudasse em um colégio particular até que eventualmente ela passou para uma escola pública de elite.
Nossas duas famílias tinham essa estranha tradição carioca que mistura catolicismo, umbanda e espiritismo, um sincretismo religioso que eu, como ateu, tenho dificuldade em entender - mesmo tendo crescido nesse meio. Assim como eu, achava-se feia, indesejada na adolescência. Isso fez com que rapidamente trocasse o mundo cor de rosa pelo rock e pelos livros. No meu caso, eu acrescentaria videogames e RPG, mas o resto não mudava muito.
“Na minha escola, tinha muita patricinha, muito playboy. Eu não aguentava eles. E eles sabiam que eu era pobre, então não se misturavam muito comigo”. Contei a minha versão para ela. “Eu gostava de ler, RPG e jogar videogame. Mas eu era muito pobre, fodido mesmo. E isso tudo era coisa de gente com grana na época, né? Então eu acabei ficando amigo dos nerds na época por conta dos gostos comuns. Eu tive sorte, demoraram a perceber que eu era pobre. Eu tenho toda a pinta de gente com grana, essa cara de europeu que engana. Quando perceberam que eu era duro, foi só no segundo grau. Ali eu já era um pouco mais cascudo, tinha bons amigos”. Ela não.
Era tudo tão igual que, em dado momento, eu parei de falar que havia sido igualzinho comigo. Eu esperava ela terminar a parte dela. Falava a minha. E intercalávamos nossas histórias, os dois surpresos com as semelhanças. Provavelmente a grande diferença era a vida dela após ter o filho e abandonar a faculdade. Ela trabalhava em uma repartição pública onde tinha 20 anos a menos do que a segunda funcionária mais nova, se afastou dos amigos. Era estranho conversar com ela. Não usava redes sociais praticamente, apenas para trocar mensagens com parentes distantes e mostrar fotos do filho para eles. Não via séries, não tinha Netflix - só novelas. Não conhecia bandas novas, não era muito de ir ao cinema. Era uma sensação estranha, mas parecia que boa parte da vida dela tinha parado em 2006 ou 2005. Os hábitos dela e poucos hobbies pareciam os de uma pessoa de 50 e poucos anos.
Me doeu imaginar o que poderia ter sido, o que poderíamos ter feito juntos, como poderíamos ter sido bons um para o outro. Pensei na minha esposa, que tem um perfil familiar radicalmente diferente do meu. Ela vem de uma família de classe alta, só com engenheiros e funcionários públicos de elite. O mundo dela era muito diferente do meu, tão diferente que às vezes me assustava. Famílias que não se falavam e que, mesmo endinheiradas, brigavam por herança e cortavam laços de vida por conta de bens que eles não precisavam. Todos católicos ou evangélicos, sem exceção. No máximo um ou outro ateu escondido no armário, como eu.
Essa diferença nos causava estranhezas, pontos de atrito que me surpreendiam. Quando eu elogiava a decoração de uma festa, ela falava do preço e da empresa que a produziu. Ela sentia uma obrigação social em aparecer em eventos familiares ou do círculo social deles, de ser e parecer uma boa esposa. Eu só queria estar onde eu estava afim e quando eu estivesse afim, nunca vi a família como uma obrigação social. Eles discutiam herança entre irmãos com os pais bem vivos, nós nos preocupávamos em fazer companhia à minha mãe quando meu pai morreu. Já era meio subentendido que abriríamos mão de qualquer coisa e deixaríamos tudo para minha mãe, tendo direito ou não.
Havia uma preocupação com patrimônio, normais sociais e aparências que, por muitas vezes, me assustavam. Muitas vezes ela parecia desgastada ou enojada com isso também, mas fazia porque alguém na família tinha que fazer, porque era tradição, porque sempre foi assim. Eu assistia àquilo atônito, impressionado como uma família tão numerosa quanto a minha - com literalmente dezenas de primos e tios até de terceiro grau que moravam em um mesmo bairro - era tão mais simples e unida do que uma dúzia de endinheirados que pareciam brigar por coisas fúteis.
Ela, que estava ali do meu lado, não. Tudo que ela me contava soava como uma cópia fiel da minha família, apenas em escala ligeiramente menor. Pensei em como as coisas seriam simples ao lado dela, despreocupadas, tranqulas. Que eu não passaria a vida sendo julgado pela família da minha companheira como o ex-pobre com pinta de hipster que conseguiu ganhar algum dinheiro, mas não tem muita classe nem é muito cristão, como nos últimos anos.
As palavras que saíram da boca dela depois de uns dois ou três copos de cerveja poderiam muito bem ter sido lidas do meu pensamento. “Você acha que a gente teria sido um bom casal? Que a gente ia se dar bem?”.
“Não tem como saber”, eu respondi. “Mas a gente pode imaginar”. E a gente começou a brincadeira mais dolorosa da noite, imaginando como seria se tivéssemos ficado juntos 12 anos atrás.
“Eu jogava videogame para caralho, você ia se irritar. E eu ia te pentelhar para jogar comigo”, eu comecei.
“Eu gostava de videogame, só não jogava muito. Eu ia te arrastar para show da Avril Lavigne e da Pitty, você não ia gostar”.
Eu sorri. “Eu não tenho nada contra as duas”.
“Britney e Justin Timberlake também”.
“Porra, aí você já tá forçando a barra, amor tem limite”.
Falamos sobre meus primeiros estágios, sobre como eu era maluco e fazia dois estágios e faculdade ao mesmo tempo. Saía de casa às cinco da manhã e voltava às onze da noite. Tudo para conseguir ter uma grana legal, já que na minha área os estágios eram ridiculamente baixos. Ela falava sobre a rotina de estudos para concurso, sobre como foi difícil conciliar a faculdade - que ela eventualmente abandonou por causa do filho - com o recém-conquistado emprego público. Eu falava do meu início de carreira, que foi bem melhor do que eu jamais imaginara, como subi rapidamente. Como eu achava estranho ganhar a grana que eu ganhava - que não era nada extravagante, garanto - mas meus hábitos simples faziam com que eu mal gastasse metade do salário. Ela falava da depressão que tomou conta dela ao perceber que estava num emprego extremamente burocrático e ineficaz, deixando-a incapaz de buscar outras alternativas. Falamos sobre a morte dos nossos pais, que parecem ter conspirado para falecer no mesmo ano.
Em algum momento, a cabeça dela repousou no meu ombro. Eu não soube o que fazer. Pensava apenas na minha esposa, em jamais ter traído ela nem nenhuma outra mulher. Foi aí que eu percebi que ela chorava e, novamente, eu chorei também.
“É engraçado a gente ter saudade de algo que a gente não teve”, eu disse, lembrando de um livro que eu li há muito tempo.
“Acho que a gente seria um casal do caralho”, ela disse, com um inesperado sorriso entre as lágrimas.
“Ou talvez a gente se detestasse e desse tudo errado, a gente nunca vai saber”.
“A gente nunca vai saber”, eu repeti, mentalmente. Como um vírus, a ideia se espalhou dentro de mim rapidamente. “Eu posso fazer uma diferença na vida dessa mulher, na vida do filho dela, na própria família dela. Eu posso ter uma vida mais tranquila ao lado dela, sem essas picuinhas de família rica. Minha esposa pode encontrar um homem muito melhor para ela. Um cara rico, cristão e que tenha a classe e pose que a família dela tanto quer. Isso pode acabar bem para todo mundo”.
Mas não podia. Lá no fundo, eu sabia que não podia. Eu tinha quase uma década de história com minha esposa. Eu tinha um casamento plenamente feliz atrapalhado por alguns poucos problemas familiares e inseguranças minhas. Tínhamos uma química ótima, gostos parecidos para livros e filmes, nos dávamos bem na cama. Valia a pena jogar aquele relacionamento tão bom e funcional - algo que me parece cada vez mais raro hoje em dia - por uma aventura fugaz? Um remorso do passado? Em um relacionamento com uma estranha que eu estava voltando a conhecer havia algumas horas?
“Você nem a conhece”, dizia a cabeça. “Ela é igual a você”, dizia o coração.
No fim das contas, eu segui a cabeça. Conversamos até quase dez da noite. Pegamos um Uber e fiz questão de deixá-la em casa, um prédio pequeno em um bairro abandonado do subúrbio. Quando o carro parou, ela se demorou um pouco do meu lado e, por impulso, eu segurei a mão dela. Ela me encarou assustada e ansiosa. Eu pensei em beijá-la, em ligar o foda-se e jogar tudo para o alto ali mesmo. Mas eu só desci do carro com ela na rua deserta e caminhamos juntos para dentro do prédio, sem saber exatamente o que a gente estava fazendo. Pedi para o motorista me esperar e disse que depois acertava uma compensação com ele.
“Eu vi o seu Facebook. Você é casado com uma mulher linda. E inteligente. Você não vai me trocar por ela. Nem eu quero acabar com o seu casamento”.
“Você acha ela linda e inteligente?”.
“Você sabe que ela é”.
E então eu desabafei. Falei que passei as últimas semanas reavaliando meu casamento e meu futuro, encarando a foto dela no Facebook de tempos em tempos. Que meu coração quase parou quando encontrei-a pela primeira vez. Que eu gostava de tudo nela. Da dedicação como mãe, da simplicidade, dessa aura de pessoa correta que ela exalava sem fazer esforço, desse espírito suburbano e familiar que ela tinha. Dos olhos dela, tão animados no passado e tão tristes agora. De como eu estava me segurando para não beijá-la naquele dia todo.
“Você é linda. Eu sei que você se acha feia, eu sei que você acha que ninguém vai se interessar por você. Mas você é uma mulher foda, e nem preciso subir para saber que você é uma mãe foda, uma filha foda. Não deixa a vida passar. Eu tenho certeza que tem mais gente que, igual a mim, já percebeu isso em você e não sabe como falar. Não faz de novo a mesma coisa que a gente fez lá atrás. Eu só queria que você soubesse disso porque eu acho que você merece ser muito mais feliz do que você é agora. E você não tem ideia de como você me deixou maluco esses dias todos. Eu sou bem casado com uma mulher linda sim, mas só de encontrar você eu tive vontade de jogar tudo para o alto”.
Foi um monólogo mais longo do que eu esperava. De novo, ela chorou. Dessa vez, eu contive as lágrimas. O abraço que partiu dela foi um dos melhores e mais tristes que já ganhei na minha vida. Havia ali uma história de amor não vivida, saudades de uma história que jamais colocamos no papel, de um mundo que nunca existiu. Ela me apertou forte e eu sentia minhas mãos tremerem.
Encostamos as laterais do rosto um do outro, aquele prenúncio de um beijo adiado. E que tive que usar todo auto-controle do mundo para manter adiado. Me afastei, olhei nos olhos dela, sorri e fui embora. Quando o Uber saiu, ela ainda estava parada na portaria e minhas mãos ainda tremiam.
Eu não sei se essa história acaba aqui ou não. Mas eu tenho quase certeza que sim. Algum dia eu vou contar tudo isso para a minha esposa, mas vou esperar esse sentimento morrer primeiro. Eu conheço ela o suficiente para saber que, em um bom momento, ela não ficaria triste com essa história. Eu até consigo imaginar a reação dela, repetindo a frase que ela me diz desde que a gente casou. “Eu te conheço. Você não vai me trair com alguma gostosona oferecida por aí. Se alguma coisa acontecer, você vai se apaixonar por alguém. Eu te conheço, você é romântico. Mas a gente se resolve”.
Quando cheguei na minha casa vazia, sentei e escrevi quase tudo isso de uma tacada só. Sem revisão, sem pensar muito. Eu acho que eu poderia escrever dezenas de páginas sobre os detalhes da conversa, mas isso aqui já está longo demais. Antes de dormir, eu vejo que tenho uma mensagem no Whatsapp.
“Foi muito bom encontrar você”.
Toda aquela tentação de falar algo mais grita dentro de mim, se debate.
“Foi bom te ver também :) “.
Por via das dúvidas, coloquei o celular em modo avião e suspirei. “Eu tô feliz ou triste?”, me perguntei. Parece uma pergunta simples e relativamente objetiva, mas eu não soube responder. Eu custei a dormir, com medo de sonhar com ela. Quando eu acordo no dia seguinte e me preparo para ir ao trabalho, a impressão que eu tenho é de que tudo foi um sonho. Vê-la, reencontrá-la, chorar, abraçá-la.
E, como quando a gente acorda de um sonho triste, eu volto a viver minha vida normal para esquecer. Hoje tem reunião com cliente. À noite, preciso pegar minha esposa no aeroporto.
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2017.09.15 07:43 ComoUmCamaleao Jovem Conservador de Direita e o Tony Carreira

Quero demonstrar aqui a minha solidariedade para com o Dr. Tony Carreira e repudiar o ataque vil de que este está a ser alvo por parte do Tribunal Constitucional. Isto não é forma de tratar o melhor artista português da actualidade. Eu não sei se o Dr. Tony Carreira plagiou. E se plagiou? É assim tão importante?
Eu não sou músico, mas uma vez no duche inventei, do nada, uma canção muito bonita chamada “My way.” Mais tarde, vim a saber que, por pura coincidência, o Dr. Frank Sinatra tinha composto uma música exactamente igual à minha. Não vou discutir a autoria desta música. Eu sei que não copiei esta música ao Dr. Frank Sinatra e seria capaz de pôr as mãos no fogo pelo Dr. Frank Sinatra. É assim tão complicado reconhecer que duas pessoas conseguiram criar a mesma música em momentos diferentes? Isto pode ter acontecido ao Dr. Tony Carreira 11 vezes. Já não há muito para criar na área da música e é perfeitamente possível que ele tenha composto músicas que já tinham sido compostas por outros. Os artistas que ele alegadamente plagiou é que se deviam sentir honrados por terem composto músicas iguais àquelas que o maior artista português veio a compor. Eu, pelo menos, senti-me orgulhoso por, apesar de ser um mero amador, ter conseguido compor uma música tão popular como a “My Way.” É claro que não espero ganhar royalties. Mesmo que mos quisessem oferecer não aceitava. Prefiro abdicar desse dinheiro a ser considerado “artista.”
Além disso, criticar o Dr. Tony Carreira por plágio é injusto porque é assumir que o mais importante na carreira dele são as músicas. Não é. Ele até podia gravar um álbum inteiro a gritar a palavra pinheiro que as fãs dele iam continuar a gostar dele. Mais do que um músico, o Dr. Tony Carreira é um empreendedor da música. Analisou o mercado e percebeu que há um conjunto de senhoras com necessidades emocionais. Os seus maridos não as estão para aturar e preferem ficar em casa a beber cerveja e a ver futebol, por isso pagam ao Dr. Tony Carreira para serem homens sensíveis para as suas esposas no lugar deles. Assim, podem ver futebol à vontade, enquanto as mulheres estão na cozinha a trabalhar para eles e a suspirar pelo Dr. Tony Carreira. Deitar essa responsabilidade para cima do Dr. Tony Carreira é uma jogada muito inteligente dos maridos pouco sensíveis destas senhoras, que lhes permite salvar o seu casamento. Porque, por mais sensível que seja, o Dr. Tony Carreira nunca vai dormir com todas as fãs e, enquanto elas estão obcecadas por ele, não prestam atenção a potenciais amantes reais com quem se cruzam no dia-a-dia.
A influência do Dr. Tony Carreira no mercado feminino de senhoras com problemas emocionais tornou-o no homem mais influente do retalho nacional Ao ponto de o Continente ter para poder vender pepinos, esfregonas e produtos de limpeza a essas senhoras, se ter decidido associar a ele, dando-lhe um lugar cativo no Piquenicão. O Dr. Tony é o CEO não oficial da Sonae. Consegue vender mais produtos a donas de casa do que qualquer outra pessoa. Até eu olho para o Dr. Tony Carreira e fico com vontade de comprar couve galega, nabos e um cachecol da selecção.
O Dr. Tony Carreira é um homem de negócios tão brilhante que decidiu criar um franchise do seu nome. Produziu dois clones e colocou-os a render no mundo da música, para diferentes targets. O primeiro, o Dr. Mickael canta música para aquelas senhoras que gostam de música latina, mas não o suficiente para se darem ao trabalho de ouvir alguém a cantar em castelhano. O Dr. David Carreira produz música para um público mais urbano, com as suas ligações ao mundo do gangsta rap norte-americano. O Dr. David Carreira é como se o Dr. Justin Timberlake tivesse um filho biológico com um Seat Ibiza verde fluorescente e uma garrafa de azeite Gallo. É uma figura de estilo, escusam de imaginar o Dr. Justin Timberlake a fazer amor com um veículo e uma garrafa de azeite. Enfim, a única coisa que os três Carreiras têm em comum é que a música deles é intemporal: é uma porcaria hoje e será uma porcaria até ao final dos tempos. Mas isso não importa. O que importa é que vençam no mercado da cultura.
Só vamos na segunda geração de Carreiras. É uma dinastia que ainda está no início. Daqui a 50 anos, teremos cerca de 500 Carreiras a dominar todo o establishment cultural português. A continuar assim, os únicos intelectuais do país vão ser da família Carreira. Mas a culpa não é deles. Se chegaram a esse nível é porque mereceram e não estiveram parados à espera de subsídios para executarem a sua arte, como outros artistas. Se uma arte precisa de subsídios para sobreviver é porque não precisa de existir.
O que estão a fazer ao Dr. Tony Carreira é um ataque à cultura portuguesa. Ele é muito mais do que a alegada música que canta ou plagia. É uma corporação que faz andar a nossa economia e dá felicidade a muitas senhoras infelizes. Acusá-lo de plágio é como acusar a EDP de plagiar o Dr. Thomas Edison.
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2017.08.15 23:53 feedreddit Longe de Charlottesville, São Paulo também celebra o “lado errado da história”

Longe de Charlottesville, São Paulo também celebra o “lado errado da história”
by Ana Maria Gonçalves via The Intercept
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A manifestação neonazista e o atentado ocorridos na semana passada em Charlottesville giram em torno da disputa simbólica da herança representada pelos monumentos confederados. A cidade da Virgínia, seguindo o exemplo de algumas outras cidades do sul dos Estados Unidos, pretende remover a estátua do general Robert E. Lee, e os supremacistas brancos estavam por lá para defendê-la.
Lee foi o militar que comandou o exército da Virgínia contra a União, numa guerra separatista que queria manter a escravidão no Sul do país. A discussão tomou fôlego em 2015, depois que um supremacista branco matou nove pessoas negras em um atentado a uma igreja em Charleston, na Carolina do Sul. A cidade de New Orleans, por exemplo, comemorou, em maio passado, a remoção do último dos quatro monumentos confederados, exatamente uma estátua do general Lee.
O prefeito Mitch Landrieu, que é branco, reconheceu que tais monumentos celebram a supremacia branca, e disse que tal ato poderia fazer com que o estado da Louisiana finalmente começasse a se curar [dos males da escravidão], pois “não é bom continuar reverenciando uma falsa versão da história e colocar a Confederação em um pedestal”, completando que há que se reconhecer que os confederados estavam no lado errado da história.
“Não é bom continuar reverenciando uma falsa versão da história e colocar a Confederação em um pedestal”Por “lado errado da história”, por mais que se tente amenizar ou mesmo mascarar a intenção dos estados do sul durante a Guerra da Secessão, deve-se entender:o lado que defendia a manutenção de uma economia baseada na escravidão.
Não é apenas nos Estados Unidos que o “lado errado da história” é celebrado e mascarado. Aqui no Brasil, em Santa Bárbara D´Oeste (SP), há mais de 30 anos acontece a Festa Confederada. Com patrocínio estatal e incluída no calendário oficial do Estado de São Paulo, a festa, segundo os organizadores, foi organizada para “manter viva a memória dos nossos ancestrais” – ou seja, os confederados que, depois de derrotados nos sul dos Estados Unidos, vieram procurar abrigo no Brasil, onde ainda havia escravidão.
A história desses ancestrais e de como chegaram a esta região do estado de São Paulo pode ser lida no livro “Brazil: the Home for Southerners” (“Brasil, lar dos sulistas”, em tradução livre), do reverendo Ballard S. Dunn. Na festa dos descendentes dos confederados brasileiros, assim como nas casas e nas manifestações dos supremacistas estadunidenses, a bandeira confederada está em todos os lugares: nas roupas, na decoração, nos uniformes, pintada no palco onde acontecem shows e apresentações.

O contexto dessa imigração

Um dos grandes problemas deixados por séculos de escravidão foi o que fazer com o enorme contingente de negros libertos ou libertados, que nunca seriam totalmente integrados à sociedade. Aos olhos dos ex-senhores e das autoridades, representavam tanto uma ameaça à ordem pública, em locais onde eram muito numerosos, como uma ameaça à composição étnica, por serem considerados inferiores.
Os Estados Unidos fundaram uma colônia na África (Libéria), para onde enviaram todos os negros que se dispunham a deixar o país, com todas as despesas pagas. A ideia de uma colônia de negros norte-americanos no Brasil, mais especificamente na região amazônica, também era bastante atraente, por ser mais perto e por acreditarem que tínhamos aqui um modelo de sociedade menos racista.
O governo brasileiro chegou a ser consultado em algumas ocasiões, abortando a ideia porque, na época, mesmo antes da Abolição por aqui, já se pensava em um processo de branqueamento da população. Havia leis que proibiam a entrada de africanos livres no país e, ainda em 1945, imigrantes deveriam ser selecionados de acordo com a “necessidade de preservar e desenvolver, na composição étnica da população, as características mais convenientes de sua ascendência européia.” A política de incentivos para atrair imigrantes europeus brancos acabou atraindo também os brancos norte-americanos.
Descendentes de sulistas americanos na Festa Confederada de 2017
Reprodução: Festa Confederada / Facebook
Com o fim da Guerra Civil, alguns sulistas brancos escravocratas se sentiram humilhados com a derrota imposta pelo norte abolicionista, acreditando que não havia mais condições de permanecerem no país. Na década de 1860, o reverendo Ballard S. Dunn fez uma longa expedição pelo Brasil e acabou escolhendo, com o aval do Imperador, uma região no interior do estado de São Paulo. Mudando-se para lá junto com várias famílias, fundou os povoamentos que dariam origem às cidades de Americana e Santa Bárbara D´Oeste. A ligação com o passado é tão forte que até 1998, o brasão de Americana ainda fazia alusões à bandeira confederada.
Nenhum problema que os descendentes de confederados brasileiros queiram continuar reverenciando seus antepassados, mas que o façam com a verdade, em respeito à História e aos descendentes de escravizados.Os descendentes dos confederados de Santa Bárbara D´Oeste, representados por uma associação chamada Fraternidade Descendência Americana, soltaram uma nota condenando e lamentando o atentado em Charlottesville. A nota contém trechos de uma mesma nota emitida em 2015, quando do atentado na igreja de Charleston, como podemos ver reportagem, e pode ser lida na íntegra aqui , mas da qual destaco:
“A Fraternidade Descendência Americana representa milhares de descendentes de imigrantes Americanos que escolheram o Brasil como novo lar após sofrerem os horrores da guerra da secessão. Este conflito resolveu todas as divergências filosóficas, políticas, econômicas e sociais, onde o lado vencedor ditou as regras para todos daquele país, cujos efeitos refletem no atual sistema de vida dos Norte Americanos. Nossos ancestrais encontraram no Brasil o abraço acolhedor e a paz para recomeçarem suas vidas, sendo seus descendentes os maiores demonstradores da integração entre raças e povos frutos dos casamentos inter-raciais que ocorrem desde das primeiras gerações de descendentes.”
E:
“Aproveitamos para ressaltar que o General Robert E. Lee é considerado um dos melhores generais da história dos EUA e que ele não possuía escravos e entendia que a escravidão era um grande mal. Ele liderou as tropas confederadas na sua luta pela independência. Desta forma, o General Robert E. Lee não representa os grupos extremistas de direita estadunidense.”
Há tantos problemas nestes dois parágrafos acima que fica difícil começar, mas vou me ater ao que se refere ao general Lee. Nenhum problema que os descendentes de confederados brasileiros queiram continuar reverenciando seus antepassados, mas que o façam com a verdade, em respeito à História e aos descendentes de escravizados.
A bandeira dos Confederados é hasteada para a festa no interior de São Paulo.
Divulgação: Festa dos Confederados / Facebook
“Informações sobre a vida de Lee foram editadas para apresentá-lo sob uma luz favorável, começando imediatamente após sua morte – até mesmo no Norte”, diz este artigo, que ainda traz a seguinte declaração do ex-escravo, escritor e abolicionista Frederick Douglass: “Dificilmente podemos pegar um jornal que não esteja cheio de bajulações nauseantes” acerca de Lee, sobre quem “parece que o soldado que mais matou homens em batalhas, até mesmo por má causa, é o maior dos cristãos, qualificado por um lugar no paraíso.”
O artigo também dá conta de que Lee teve escravos sim, ao contrário do que muitos tentam negar: “Lee possuía escravos próprios antes da Guerra Civil, até 1852 [sua esposa continuou possuindo depois disto], e considerou comprar mais depois desta data, de acordo do a biografia escrita por Elizabeth Brown Pryor, que se baseia nas correspondências de Lee.” Em carta para a esposa, o general diz o que acha da escravidão: “A escravidão, como instituição, é um mal moral e político em qualquer país”.
A Guerra Civil foi, sim, uma luta pela manutenção da escravidãoDeve ser daqui que a Fraternidade Descendência Americana tirou a declaração sobre Lee, esquecendo-se, no entanto, do que complementa essa sua declaração. Lee afirma que a escravidão era pior para os brancos do que para os negros, e que era necessário que os negros a suportassem, para que fossem civilizados:
“A dolorosa disciplina pela qual estão passando é para a instrução de sua raça… Por quanto tempo esta instituição será necessária é sabido e ordenado por uma sábia Providência Misericordiosa.”
Ou seja: só Deus sabia, e não cabia aos homens libertá-los. Aqui se confirma o argumento de que a Guerra Civil foi, sim, uma luta pela manutenção da escravidão, na qual a religião foi forte componente. O que pode ser confirmado neste artigo, que a coloca no centro das declarações dos vários estados confederados.
Ou seja, naquele tempo e agora, os símbolos confederados, como a bandeira e as estátuas do general Lee, representam um ideal defendido tanto por Trump quanto pelos supremacistas brancos: a américa para os americanos – e apenas os brancos protestantes. Os mesmos que migraram para o Brasil e deram origem às cidades de Americana e Santa Bárbara D`Oeste. Que seus descendentes queiram honrar sua memória é completamente entendível, mas que também assumam a verdade histórica da herança que trouxeram com eles.
Foto em destaque: Polícia protege estátua em Charlottesville, no último sábado, dia 12. Michael Nigro/ AP
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2016.11.13 14:23 Dadimel_Presentes CAMPANHA "LENDO DE CARREIRINHA O NOVO TESTAMENTO". Lendo o Novo Testamento Em Sequencia Todo Dia.

Em mais este domingo, celebramos a expansão desta campanha simples, incentivadora da leitura em sequência do Novo Testamento. Leitura que, sendo feita sob a forma de reflexão e livre das ideias preconcebidas formatadas pela religião, contribui para o conhecimento do genuíno Evangelho de Cristo, aquele onde Ele é o centro; onde a Graça é o dom imerecido de Deus para nós, onde o sacrifício de Jesus na cruz é autossuficiente e onde não há espaço pra barganhas com Deus e reconhecimento de quantidade de obras da parte dele, com o interesse final de ser melhor colocado no “hanking” celestial! Graças a Deus pela vida de tantos que através desta campanha, divulgada diariamente em 13 redes sociais diferentes, estão descobrindo na leitura simples do Novo Testamento, o Evangelho original puro, sem aditivos de dogmas e liturgias originários da imaginação de pretensos “porta-vozes oficiais da vontade de Deus na Terra”! Tenha em mente que você cristão nascido de novo, não é melhor ou inferior diante de Cristo em comparação com o seu irmão próximo; que você mesmo pode ler e entender o Novo Testamento, contando com a inspiração do Espírito Santo; e que quanto mais responsabilidade e “em evidência” desejar estar no cristianismo, mais contas terá a prestar diante de Deus. Pense nisso, e deseje ser a cada dia um cristão melhor e mais humilde, aprendendo diretamente do Novo Testamento, a mensagem original de Cristo para sua Igreja.
13/11 - REFLEXÃO DE HOJE PARA INCENTIVO NA 1ª CARTA AOS TESSALONICENSES: ”Quanto ao mais, irmãos, já os instruímos acerca de como viver a fim de agradar a Deus e, de fato, assim vocês estão procedendo. Agora lhes pedimos e exortamos no Senhor Jesus que cresçam nisso cada vez mais. Pois vocês conhecem os mandamentos que lhes demos pela autoridade do Senhor Jesus. A vontade de Deus é que vocês sejam santificados: abstenham-se da imoralidade sexual. Cada um saiba controlar o próprio corpo de maneira santa e honrosa, não com a paixão de desejo desenfreado, como os pagãos que desconhecem a Deus. Neste assunto, ninguém prejudique a seu irmão nem dele se aproveite. O Senhor castigará todas essas práticas, como já lhes dissemos e asseguramos. Porque Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade. Portanto, aquele que rejeita estas coisas não está rejeitando o homem, mas a Deus, que lhes dá o seu Espírito Santo.”(1ª Tessalonicenses 4.1-8).
A santidade de Cristo não é baseada em especulações filosóficas quanto à virtude, mas em fazer a vontade de Deus e agradá-lo. A santidade engloba cada dimensão da vida de uma pessoa, mas a sexualidade é uma área em que a necessidade de santidade recebe uma clara ênfase.
Sexo fora do casamento é sempre uma forte tentação. Mas os cristãos devem ficar longe de qualquer união sexual fora do casamento, porque isso viola a santidade de Deus e pode ter consequências para a vida toda. Pecados sexuais sempre ferem alguém; e desejos de atividades sexuais devem ser submetidos à autoridade de Cristo. Deus criou o sexo para fins de procriação e prazer no sentido de unir marido e esposa. Portanto, a experiência sexual deve ser exclusiva do casamento.
Paulo ensinou que paixões carnais não devem controlar o povo de Deus. É vontade do Senhor que você seja santo, e Ele o considera assim, caso você tenha aceitado o sacrifício de Cristo por sua vida e o reconheça como seu Salvador e Senhor. E mesmo assim, você deve continuar aprendendo e crescendo em sua estadia física aqui na Terra. E isso inclui submeter cada desejo seu à autoridade de Jesus.
Existem desejos em sua vida que não estão debaixo do controle de Cristo? Você possui a mente de Cristo. O que o Espírito Santo lhe diz agora, sobre eles? Faça uma autoanálise.
(Bíblia de Estudo Leitura Diária)

NovoTestamento #Biblia #JesusCristo #EvangelhodeCristo

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2016.10.30 12:48 Dadimel_Presentes CAMPANHA "LENDO DE CARREIRINHA O NOVO TESTAMENTO". Lendo o Novo Testamento Em Sequencia Todo Dia.

Olá, Bom domingo! Com a ajuda de Deus e perseverança, a cada dia prosseguimos em sequência nossa reflexão no Novo Testamento. Hoje vamos aprender algumas coisas importantes para o matrimônio. Um casal responsável um pelo outro, homem e mulher. Quais os direitos e deveres de cada um? Paulo Apóstolo orientou os efésios em sua época e a cada um de nós nos tempos atuais. Vamos juntos?
29/10 - REFLEXÃO DE HOJE PARA INCENTIVO NA CARTA AOS EFÉSIOS: ”Sujeitem-se uns aos outros, por temor a Cristo. Mulheres, sujeitem-se a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, que é o seu corpo, do qual ele é o Salvador. Assim como a igreja está sujeita a Cristo, também as mulheres estejam em tudo sujeitas a seus maridos.” ”Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a palavra, e apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável. Da mesma forma, os maridos devem amar as suas mulheres como a seus próprios corpos. Quem ama sua mulher, ama a si mesmo. Além do mais, ninguém jamais odiou o seu próprio corpo, antes o alimenta e dele cuida, como também Cristo faz com a igreja, pois somos membros do seu corpo.”(Efésios 5.21-30).
Submeter-se à outra pessoa é quase sempre um conceito mal interpretado. Não quer dizer tornar-se um capacho! Cristo – aquele o qual ”para que ao Seu Nome se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, na terra e embaixo da terra”(Fp2.10) - submeteu-se à vontade do Pai, e nós honramos a Jesus seguindo seu exemplo. Quando nos submetemos a Deus, ficamos mais dispostos a obedecer a Seu comando de nos submetermos ao próximo, ou seja, subordinar nossos direitos ao do outro.
No casamento, tanto o marido como a mulher são chamados a se submeterem. Para a esposa, significa seguir a liderança em Cristo de seu esposo. Para o marido, significa colocar de lado seus próprios interesses para cuidar de sua esposa. A submissão é mais fácil quando ambos os cônjuges têm um forte relacionamento com Cristo e quando cada um preocupa-se em cuidar das necessidades do outro.
Paulo dedica duas vezes mais palavras ao dizer para os maridos amarem sua esposa, do que para as mulheres submeterem-se ao esposo. E como um homem deve amar a esposa? Ele deve estar disposto a sacrificar tudo por ela como se fosse para ele, dar extrema importância para o bem-estar dela e cuidá-la como se fosse ele próprio.
Casados, este é o ensino do Novo Testamento. Aplique-o em seu cotidiano, em comum acordo com seu cônjuge.
(Bíblia de Estudo Leitura Diária)

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